A condição, que surge ao longo da vida, desenvolve placas fibróticas que deformam o órgão, causando dor e impactos psicológicos profundos.

A Doença de Peyronie é uma condição adquirida que pode causar preocupação e desconforto em muitos homens. Caracterizada pelo desenvolvimento de tecido cicatricial fibroso sob a pele do pênis, ela provoca uma série de alterações na anatomia do órgão.

Entre as principais consequências, estão o entortamento e o encurtamento anormais do pênis, o que pode dificultar ou até mesmo impedir a relação sexual. As sociedades médicas internacionais apontam os microtraumas repetidos durante o sexo como a causa mais comum da doença.

Além dos impactos físicos evidentes, a condição também acarreta uma carga emocional significativa. A deformidade e a dor podem afetar a autoestima, gerar ansiedade e, em casos mais graves, levar a quadros de depressão se não houver tratamento adequado.

Entenda as causas e o surgimento da Doença de Peyronie

A Doença de Peyronie é considerada uma condição adquirida, ou seja, ela se manifesta ao longo da vida, diferente de curvaturas penianas presentes desde o nascimento. O urologista Ricardo Ferro, coordenador do serviço de urologia do Hospital Brasília, explica que “a condição costuma ocorrer em homens predispostos, que sofrem pequenos estiramentos e dobras durante o processo de ereção que não cicatrizam adequadamente”.

Com essa cicatrização desordenada, o organismo passa a produzir um excesso de tecido cicatricial, formando as placas fibróticas que alteram a estrutura do pênis. Além dos microtraumas, outras condições como diabetes, hipertensão e alterações do tecido conjuntivo podem estar associadas ao surgimento da doença.

O urologista Berthran Severo Garcia, do Hospital Santa Lúcia Gama (HSLG), em Brasília, reforça que “na doença de Peyronie, a alteração geralmente surge ao longo da vida em um homem que anteriormente não apresentava aquela deformidade”, distinguindo-a da curvatura congênita, que não causa prejuízos ao indivíduo.

Impactos na saúde sexual e psicológica dos pacientes

Os desafios da Doença de Peyronie vão além da esfera física. A curvatura do pênis, que pode ocorrer em qualquer direção, e o encurtamento do órgão são fatores que causam grande sofrimento. Em casos de deformidade acentuada, especialmente quando a curvatura supera os 30 graus, a penetração pode se tornar desconfortável, inviável ou até dolorosa para o parceiro.

“O impacto psicológico é bastante comum entre os pacientes com doença de Peyronie”, afirma Ricardo Ferro. A dor durante a ereção, presente em muitos casos, gera ansiedade e receio, transformando momentos íntimos em fontes de estresse. As mudanças na anatomia do pênis também podem abalar a autoimagem masculina, levando à redução da autoestima e, se não tratada, à depressão.

As fases da Doença de Peyronie: da dor à estabilização

A evolução da Doença de Peyronie geralmente é dividida em duas fases principais, cada uma com características e sintomas distintos que direcionam o tipo de tratamento:

  • Fase Aguda: Esta é a etapa inicial, marcada pela inflamação. Os principais sintomas são a dor, que pode ocorrer tanto durante a ereção quanto em repouso, e o início do entortamento ou encurvamento do pênis.
  • Fase Crônica: Nesta fase, a condição já está estabilizada. A dor geralmente diminui de forma drástica, mas a curvatura e a fibrose no tecido do órgão se tornam permanentes. Em situações mais graves, a intensidade da curvatura pode levar à dificuldade de ereção e, consequentemente, à impossibilidade de penetração.

Opções de tratamento e a cirurgia como alternativa

O tratamento para a Doença de Peyronie deve ser iniciado o mais cedo possível e é adaptado à fase da doença e à gravidade dos sintomas. No estágio agudo, os médicos podem indicar medicamentos para controlar a dor, tratamentos injetáveis e abordagens de tração para tentar preservar o comprimento do pênis e minimizar a deformidade.

O urologista Berthran Garcia comenta sobre o uso da vitamina E: “A vitamina E foi muito utilizada por sua ação antioxidante e pelo baixo risco de efeitos adversos. Entretanto, as evidências científicas atuais não demonstram benefício consistente da substância isoladamente na redução da placa ou na correção da curvatura, por isso seu uso deve ser discutido individualmente com o urologista”.

Quando a doença já está estabilizada ou a deformidade dificulta a relação sexual, a cirurgia torna-se a principal opção. Existem diversas técnicas, como a plicatura, incisão com enxerto e o procedimento mesh incision, embora apresentem resultados que podem ser limitados.

Uma técnica promissora, descrita em 2021, é a técnica auxética. O urologista Eduardo Bertero, especialista do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), em São Paulo, explica que o método utiliza um molde com perfurações em “estrela de três pontas”. Isso permite expandir o comprimento e a circunferência peniana, muitas vezes sem a necessidade de enxerto. Bertero destaca que a técnica “reduz a lacuna entre expectativa e resultado”, com relatos recorrentes de ganhos de até 1,5 cm no comprimento do pênis e boa satisfação na recuperação da vida sexual. Apesar do potencial, Bertero ressalta que a técnica auxética “é uma inovação ainda em consolidação” e carece de estudos mais amplos para se tornar o tratamento principal.

Perguntas Frequentes

O que causa a Doença de Peyronie?

A principal causa da Doença de Peyronie são os repetidos microtraumas ocorridos no pênis durante a relação sexual, especialmente em homens predispostos. Condições como diabetes, hipertensão e alterações do tecido conjuntivo também podem estar associadas ao seu surgimento.

Quais são os principais sintomas da Doença de Peyronie?

Os principais sintomas incluem dor durante a ereção ou em repouso, entortamento ou curvatura anormal do pênis, encurtamento do órgão e desenvolvimento de placas fibrosas sob a pele. Na fase crônica, a dor diminui, mas a curvatura se estabiliza.

A Doença de Peyronie tem cura?

Embora não haja uma “cura” simples para a Doença de Peyronie, existem tratamentos eficazes que podem aliviar os sintomas e corrigir as deformidades. Terapias medicamentosas, injetáveis e cirurgias, como a técnica auxética, buscam restaurar a função e a forma do pênis, melhorando a qualidade de vida do paciente.

A Doença de Peyronie pode afetar a vida sexual?

Sim, a Doença de Peyronie afeta significativamente a vida sexual. A curvatura e o encurtamento do pênis podem dificultar ou impossibilitar a penetração, e a dor durante a ereção pode causar ansiedade e receio, impactando a intimidade e a satisfação sexual.

Quando a cirurgia é indicada para a Doença de Peyronie?

A cirurgia é indicada quando a doença já está estabilizada na fase crônica, e a curvatura ou deformidade impede ou dificulta a relação sexual. Existem várias técnicas cirúrgicas que podem ser avaliadas pelo urologista, dependendo do caso específico do paciente.