MCs Doca e Bob Rum veem clássicos do funk embalarem corrida presidencial de 2026
A corrida presidencial de 2026 já começou a ditar seu ritmo, e a trilha sonora escolhida por alguns dos principais pré-candidatos surpreende ao resgatar sucessos do funk dos anos 1990. Dois hinos que marcaram gerações, o “Rap da Felicidade”, de Cidinho & Doca, e o “Rap do Silva”, de MC Bob Rum, ganham novas versões para embalar as campanhas de Augusto Cury e do presidente Lula, respectivamente.
Essa aposta coloca o funk, um gênero historicamente ligado às periferias e aos grandes centros urbanos, em uma posição central na comunicação política. Ao apostar em melodias já consagradas, os candidatos buscam uma conexão imediata e profunda com parcelas significativas do eleitorado brasileiro.
A estratégia não apenas utiliza a melodia, mas também conta com o engajamento dos próprios artistas, que veem na política uma nova forma de amplificar as mensagens que já ecoavam em suas músicas. Essa união entre arte e política é um dos pontos chave na busca por votos.
Clássicos do Funk e o Engajamento dos Artistas na Política
O pré-candidato Augusto Cury, filiado ao Avante, escolheu o “Rap da Felicidade” como base para seu jingle. A conexão é ainda mais forte com a presença de MC Doca, um dos intérpretes originais do hit de 1995, que agora é filiado ao Avante e apoia Cury ativamente.
Em uma declaração, MC Doca expressou a motivação por trás de seu apoio: “Lá atrás, quando cantei o Rap da Felicidade, a gente estava gritando por algo que a gente queria de verdade. Uma nova esperança. Agora, tenho a oportunidade de estar do lado de um candidato que pode mudar o Brasil. A gente vive em uma sociedade, que de 2018 para cá, foi dividida de uma maneira muito cruel. Nenhum candidato vai ser perfeito ou fazer tudo que precisamos, mas nós queremos paz.”
Já o presidente Lula (PT), buscando a reeleição, incorporou o “Rap do Silva”, imortalizado por MC Bob Rum em 1996, em sua campanha. O próprio artista celebrou a escolha da canção, enaltecendo o uso de sua obra em um contexto político tão relevante. “É-me dada a graça, imerecida e imensa, de ter minha obra ungindo a travessia do maior dos estadistas que esta Pátria já conheceu. Que toda gente se curve ante esta narrativa e nela encontre o espelho do que fomos, a chama do que somos, o horizonte do que havemos de ser”, afirmou o músico.
A Estratégia por Trás da Música Popular nas Campanhas
A utilização de músicas conhecidas em campanhas eleitorais não é uma novidade. No entanto, a escolha de clássicos do funk dos anos 1990 para 2026 é notável, pois recupera canções que já possuem uma forte identificação com públicos e territórios específicos. Essa tática busca acionar a memória afetiva do eleitorado.
O analista político Pedro Müller, consultor na Seta Public Affairs e formado em ciências políticas e história pela Universidade da Califórnia, explica a eficácia do gênero. “O funk oferece algo que outros gêneros populares nem sempre conseguem entregar da mesma maneira: identidade territorial, reconhecimento imediato e capacidade de transformar uma mensagem política em algo repetível. O candidato pega uma melodia conhecida, uma emoção previamente construída e uma música que o eleitor já sabe cantar, alterando apenas o suficiente para inserir seu nome e sua narrativa naquele espaço”, contextualiza Müller sobre o uso do funk na comunicação política.
Além do Funk: A Versatilidade Musical na Conquista de Eleitores
A estratégia de associar a música ao eleitorado não se restringe apenas ao funk. A diversidade cultural brasileira permite que outros gêneros também sejam explorados para atingir diferentes parcelas da população. Candidatos frequentemente adaptam suas mensagens para dialogar com distintos perfis de votantes.
Um exemplo disso é Flávio Bolsonaro (PL), que escolheu o sertanejo para o jingle oficial de sua campanha, aproximando sua comunicação de um gênero fortemente ligado ao interior do país e ao agronegócio. No entanto, o próprio Flávio também recorreu ao funk em suas redes sociais no início da campanha, divulgando um jingle autoral com coreografia e linguagem voltadas ao público jovem, mostrando a flexibilidade das estratégias musicais na eleição.
Impacto Regional: Funk e Sertanejo na Decisão do Sudeste
A combinação de gêneros musicais ilustra como a música é uma ferramenta poderosa para alcançar diferentes setores do eleitorado. Para Pedro Müller, a escolha entre sertanejo e funk carrega uma dimensão regional importante, que pode ser decisiva nos resultados eleitorais. A localização geográfica do público-alvo influencia diretamente a seleção musical.
“Embora o sertanejo seja o gênero mais ouvido do país, ainda carrega uma iconografia fortemente regional, ligada sobretudo ao interior e ao Centro-Oeste. O funk, por sua vez, conecta o candidato diretamente ao Sudeste, especialmente aos grandes centros urbanos, onde se concentra a maior parcela da população brasileira e uma parte central da produção cultural e simbólica do país. Muito provavelmente, como em 2022, o Sudeste vai decidir a eleição desse ano”, afirma o analista político sobre a influência regional da música na política.
Perguntas Frequentes
Quais funks clássicos estão sendo usados nas campanhas de 2026?
Os clássicos “Rap da Felicidade”, de Cidinho & Doca, e “Rap do Silva”, de MC Bob Rum, estão embalando as campanhas presidenciais de 2026.
Quem são os candidatos que apostam no funk para as eleições?
O presidente Lula (PT) utiliza o “Rap do Silva” em sua campanha de reeleição, enquanto Augusto Cury (Avante) escolheu o “Rap da Felicidade” como base de seu jingle.
Por que o funk é uma estratégia política eficiente, segundo especialistas?
De acordo com o analista Pedro Müller, o funk oferece identidade territorial, reconhecimento imediato e a capacidade de tornar mensagens políticas repetíveis, aproveitando a emoção já construída nas músicas e a conexão com a cultura urbana.
Quais regiões do Brasil o funk busca atingir nas campanhas eleitorais?
O funk é especialmente eficaz para conectar candidatos ao Sudeste, particularmente aos grandes centros urbanos, que concentram grande parte da população e da produção cultural do país, sendo uma região decisiva nas eleições.
Outros gêneros musicais também são usados em campanhas políticas?
Sim, além do funk, o sertanejo é amplamente utilizado, como visto na campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que associou o gênero ao interior e ao agronegócio, mostrando a diversidade estratégica na música eleitoral brasileira.
