A denúncia surge em meio a uma apuração do MPDFT sobre acusações de fraudes em psicografias da médium no Distrito Federal.

Uma idosa buscou a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para registrar uma queixa contra a médium Maira Rocha. A razão foi a transmissão ao vivo, realizada por Maira em uma rede social na última segunda-feira, 31 de agosto, onde a médium proferiu acusações falsas contra a mulher e sua família.

As ofensas teriam sido motivadas pela suspeita de Maira de que a idosa estaria envolvida em uma investigação jornalística recente. Essa apuração focou nos serviços de psicografia oferecidos pela médium e trouxe denúncias sobre as práticas da Casa de Caridade Inácio Daniel, em Águas Claras, onde Maira atua.

Durante a transmissão online, acompanhada por cerca de 100 pessoas, Maira Rocha acusou a idosa e suas irmãs de terem roubado a Casa de Caridade. O boletim de ocorrência foi formalizado como calúnia e será investigado pela 4ª Delegacia de Polícia (Guará).

Acusações de roubo em transmissão ao vivo geram inquérito na PCDF

As graves alegações de Maira Rocha contra a idosa e seus familiares foram feitas abertamente durante uma live nas redes sociais, alcançando um público considerável. A médium afirmou que a mulher e suas irmãs teriam subtraído bens ou valores da Casa de Caridade Inácio Daniel, instituição que ela lidera em Águas Claras.

A atitude de Maira é vista como uma reação à reportagem que detalhou as denúncias contra seus serviços de psicografia. Por suspeitar que a idosa era uma das fontes da matéria, a médium teria optado por atacar a mulher publicamente, resultando na denúncia formal à Polícia Civil. O caso já está sob os cuidados da 4ª DP (Guará).

Ministério Público já investiga médium Maira Rocha por supostas fraudes

Paralelamente à denúncia de calúnia, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) já havia instaurado uma notícia de fato para apurar a conduta de Maira Rocha, cujo nome completo é Maíra Alexandrina. A ouvidoria do órgão recebeu diversas manifestações com informações sobre supostos crimes atribuídos à médium.

A Promotoria de Justiça Criminal do MPDFT está analisando os casos, que incluem acusações de que Maira forjaria cartas psicografadas de pessoas falecidas. Dezenas de vítimas relatam ter sido enganadas, em um esquema que exploraria a vulnerabilidade emocional das famílias enlutadas.

Esquema de fraude em cartas psicografadas baseado em dados abertos

Uma investigação jornalística aprofundada revelou a complexidade do suposto esquema de fraude envolvendo Maira Rocha. As cartas psicografadas, que deveriam trazer mensagens do além, seriam, na verdade, produzidas a partir de informações obtidas em fontes abertas, como boletins de ocorrência e, principalmente, redes sociais das vítimas.

A médium, que possui uma grande base de seguidores — cerca de 759 mil no Instagram — é acusada de copiar trechos de perfis, inventar nomes, narrar fatos inexistentes e até citar espíritos de pessoas que ainda estavam vivas. Em um relato chocante, Maira teria sugerido que o espírito de um jovem falecido pedia que a poupança de R$ 300 mil feita pelos pais fosse doada ao seu centro.

A Federação Espírita do Distrito Federal (FEDF) alerta para que as pessoas desconfiem de serviços mediúnicos pagos ou que solicitem doações, publicidade ou curtidas, pois, segundo a orientação de Jesus, médiuns espíritas devem oferecer de graça o que de graça receberam.

Clima de medo e métodos controversos de Maira Rocha

As pessoas que procuraram a médium e se sentiram lesadas relatam um constante medo de represálias. Maira Rocha seria intolerante a questionamentos sobre seus métodos ou o conteúdo das mensagens psicografadas durante as sessões públicas.

A credibilidade do suposto dom mediúnico começou a ruir quando frequentadores notaram um padrão nos materiais recebidos. Detalhes minuciosos, como cores de roupas, acessórios, frases cotidianas ou até comentários antigos, apareciam nas cartas com fidelidade impressionante, não por mediunidade, mas por serem cópias diretas de postagens no Facebook e Instagram. Maira Rocha foi procurada para se manifestar sobre as acusações, mas não se pronunciou até o momento.

Perguntas Frequentes

O que é calúnia no contexto jurídico brasileiro?

Calúnia é a acusação falsa de um crime a alguém, sabendo que a pessoa é inocente. No caso da idosa, a médium Maira Rocha a acusou publicamente de roubo, caracterizando o crime de calúnia, que está sendo investigado pela PCDF.

Quem é Maira Rocha e qual instituição ela comanda?

Maira Rocha, também conhecida como Maíra Alexandrina, é uma médium com grande presença nas redes sociais. Ela é a fundadora e líder da Casa de Caridade Inácio Daniel, localizada na Área de Desenvolvimento Social (ADE) de Águas Claras, no Distrito Federal.

O que o Ministério Público do Distrito Federal está investigando?

O MPDFT abriu uma "notícia de fato" para investigar Maira Rocha por supostos crimes, após receber dezenas de denúncias. A principal acusação é a de que a médium estaria forjando cartas psicografadas, utilizando dados pessoais das vítimas obtidos em redes sociais e boletins de ocorrência.

Como identificar possíveis fraudes em atendimentos mediúnicos?

A Federação Espírita do Distrito Federal (FEDF) recomenda desconfiar de qualquer pessoa, site ou instituição que ofereça atendimento mediúnico com algum tipo de pagamento, curtida, publicidade ou doação. O espiritismo preconiza que o que é dado de graça deve ser recebido de graça, sem cobranças ou solicitações financeiras.