Mesmo com diretor-geral afastado pelo STF e reconduzido em 24h, Polícia Federal cumpriu mais de 80 mandados em 14 operações pelo país.

A Polícia Federal (PF) mobilizou o país com a realização de 14 operações distintas em diversas regiões do Brasil, no dia 9 de setembro de 2026. Essas ações ocorreram em um contexto de turbulência institucional, apenas um dia após o afastamento do então diretor-geral, Andrei Rodrigues, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão que removeu Rodrigues e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, foi proferida na manhã de 8 de setembro. Contudo, 24 horas depois, o ministro Flávio Dino reconduziu Andrei ao cargo, alegando um iminente risco de paralisação das atividades da PF.

Nesse período de indefinição no comando, a instituição manteve seu ritmo de trabalho, cumprindo mais de 80 mandados judiciais em todo o território nacional. As operações focaram em crimes como tráfico de drogas, corrupção, crimes eleitorais e lavagem de dinheiro, demonstrando a capacidade operacional da PF mesmo sob pressão.

Atuação em Meio à Crise de Comando da PF

A série de operações da Polícia Federal se desenrolou em um cenário de instabilidade no alto escalão da instituição. Após a decisão de Mendonça de afastar Andrei Rodrigues, 11 diretores da PF divulgaram uma nota em defesa do diretor-geral e chegaram a colocar seus cargos à disposição. Entretanto, nenhuma dessas destituições foi efetivada, e a estrutura de comando foi rapidamente restabelecida com a recondução de Rodrigues.

O diretor da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (DICOR), Dennis Cali, também ofereceu seu cargo após o afastamento inicial de Andrei Rodrigues. Mesmo com o comando interino em alguns setores, as investigações e ações planejadas prosseguiram, reforçando a imagem de uma Polícia Federal autônoma e em pleno funcionamento.

Destaque para Principais Operações da Polícia Federal

Entre as 14 operações realizadas, algumas se destacaram pelo escopo e pelos valores envolvidos. Em Campinas, a Operação Archimagus visou o tráfico de drogas, resultando no cumprimento de dois mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão. No Rio Grande do Norte, foram executados quatro mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão.

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), coordenada pela PF, participou ativamente de parte dessas ações. Na fronteira com o Uruguai, a Operação “Cold Trail” foi deflagrada para combater o câmbio paralelo, a remessa irregular de valores e a lavagem de dinheiro. Essa operação resultou em duas prisões temporárias, dez mandados de busca e apreensão, dez de busca pessoal, e o bloqueio judicial de R$ 254 milhões em bens e valores.

Além disso, a PF realizou ações de resgate de trabalhadores em condições análogas à escravidão e conduziu três operações focadas em crimes eleitorais em Roraima, Rondônia e Rio de Janeiro. Em Alagoas, a Operação Geração Espontânea investigou um esquema ilegal de concessão de pensões por morte do INSS, cumprindo 18 mandados de busca e apreensão.

Autonomia Institucional e o Conflito no STF

Após a recondução de Andrei Rodrigues, os superintendentes da PF emitiram um comunicado reforçando a importância da autonomia da instituição. Eles afirmaram que “divergências institucionais não devem afetar a independência e o regular funcionamento de uma instituição essencial” para a democracia. O documento enfatizou que a atuação da PF “não pode estar subordinada a interesses circunstanciais, tampouco ser constrangida por disputas ou narrativas de natureza político-eleitoral”.

Os superintendentes também alertaram que “qualquer tentativa de interferência externa que comprometa sua autonomia, deslegitime a atuação de seus dirigentes ou prejudique o regular desenvolvimento de suas atribuições institucionais deve ser firmemente repelida”. A decisão do ministro André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues foi justificada como uma medida para “garantir que integrantes do STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da PF exerçam suas atribuições sem constrangimentos ilegais”. Essa intervenção de Mendonça ocorreu logo após o ministro Alexandre Moraes divulgar relatórios apócrifos da PF com acusações contra ele.

Perguntas Frequentes

Por que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, foi afastado?

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, foi afastado pelo ministro André Mendonça, do STF, com o objetivo de garantir que membros do Supremo, o Advogado-Geral da União e servidores da PF pudessem atuar sem constrangimentos. A decisão veio após a divulgação de relatórios apócrifos da PF envolvendo acusações contra Mendonça feitas pelo ministro Alexandre Moraes.

Quem reconduziu Andrei Rodrigues ao cargo e qual foi o motivo?

O ministro Flávio Dino reconduziu Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da PF apenas 24 horas após seu afastamento. A justificativa para a rápida recondução foi o risco de paralisação das operações e do funcionamento da Polícia Federal.

Quantas operações a PF realizou durante o período de instabilidade?

A Polícia Federal realizou 14 operações em diversas regiões do Brasil no dia seguinte ao afastamento de seu diretor-geral, Andrei Rodrigues. Nesse período, os agentes cumpriram mais de 80 mandados judiciais em ações pelo país.

Quais foram os principais alvos das operações da Polícia Federal?

As operações da PF abrangeram diversos tipos de crimes, incluindo tráfico de drogas (como a Operação Archimagus em Campinas), câmbio paralelo, remessa irregular de valores e lavagem de dinheiro (Operação Cold Trail na fronteira com o Uruguai). Houve também ações contra crimes eleitorais em Roraima, Rondônia e Rio de Janeiro, esquemas ilegais de pensões do INSS (Operação Geração Espontânea em Alagoas) e resgate de trabalhadores em condições análogas à escravidão.