Aumento de roubos atinge áreas centrais e periféricas de São Paulo

Contrariando a tendência geral de queda na capital paulista, dezoito distritos policiais registraram um aumento significativo no número de roubos de celular durante o primeiro semestre de 2026. Os dados, compilados pela própria Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), revelam que, embora a cidade tenha experimentado uma redução de 14,8% no total de ocorrências, algumas regiões viram o crime contra o patrimônio crescer.

Os bairros afetados exibem duas características principais: muitos pertencem a áreas relativamente centrais e de maior poder aquisitivo, enquanto outros estão localizados na periferia da zona sul. No total, a cidade de São Paulo registrou mais de 26 mil roubos de celular no período analisado, uma diminuição em relação aos mais de 31 mil do primeiro semestre de 2025.

Essa disparidade acende um alerta para moradores e trabalhadores dessas localidades, que relatam uma crescente sensação de insegurança. A análise dos dados foi realizada seguindo a metodologia recomendada pela SSP, excluindo registros duplicados e considerando apenas os crimes ocorridos e notificados no ano em questão.

Distritos Policiais com maior alta em roubos de celular

Os números da SSP-SP apontam um aumento expressivo nos roubos de celular em várias delegacias, com destaque para a 102º DP Socorro, que lidera com uma alta de 41%. Em seguida, a 11º DP Santo Amaro teve um crescimento de 34%. Outras áreas com índices preocupantes incluem a 29º DP Vila Prudente com 19,5%, a 14º DP Pinheiros com 17,8% e a 96º DP Monções/Brooklin com 16,7%.

A lista completa dos distritos que tiveram aumento, com suas respectivas porcentagens, inclui também: 27º DP Campo Belo (10,6%), 15º DP Itaim Bibi (10%), 92º DP Pq. Santo Antônio (8,8%), 34º DP Morumbi (8,6%), 33º DP Pirituba (7,2%), 04º DP Consolação (6,6%), 05º DP Aclimação (6%), 78º DP Jardins (5,6%), 47º DP Capão Redondo (4,7%), 58º DP Vila Formosa (4,4%) e 98º DP Jardim Miriam (4,3%).

O medo nas ruas: relatos de vítimas em São Paulo

A percepção de insegurança é uma realidade para quem vive ou trabalha nas regiões onde os roubos de celular cresceram. Iraci Rodrigues de Jesus, uma cozinheira de 65 anos, compartilhou seu relato de uma tentativa de assalto nas proximidades do Largo 13 de Maio, área do 11º DP (Santo Amaro). “Vieram para cima de mim, perguntando sobre coisas para me distrair. Logo eu vi que não tinha nada a ver e saí fora”, conta Iraci, aliviada por ter escapado.

Para Iraci, a preocupação vai além do objeto perdido. “O problema é quando eles te enfiam a faca, canivete ou dão um tiro, porque a vida não tem retorno. O celular, você compra outro”, afirma. Na Vila Olímpia, a auxiliar de cozinha Íris Silva, de 28 anos, também enfrentou situações de perigo. Ela trabalha em um restaurante no shopping local e já escapou de assaltos em ruas que abrangem o 15º DP (Itaim Bibi) e o 96º DP (Monções/Brooklin).

Íris relata uma tentativa na Rua Fidêncio Ramos, onde gravava um áudio e percebeu a aproximação de um suspeito, correndo para um amigo e fazendo o ladrão desistir. Em outra ocasião, na Rua Gomes de Carvalho, um criminoso tentou pegar o celular do bolso de sua jaqueta sem sucesso. Hoje, a auxiliar de cozinha prefere guardar o aparelho na mochila, uma tática para "esconder ou jogar em algum lugar" se necessário.

Medidas da SSP-SP para combater roubos e furtos

A Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) ressalta que a comparação de indicadores criminais por rua, bairro ou distrito policial pode não ser precisa, pois cada localidade possui características populacionais, sazonais e geográficas distintas. A pasta afirma que essas particularidades impactam os indicadores e não oferecem a perspectiva real da segurança pública na cidade.

A SSP também destacou que intensificou o combate aos roubos e furtos de celulares na capital por meio de ações integradas de inteligência, investigação e policiamento ostensivo. “Entre as medidas adotadas, destacam-se operações específicas para combater roubos, especialmente na modalidade ‘quebra-vidro’, com ações direcionadas à prevenção de abordagens contra motoristas e ao reforço da segurança nas principais vias com ocorrências”, informou a pasta em nota oficial.

Segundo a Secretaria, durante o primeiro semestre de 2026, os roubos de celulares na capital paulista tiveram uma queda de 14,8% em comparação com o mesmo período de 2025. Os roubos e furtos em geral também apresentaram reduções de 12,6% e 2,3%, respectivamente. No mesmo intervalo, mais de 23 mil criminosos foram presos ou apreendidos na cidade de São Paulo, e 1.426 armas foram retiradas de circulação. Além disso, desde 2023, mais de 85,2 mil celulares foram recuperados em todo o estado, sendo que cerca de 50% já foram devolvidos aos seus proprietários.

Perguntas Frequentes

Quais bairros de SP tiveram aumento de roubos de celular em 2026?

Dezoito distritos policiais em São Paulo registraram aumento nos roubos de celular no primeiro semestre de 2026. Entre eles estão o 102º DP Socorro (41%), 11º DP Santo Amaro (34%), 29º DP Vila Prudente (19,5%), 14º DP Pinheiros (17,8%), 96º DP Monções/Brooklin (16,7%), 15º DP Itaim Bibi (10%) e 78º DP Jardins (5,6%).

A criminalidade de celular aumentou ou diminuiu em São Paulo em 2026?

No geral, os roubos de celular na capital paulista diminuíram 14,8% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, totalizando mais de 26 mil ocorrências. No entanto, 18 distritos policiais específicos registraram um aumento percentual significativo neste tipo de crime.

O que a Secretaria da Segurança Pública (SSP) de SP faz para combater roubos de celular?

A SSP-SP intensificou o enfrentamento aos roubos e furtos de celulares por meio de ações integradas de inteligência, investigação e policiamento ostensivo. Há operações específicas, como a “quebra-vidro”, focadas na prevenção de abordagens a motoristas e no reforço da segurança em vias com maior incidência de ocorrências. Desde 2023, mais de 85,2 mil celulares foram recuperados no estado, com cerca de 50% já devolvidos aos donos.