Especialistas alertam para riscos da baixa umidade do ar no Centro-Oeste e Sudeste, e ensinam a se prevenir de doenças respiratórias.

Com a chegada do outono e do inverno, entre os meses de maio e outubro, o Brasil se prepara para a temporada de seca, que afeta especialmente as regiões Centro-Oeste e Sudeste. Nessas localidades, a baixa umidade do ar transforma a rotina, exigindo medidas preventivas para preservar a saúde e o bem-estar da população.

A pneumologista Gilda Elizabeth, do Hospital Brasília, explica que o clima seco intensifica a perda de água das vias respiratórias e da pele. Além disso, favorece a concentração de poeira, poluentes e partículas de fumaça no ar, que podem ser prejudiciais.

Os riscos incluem o ressecamento das mucosas do nariz e da garganta, resultando em sintomas como tosse e irritação. A época também agrava quadros de doenças respiratórias preexistentes e exige cuidados redobrados com a hidratação, conforme apontam os especialistas.

Como a baixa umidade afeta seu corpo na seca

Durante a temporada de seca, a perda de umidade corporal se intensifica, impactando diretamente as vias aéreas. A Dra. Gilda Elizabeth aponta que os principais riscos são o ressecamento e a irritação das mucosas do nariz e da garganta, o que pode provocar tosse, pigarro, rouquidão, sensação de garganta seca e até sangramento nasal.

A pneumologista ressalta que o período seco pode agravar doenças como asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), rinite e outras condições respiratórias. A exposição à fumaça de queimadas, poluição e poeira também contribui para inflamações e piora dos sintomas em pessoas mais sensíveis.

O clínico geral Guilherme Miguel Hanna, da Clínica Vittá Goiânia, complementa que o ressecamento das mucosas afeta também os olhos, além de nariz e garganta. Sintomas como irritação, ardência, coriza e sensação de garganta seca se tornam mais comuns. Um problema grave é a desidratação, que, associada ao calor, pode causar dor de cabeça, tontura, fraqueza, boca seca e, em casos mais graves, alterações da pressão e do funcionamento dos rins.

Os grupos mais vulneráveis, segundo a Dra. Gilda, são crianças pequenas, idosos, pessoas com asma, DPOC, rinite ou outras doenças respiratórias, pacientes com doenças cardiovasculares e aqueles que trabalham ou praticam atividades físicas ao ar livre.

Hidratação e rotina: medidas para evitar os riscos da seca

Para mitigar os impactos da seca na saúde, a hidratação adequada é a principal recomendação. O Dr. Guilherme Miguel Hanna enfatiza a importância de beber água antes mesmo de sentir sede, distribuindo a ingestão de líquidos ao longo do dia, especialmente nas horas mais quentes.

Outras medidas preventivas incluem evitar atividades físicas intensas entre as 10h e 17h, além de evitar a exposição prolongada ao sol. Manter os ambientes domésticos e de trabalho limpos e arejados também é fundamental, conforme orienta a Dra. Gilda Elizabeth, para reduzir a concentração de poeira e poluentes.

A exposição a fumaças e à poluição deve ser minimizada. O Dr. Hanna faz um alerta importante: evitar queimadas e fumaça de cigarro é crucial, pois essa combinação pode intensificar a irritação das vias respiratórias. Além disso, a vacinação em dia contra influenza, Covid-19, pneumonia e vírus sincicial respiratório (VSR) é recomendada, conforme as indicações para cada público, para proteger o sistema imunológico.

Alívio e prevenção: estratégias com especialistas

Para aliviar os incômodos do período seco, os especialistas indicam estratégias práticas. No caso de olhos ressecados, o Dr. Guilherme Miguel Hanna sugere o uso de lágrimas artificiais, principalmente para quem passa muito tempo em ambientes com ar-condicionado.

O uso de umidificadores pode ser benéfico em ambientes com baixa umidade, mas o médico alerta para a necessidade de higienização adequada do aparelho. Essa limpeza previne a proliferação de fungos e bactérias, que poderiam agravar problemas respiratórios.

A Dra. Gilda Elizabeth destaca a lavagem nasal como uma das estratégias mais eficazes. A indicação é utilizar soro fisiológico a 0,9%, de duas a quatro vezes ao dia. Essa prática hidrata a mucosa, fluidifica as secreções, diminui a presença de alérgenos e melhora o funcionamento do sistema natural de limpeza do nariz, proporcionando alívio e proteção.

Perguntas Frequentes

Qual o período da seca no Brasil?

No Brasil, a temporada de seca geralmente ocorre entre os meses de maio e outubro, abrangendo o outono e o inverno, e afeta principalmente as regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Quais os principais sintomas causados pela seca?

Os sintomas mais comuns incluem ressecamento e irritação das mucosas do nariz, garganta e olhos, tosse, pigarro, rouquidão, sensação de garganta seca, sangramento nasal e desidratação, que pode gerar dor de cabeça e tontura.

Como proteger os olhos e o nariz da seca?

Para proteger os olhos, é recomendado usar lágrimas artificiais, especialmente em ambientes com ar-condicionado. Para o nariz, a lavagem com soro fisiológico a 0,9%, de duas a quatro vezes ao dia, é uma medida eficaz para hidratar e limpar as mucosas.

Umidificador de ar ajuda na seca?

Sim, umidificadores podem ser úteis para aumentar a umidade do ar em ambientes internos durante a seca. No entanto, é fundamental fazer a higienização adequada do aparelho para evitar a proliferação de fungos e bactérias.

Quem são as pessoas mais afetadas pela seca?

Crianças pequenas, idosos, pessoas com asma, DPOC, rinite ou outras doenças respiratórias, pacientes com doenças cardiovasculares e aqueles que trabalham ou praticam atividades físicas ao ar livre são os grupos mais vulneráveis aos efeitos da seca.