Maioria escolhe por propostas (61%), mas quase um terço dos eleitores prioriza barrar adversários, evidenciando a crescente polarização política no país.
Para as eleições presidenciais de 2026, trinta por cento dos eleitores brasileiros afirmam que seu principal motivo para escolher um candidato é, na verdade, evitar que outro postulante chegue ao poder. O dado foi revelado por uma pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21).
Embora a maioria (61%) ainda baseie seu voto em propostas e na percepção de preparo do candidato, a fatia significativa daqueles que votam para “barrar” um adversário sublinha a intensa polarização que define o cenário político nacional.
O levantamento, realizado entre os dias 18 e 19 de junho, entrevistou 2.058 pessoas em 128 municípios por todo o Brasil, com uma margem de erro máxima de dois pontos percentuais para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pela Folha e registrada no TSE sob o número BR-04496/2026.
A Lógica do Voto Contra nas Eleições de 2026
A estratégia de votar para impedir a ascensão de um oponente é um reflexo claro das divisões ideológicas que moldam a política brasileira. A pesquisa Datafolha detalha que, além dos 30% que optam pelo voto “anti”, outros 7% deram outras respostas para a pergunta estimulada e 2% não souberam opinar sobre o motivo de sua escolha.
Este comportamento do eleitorado sugere que, para uma parcela considerável, a eleição se tornou um embate de rejeição mútua, onde a prioridade não é necessariamente o apoio a uma plataforma, mas a contenção de um risco percebido ou a derrota de um adversário.
O Voto Anti entre Eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro
Analisando o comportamento eleitoral de figuras-chave, a pesquisa Datafolha oferece insights importantes. Entre os eleitores do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera as intenções de voto para 2026, 23% indicam que seu principal objetivo é derrotar outro candidato. Já 68% votam em Lula por considerá-lo o mais preparado e com as melhores propostas, enquanto 8% deram outras respostas e 1% não soube responder. A margem de erro para este segmento é de três pontos percentuais.
No espectro oposto, a taxa de quem vota para barrar um rival é ainda mais acentuada. No eleitorado de Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o índice sobe para 35%, com margem de erro de quatro pontos percentuais. Para este grupo, 56% afirmam que votam em Flávio por ele ser o mais preparado, 7% deram outras respostas e 2% não souberam.
Outros Nomes e a Estratégia do Voto Anti-Candidato
A lógica do voto para evitar a vitória de um adversário se manifesta de forma proeminente também entre outros pré-candidatos. Romeu Zema (Novo), atual governador de Minas Gerais, registra o maior índice numérico nesse quesito, com 37% de seus eleitores afirmando que votariam no mineiro com esse propósito. A margem de erro para a base de respostas de Zema, no entanto, é de 13 pontos percentuais.
Outros nomes da direita também veem essa motivação em seu eleitorado. Ronaldo Caiado (PSD), governador de Goiás e presidenciável, tem 31% de seus apoiadores buscando impedir a eleição de outro nome, com uma margem de erro de nove pontos. Por outro lado, o empresário Renan Santos (Missão) seria votado por esse motivo por 24% dos eleitores, com uma margem de erro de 12 pontos percentuais.
Cenário de Polarização e a Decisão do Eleitor
O panorama desenhado pela pesquisa Datafolha reforça a leitura de um cenário político profundamente polarizado. De um lado, o presidente Lula é visto por parte do eleitorado como o nome capaz de barrar um eventual retorno dos Bolsonaros ao poder, mesmo que por intermédio de Flávio, dado que o ex-presidente Jair Bolsonaro encontra-se inelegível e em prisão domiciliar por ter tentado um golpe de Estado.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro é posicionado por sua campanha como a principal alternativa para os eleitores que se opõem ao petista. Outros candidatos de direita, como Ronaldo Caiado, que se autodefine como “direita raiz” e tem histórico de enfrentamento à esquerda (fundador da UDR em 1985), também buscam se consolidar como opção viável para evitar a reeleição de Lula.
Apesar do contexto de grande disputa, 72% dos entrevistados declararam estar totalmente decididos em relação ao seu voto para presidente, enquanto 27% admitem que podem mudar de ideia. Apenas 1% não soube responder. Entre os eleitores de Lula, a convicção é maior, com 82% totalmente decididos, e entre os de Flávio Bolsonaro, o índice é de 78%.
Perguntas Frequentes
O que significa o "voto anti" nas eleições de 2026?
O "voto anti" se refere à escolha de um candidato não por suas propostas ou qualidades, mas com o objetivo principal de impedir que outro candidato específico seja eleito. A pesquisa Datafolha de junho de 2024 revelou que 30% dos eleitores brasileiros adotam essa estratégia para as eleições presidenciais de 2026.
Quantos eleitores votam por propostas, segundo o Datafolha?
De acordo com o Datafolha, 61% dos eleitores afirmam que votam em seu candidato escolhido por considerar que ele apresenta as melhores propostas e está mais preparado para o cargo de presidente em 2026. Este grupo forma a maioria do eleitorado.
Qual a margem de erro da pesquisa Datafolha sobre o voto em 2026?
A pesquisa Datafolha, que entrevistou 2.058 pessoas em junho de 2024, tem uma margem de erro máxima de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%. Para segmentos específicos de eleitores, como os de Lula ou Flávio Bolsonaro, as margens de erro podem ser maiores.
Como a polarização afeta o voto para presidente em 2026?
A polarização política impacta diretamente o voto, levando uma parcela significativa do eleitorado a escolher candidatos primariamente para barrar adversários. A pesquisa sugere que essa dinâmica é um reflexo da disputa entre o presidente Lula e os candidatos da direita, incluindo Flávio Bolsonaro, com eleitores de ambos os lados buscando evitar o retorno do grupo oposto ao poder.
