Fintech Celcoin unifica originação e captação de recursos com a Vert Capital, reforçando atuação em securitização, fundos e distribuição de títulos.

A Celcoin, uma das líderes em tecnologia e infraestrutura financeira no Brasil, anunciou nesta terça-feira, 1º de setembro, a aquisição da Vert Capital. Essa movimentação estratégica marca a entrada do grupo no dinâmico mercado de capitais, adicionando capacidades essenciais em securitização, administração fiduciária e gestão de fundos estruturados.

Esta é a oitava compra realizada pela Celcoin desde que a fintech recebeu um significativo aporte da gestora norte-americana Summit Partners, em 2024. O objetivo é ambicioso: reunir em um único grupo todas as etapas da cadeia de crédito, desde a originação e captação de recursos (funding) até a movimentação financeira, que antes eram dispersas entre diferentes empresas.

A aquisição da Vert Capital complementa a atuação já robusta da Celcoin, que estava concentrada na tecnologia para originar, formalizar e operacionalizar transações de crédito. Agora, a companhia se posiciona para oferecer uma solução ainda mais completa e integrada, prometendo inovar no cenário financeiro brasileiro.

Expansão Estratégica no Mercado Financeiro

Antes da aquisição da Vert, a Celcoin já demonstrava forte presença, atendendo clientes que originam mais de R$ 1 bilhão por mês em operações de crédito. Com a Vert Capital, a fintech soma competências valiosas como a estruturação de operações, a administração de fundos e a distribuição de títulos, expandindo significativamente seu alcance.

Marcelo França, diretor-executivo (CEO) e cofundador da Celcoin, destacou a importância da transação: “Construímos a Celcoin acreditando que a infraestrutura financeira precisava ser cada vez mais aberta, tecnológica e acessível”. Ele ressaltou que o negócio amplia as capacidades da empresa sem alterar o que já era eficiente em ambas as companhias.

Esta não é a primeira incursão da Celcoin no crédito estruturado este ano. Em fevereiro, a empresa já havia adquirido a Via Capital, uma Sociedade de Crédito Direto (SCD), regulada pelo Banco Central (BC) para conceder empréstimos com recursos próprios. Com a Vert, a Celcoin avança para a próxima etapa da cadeia, transformando carteiras de crédito em ativos negociados no mercado de capitais, movimento similar ao da QI Tech, que comprou a Singulare em 2023.

Investimento e Projeções Financeiras da Celcoin

Para impulsionar essa nova fase, a Celcoin anunciou um plano de investimento de R$ 500 milhões nos próximos três anos. Desse total, R$ 200 milhões serão destinados exclusivamente ao desenvolvimento de tecnologia, reforçando o compromisso da fintech com a inovação.

Com a integração da nova operação, a Celcoin projeta encerrar o ano com R$ 800 milhões de receita recorrente anual (ARR). A estratégia de reunir todas as etapas do crédito sob um mesmo teto visa não apenas a expansão, mas também a retenção de clientes, oferecendo uma experiência unificada e eficiente no mercado financeiro.

A Trajetória e o Portfólio da Vert Capital

A Vert Capital foi fundada há dez anos por Fernanda Mello, Victoria de Sá e Martha de Sá. Inicialmente, a securitizadora era focada no agronegócio, mas ao longo dos anos expandiu sua atuação para os setores imobiliário e de tecnologia, com um olhar atento para fintechs, até se consolidar como gestora e administradora de fundos.

Atualmente, a Vert Capital conta com mais de 240 colaboradores. Seus números impressionam: a empresa já emitiu mais de R$ 142 bilhões em operações e administra cerca de R$ 97 bilhões em ativos, distribuídos em mais de 490 operações, que incluem Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e debêntures.

Desde 2024, a Vert também opera como Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), frente que já soma mais de R$ 16 bilhões sob administração apenas em FIDCs. Vale ressaltar que a aquisição da securitizadora e da gestora de fundos está concluída, mas a compra da DTVM ainda aguarda a aprovação do Banco Central, um processo comum em operações que envolvem instituições financeiras reguladas.

Cenário Competitivo na Infraestrutura de Crédito

A aquisição da Vert pela Celcoin acontece em um período de intensa competição entre as empresas que fornecem infraestrutura para o setor financeiro. O mercado tem observado uma série de movimentos estratégicos visando a consolidação e a oferta de soluções mais integradas.

Em maio do ano passado, por exemplo, a Vórtx adquiriu a Grafeno para fortalecer suas soluções digitais para credores, após ter obtido a licença de SCD em 2023. Já a Dock, em um movimento futuro, adquiriu a DM SCD ainda em 2025. Com a Vert Capital, a Celcoin agora reúne em seu portfólio soluções para pagamentos, banking, crédito e, uma área totalmente nova para a companhia, o mercado de capitais.

Perguntas Frequentes

O que é a Vert Capital e qual seu papel no mercado?

A Vert Capital é uma das maiores empresas independentes de serviços para o mercado de crédito no Brasil. Ela é especializada em securitização, administração fiduciária e gestão de fundos estruturados, atuando nos setores do agronegócio, imobiliário e tecnologia.

Qual o valor do investimento da Celcoin após a aquisição da Vert?

A Celcoin anunciou um investimento de R$ 500 milhões nos próximos três anos, dos quais R$ 200 milhões serão especificamente destinados ao desenvolvimento de novas tecnologias.

Como a aquisição da Vert Capital impacta a Celcoin?

A aquisição permite à Celcoin unificar as etapas de originação, captação de recursos (funding) e movimentação financeira, expandindo sua atuação para o mercado de capitais e consolidando sua oferta de soluções em pagamentos, banking, crédito e mercado de capitais.

Qual a expectativa de receita da Celcoin com a nova operação?

Com a integração da Vert Capital, a Celcoin projeta alcançar uma receita recorrente anual (ARR) de R$ 800 milhões até o final do ano, consolidando sua posição no mercado.

Quem são os fundadores da Vert Capital?

A Vert Capital foi fundada há dez anos por Fernanda Mello, Victoria de Sá e Martha de Sá, inicialmente com foco em securitização para o agronegócio.