Com 11 feminicídios no Distrito Federal apenas no primeiro semestre de 2026, os candidatos ao governo do DF detalham seus planos para combater a violência de gênero na região.
Faltando menos de um mês para o primeiro turno das Eleições de 2026, a corrida pelo Governo do Distrito Federal (GDF) ganha contornos urgentes, especialmente na pauta do combate à violência contra a mulher. A questão tem gerado grande alerta na população, impulsionada por dados alarmantes divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF).
Segundo a SSP-DF, o primeiro semestre de 2026, entre janeiro e junho, registrou 11 casos de feminicídio na capital federal. Um dado preocupante é que, apesar de histórico de violência em boa parte dessas situações, apenas duas das vítimas possuíam medidas protetivas de urgência ativas no momento dos crimes, evidenciando lacunas no sistema de proteção.
Diante deste cenário crítico, os 11 candidatos que buscam ocupar o Palácio do Buriti apresentam em seus planos de governo diversas propostas destinadas ao enfrentamento da violência de gênero. O objetivo é fortalecer a segurança e o suporte às mulheres do Distrito Federal.
Propostas de Celina Leão (PP): Ampliação de Programas e Suporte Integral
A governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), foca na ampliação e integração de programas já existentes. Sua proposta inclui expandir a marca e a rede do Viva Flor, além de fortalecer iniciativas como o PROVID e o PRÓ-VÍTIMA. A ideia é estender o acolhimento especializado também aos filhos e dependentes das mulheres vítimas de violência.
Celina Leão também defende a expansão das ações de prevenção à violência e ao feminicídio. Isso inclui orientações nas comunidades e atividades educativas adequadas para diferentes faixas etárias, bem como o acompanhamento rigoroso de casos considerados de maior risco.
Outras medidas propostas pela candidata abrangem a criação de um programa de proteção e suporte econômico para chefes de famílias monoparentais. Este programa priorizaria o acesso a vagas em creches de horário integral, habitação popular e microcrédito. A candidata também quer fortalecer a rede de atenção integral à saúde da mulher e adaptar os serviços de suporte, acolhimento e proteção para atender mulheres com deficiência, idosas, moradoras de áreas rurais, em situação de rua ou privadas de liberdade.
Planos de José Roberto Arruda (PSD): Descentralização das DEAMs e Tecnologia
Mesmo com a candidatura barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), José Roberto Arruda (PSD) mantém sua campanha ativa e apresenta propostas significativas para a segurança das mulheres. Seu plano de governo visa descentralizar as Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (DEAMs), propondo a construção de três novas unidades com funcionamento 24 horas nas regiões de Planaltina, Samambaia e Santa Maria.
Arruda também pretende modernizar a Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). A proposta é integrar as medidas protetivas expedidas pelo Poder Judiciário a um sistema de monitoramento e alertas georreferenciados em tempo real. Em casos de descumprimento das medidas judiciais, o sistema permitiria que a vítima acionasse um alerta, e a viatura mais próxima seria despachada automaticamente.
Outras iniciativas incluem a construção de duas novas casas de abrigo de alta segurança e a expansão dos Centros Especializados de Atendimento à Mulher (CEAM) para todas as Regiões Administrativas (RAs) do DF. O candidato ainda busca promover a inserção das mulheres no mercado formal, com prioridade de acesso a creches e ensino infantil em tempo integral para dependentes, além da concessão de lotes urbanizados com Cheque Construção e Aluguel Social.
Leandro Grass (PT) e Paula Belmonte (PSDB): Pacto Contra o Feminicídio e Reconhecimento Facial
Os candidatos Leandro Grass (PT) e Paula Belmonte (PSDB) também trazem propostas robustas e inovadoras para o combate à violência de gênero no DF.
Leandro Grass (PT) propõe a criação de um pacto contra o feminicídio, envolvendo o GDF, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública e as polícias Civil e Militar. Este pacto prevê a classificação de risco em 100% das ocorrências, a concessão e fiscalização rápidas das medidas protetivas, o monitoramento eletrônico de agressores por tornozeleira com alerta automático à polícia e o acompanhamento das mulheres que já fizeram denúncias.
Grass também quer expandir o Viva Flor e a Patrulha Maria da Penha para todas as RAs, garantindo o funcionamento pleno da Casa da Mulher Brasileira, unidades regionais, DEAMs 24 horas, casas-abrigo e acompanhamento psicossocial e jurídico. Seu plano inclui ainda reuniões periódicas entre policiais, assistentes sociais, profissionais de saúde, habitação, Defensoria Pública e Judiciário para definir planos de segurança específicos para casos de risco extremo. A criação do Comitê Distrital de Revisão de Feminicídios, para analisar falhas na rede pública, e o acompanhamento psicológico, social e material para crianças e adolescentes que perderam suas mães em decorrência da violência de gênero são outras importantes iniciativas. O programa DF Delas: Cidade Segura para as Mulheres, com iluminação LED prioritária, desembarque de mulheres fora dos pontos oficiais no transporte noturno, protocolos contra importunação, botões de apoio e painel sobre percepção de insegurança, complementa suas propostas.
Já Paula Belmonte (PSDB) propõe a capacitação de equipes de Saúde da Família e agentes comunitários de saúde para reconhecer sinais de abuso e violência doméstica antes mesmo do registro de ocorrência. A candidata também defende a integração de prontuários e consultas de ginecologia, pré-natal e obstetrícia da rede pública à rede distrital de proteção à mulher.
Belmonte sugere a utilização de bancos de dados integrados, câmeras de segurança e reconhecimento facial para localizar agressores foragidos ou que estejam descumprindo limites de distância estabelecidos por medidas protetivas. Outra proposta é vincular as políticas de proteção ao acesso a emprego, qualificação, empreendedorismo e geração de renda, visando ampliar a independência financeira das vítimas.
Professora Samara Mineiro (UP): Atendimento Multiprofissional 24h
A Professora Samara Mineiro (UP) apresenta em seu plano a proposta de atendimento multiprofissional 24 horas, com assistência médica, social, psicológica e jurídica em localidades estratégicas e periféricas do DF. Ela também defende a expansão das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs).
Além disso, a candidata propõe o acesso desburocratizado a métodos contraceptivos e a realização segura do aborto legal nos casos já previstos em lei.
Perguntas Frequentes
Quantos feminicídios foram registrados no DF no primeiro semestre de 2026?
O Distrito Federal registrou 11 casos de feminicídio no primeiro semestre de 2026, entre janeiro e junho, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF).
Quais são as principais propostas de Celina Leão (PP) para proteger mulheres no GDF?
Celina Leão (PP) propõe ampliar o Viva Flor, fortalecer PROVID e PRÓ-VÍTIMA (incluindo dependentes), intensificar a prevenção e criar um programa de suporte econômico para chefes de famílias monoparentais, com acesso prioritário a creches e habitação.
O que José Roberto Arruda (PSD) propõe para as Delegacias da Mulher no DF?
José Roberto Arruda (PSD) propõe descentralizar as DEAMs, construindo três novas unidades 24 horas em Planaltina, Samambaia e Santa Maria, além de modernizar a Patrulha Maria da Penha com monitoramento georreferenciado e alertas automáticos.
Como Leandro Grass (PT) planeja combater o feminicídio no Distrito Federal?
Leandro Grass (PT) visa criar um pacto contra o feminicídio com diversas instituições, garantir classificação de risco em 100% das ocorrências, monitoramento eletrônico de agressores, expandir a Patrulha Maria da Penha e o Viva Flor, e instituir um Comitê Distrital de Revisão de Feminicídios.
Quais outras candidatas apresentaram propostas para a segurança das mulheres no DF?
Paula Belmonte (PSDB) propõe capacitar equipes de saúde para reconhecer sinais de violência e usar tecnologia como reconhecimento facial para agressores. Professora Samara Mineiro (UP) defende atendimento multiprofissional 24h em áreas periféricas, expansão das DEAMs e acesso desburocratizado a métodos contraceptivos e aborto legal nos casos previstos.
