Alta do IPCA-15 reverte deflação de agosto e é impulsionada principalmente pela energia elétrica, que subiu 7,42% após o fim do bônus de Itaipu.
O Brasil registrou uma aceleração significativa da inflação em setembro, com a prévia do índice oficial atingindo 0,70%. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgados nesta sexta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Este resultado representa uma inversão completa do cenário de deflação (inflação negativa) de agosto, que havia sido de -0,40%. A alta de 0,70% em setembro de 2026 é a maior taxa mensal observada desde abril do mesmo ano, quando o indicador marcou 0,89%.
O principal motor dessa elevação, já esperada por analistas do mercado e pelo próprio IBGE, foi o reajuste nas contas de energia elétrica. Esse aumento está diretamente ligado ao fim do desconto proporcionado pelo bônus de Itaipu, benefício que havia reduzido o valor da tarifa no mês anterior.
Energia Elétrica Puxa a Alta da Inflação em Setembro
O grupo de Habitação foi o que mais pressionou a inflação em setembro, apresentando uma alta de 2,07% e contribuindo com 0,31 ponto percentual para o índice geral. Dentro deste grupo, a energia elétrica residencial foi o item de maior impacto individual, com um aumento expressivo de 7,42%.
Para entender o salto, é preciso lembrar que em agosto os consumidores foram beneficiados por uma queda de 6,25% na conta de luz. Isso ocorreu graças à distribuição do saldo positivo da conta de comercialização da usina hidrelétrica de Itaipu, que se tornou um crédito nas faturas.
Em setembro, sem a continuidade desse bônus, a tarifa “normal” foi comparada a um patamar mais baixo do mês anterior, resultando em um forte aumento percentual. Essa dinâmica entre os meses de agosto e setembro já estava no radar dos economistas.
Outros Itens que Contribuíram para o Aumento dos Preços
Além da Habitação, outros grupos também contribuíram para a escalada da inflação. O segmento de Transportes registrou alta de 0,60%, influenciado principalmente pelas passagens aéreas, que encareceram 9,82%. Os combustíveis, por sua vez, ficaram 0,22% mais caros.
A Alimentação e bebidas também viu seus preços subirem 0,40% no mês, especialmente a alimentação consumida no domicílio, que teve alta de 0,38% após uma deflação de -0,97% em agosto. Entre as quedas de destaque neste setor, o feijão carioca ficou 6,33% mais barato para o consumidor.
Outros grupos com elevação foram Despesas pessoais (0,96%), Artigos de residência (0,55%), Comunicação (0,54%), Vestuário (0,41%) e Saúde e cuidados pessoais (0,13%), embora com menor impacto no índice geral.
IPCA-15: Acumulado e Comparação com a Inflação Oficial
Com o resultado de 0,70% em setembro, o IPCA-15 acumula 4,47% nos últimos 12 meses, uma elevação em relação aos 4,24% registrados em agosto. No acumulado de 2026, o índice atinge 3,82%. Para setembro de 2025, a prévia da inflação havia sido de 0,48%.
O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial do Brasil, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Ambos os índices são calculados pelo IBGE e têm uma metodologia similar, servindo de base para a política de meta de inflação do governo, que visa 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
As principais diferenças entre eles residem no período de coleta dos preços (15 de agosto a 15 de setembro para a prévia de setembro) e na abrangência geográfica. O IPCA-15 coleta preços em 11 localidades do país para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos, enquanto o IPCA abrange 16 localidades.
Próximos Passos e Expectativas do Mercado Financeiro
A expectativa agora se volta para a divulgação do IPCA completo de setembro, que será apresentado pelo IBGE em 9 de outubro. Este índice trará os dados definitivos da inflação oficial do mês, com uma coleta de preços que abrange todo o período de setembro.
Antes da divulgação da prévia, o mercado financeiro já monitorava o cenário. O Boletim Focus, pesquisa do Banco Central (BC) com instituições do setor, sinalizava que a expectativa para a inflação de setembro era de 0,52%. O resultado efetivo de 0,70% ficou, portanto, acima do esperado pelos analistas.
Perguntas Frequentes
O que é o IPCA-15 divulgado pelo IBGE?
O IPCA-15, ou Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, é uma prévia da inflação oficial do Brasil, calculada mensalmente pelo IBGE. Ele mede a variação de preços de produtos e serviços para famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos, com coleta de dados feita do dia 15 do mês anterior até o dia 15 do mês de referência.
Por que a inflação de setembro subiu tanto em relação a agosto?
A inflação de setembro subiu para 0,70% após uma deflação de -0,40% em agosto, principalmente devido ao fim do bônus de Itaipu. Esse benefício havia reduzido a conta de energia elétrica em agosto, e sua ausência em setembro resultou em um aumento significativo nas tarifas residenciais.
O que foi o bônus de Itaipu na conta de luz?
O bônus de Itaipu foi um crédito concedido nas contas de energia elétrica, especialmente em agosto, decorrente da distribuição do saldo positivo da conta de comercialização da hidrelétrica estatal. Ele funcionou como um desconto temporário para os consumidores brasileiros, resultando em contas de luz mais baixas naquele mês.
Quais itens mais contribuíram para a alta da inflação em setembro?
O principal item foi a energia elétrica residencial, que subiu 7,42% e puxou o grupo Habitação, contribuindo com 0,29 ponto percentual. As passagens aéreas, com alta de 9,82%, também exerceram forte pressão no grupo Transportes, enquanto a alimentação no domicílio também registrou elevação.
