Especialistas alertam que infecções sexualmente transmissíveis podem ser assintomáticas por anos, exigindo cuidado contínuo e diálogo franco entre parceiros.

Relacionamentos amorosos evoluem, mas um pilar permanece inabalável: a saúde sexual. Tradicionalmente, muitos associam a testagem de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) apenas a casos de múltiplos parceiros ou novas aventuras. No entanto, especialistas reforçam que a prevenção vai muito além.

Mesmo casais em relacionamentos estáveis e monogâmicos devem manter uma rotina de exames periódicos e adotar práticas de sexo seguro. A médica infectologista Sheila Paiva, do Hospital Mater Dei Goiânia, enfatiza que essa medida é crucial, especialmente no início de uma nova relação.

A testagem não sugere desconfiança ou infidelidade, mas sim um compromisso mútuo com o bem-estar. Infecções adquiridas antes do relacionamento podem permanecer latentes por anos, tornando o cuidado preventivo uma responsabilidade compartilhada pelo casal.

Por que a testagem de ISTs é essencial em relações estáveis?

O principal motivo para a testagem contínua reside na natureza silenciosa de muitas ISTs. Algumas infecções podem residir no organismo sem manifestar qualquer sintoma por um longo período, dificultando a detecção sem exames específicos.

A infectologista Sheila Paiva, do Hospital Mater Dei Goiânia, esclarece: “Estar em um relacionamento estável ou monogâmico não elimina a possibilidade de ter ISTs, pois algumas infecções podem permanecer no organismo sem provocar sintomas”. Essa invisibilidade torna a testagem preventiva ainda mais vital para a saúde do casal.

O infectologista José Cerbino Neto, pesquisador do IDOR (Instituto D’Or) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), complementa, explicando que vírus como o HPV (papilomavírus humano), o HIV ou o herpes podem levar meses e até anos para se manifestar. “Se a pessoa não foi testada ou não está apresentando sintomas no momento em que ocorre o início do relacionamento, essas infecções podem se manifestar tempos depois”, alerta.

Quando fazer exames de ISTs e quais são os recomendados?

A importância da testagem se estende a diferentes fases do relacionamento, mas é especialmente recomendada antes de se iniciar uma nova parceria. Essa proatividade assegura que ambos os indivíduos estejam cientes de sua saúde sexual e possam tomar decisões informadas.

Sheila Paiva indica uma lista de exames essenciais: “Entre os exames que podem ser indicados estão os testes para HIV, sífilis e hepatites B e C, além da investigação de gonorreia e clamídia”. A vacinação contra o HPV é mencionada como uma estratégia preventiva fundamental, pois protege contra os tipos mais associados ao câncer.

Além da rotina, a presença de sintomas específicos exige atenção imediata. Feridas, verrugas, corrimento, dor ou ardência ao urinar são sinais que devem levar o casal a buscar avaliação médica e testagem conjunta. Infecções comuns como HPV, sífilis, herpes, HIV, gonorreia, clamídia, tricomoníase e hepatites B e C são algumas das que podem ser detectadas e tratadas.

Pilares da saúde sexual em qualquer tipo de relacionamento

Para além dos exames, a construção de uma saúde sexual robusta em qualquer tipo de relacionamento se apoia em pilares fundamentais, que vão desde o diálogo até a prevenção ativa.

A comunicação aberta é o primeiro passo: um diálogo sincero sobre histórico de testagem, saúde sexual e prevenção, livre de julgamentos, fortalece a confiança mútua. O uso de preservativos (externo ou interno) continua sendo a principal barreira contra a transmissão, especialmente quando o status do parceiro é desconhecido.

Manter a carteira de vacinação atualizada, com destaque para as vacinas contra HPV e hepatite B, é outra medida preventiva crucial. Em caso de diagnóstico de uma IST, o tratamento em conjunto é essencial para evitar a reinfecção e interromper a cadeia de transmissão.

Desmistificando a transmissão de ISTs no dia a dia

Muitas dúvidas cercam a forma como as ISTs são transmitidas, levando à proliferação de mitos que podem gerar medo e desinformação. É importante esclarecer essas questões para uma prevenção eficaz e uma vida sexual segura.

O infectologista José Cerbino Neto desmente algumas crenças comuns, afirmando que a maioria das ISTs não é transmitida por meio de vias não sexuais no cotidiano. “Não são reconhecidos como mecanismos de transmissão o uso de vasos sanitários, o compartilhamento de copos e talheres ou o ato de cumprimentar alguém”, explica.

Por outro lado, a transmissão é possível através do compartilhamento de itens perfurocortantes, como agulhas. O contato direto da pele e mucosas com lesões ou secreções infecciosas também é uma via. Além disso, a transmissão vertical, da gestante para o bebê durante a gestação, parto ou amamentação, é uma forma importante de contaminação a ser prevenida.

Perguntas Frequentes

Quais ISTs devo testar regularmente, mesmo em um relacionamento fechado?

Especialistas recomendam exames para HIV, sífilis, hepatites B e C, gonorreia e clamídia. A vacinação contra HPV e hepatite B também é crucial para a prevenção da saúde sexual.

A testagem em um relacionamento estável implica desconfiança no parceiro?

Não. A testagem periódica é uma atitude de cuidado e responsabilidade com a própria saúde e a do parceiro, visto que muitas ISTs podem ser assintomáticas por longos períodos ou terem sido adquiridas antes da relação.

Quais são os sinais de alerta para procurar um médico para testagem de ISTs?

Fique atento a feridas, verrugas, corrimento incomum, dor ou ardência ao urinar. Diante desses sintomas, é fundamental buscar atendimento médico e fazer os exames necessários, preferencialmente com o parceiro para avaliação conjunta.

Como posso me proteger de ISTs além da testagem regular?

Além da testagem, a proteção inclui comunicação aberta com o parceiro, o uso consistente de preservativos (externos ou internos) e a manutenção da carteira de vacinação atualizada, especialmente para HPV e hepatite B.