Casos envolvendo a Polícia Militar e Civil disparam no Distrito Federal, acendendo alerta para a conduta das forças de segurança após condenação de agente.

O Distrito Federal registra um aumento alarmante nas denúncias de abuso de autoridade e abordagem violenta envolvendo as Polícias Civil (PCDF) e Militar (PMDF) em 2026. Os números, que chegam a quase dobrar em algumas categorias em comparação com o ano anterior, ligam um sinal de alerta sobre a atuação das forças de segurança na capital federal.

Este crescimento de reclamações e denúncias vem à tona após a condenação do policial civil Gustavo Gonçalves Suppa. Ele foi sentenciado por agredir o publicitário Diego Torres durante uma abordagem truculenta na Asa Norte, em julho do ano passado, trazendo o debate sobre a conduta policial para o centro das discussões.

Os dados do painel da Ouvidoria do GDF revelam uma tendência preocupante, indicando que a população tem buscado mais os canais oficiais para registrar desvios de conduta, como o uso desproporcional da força e outras infrações que ferem a dignidade dos cidadãos.

Crescimento das Denúncias Contra Policiais no DF

As estatísticas da Ouvidoria do GDF mostram um salto nos registros. Para a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), as queixas de abordagem violenta, que eram zero em 2025, subiram para duas reclamações em 2026. Já os casos de abuso de autoridade contra a PCDF passaram de dez (seis denúncias e quatro reclamações) em 2025 para doze registros (cinco denúncias e sete reclamações) neste ano.

A situação é ainda mais crítica para a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). As denúncias e reclamações de abordagem violenta saltaram de nove (cinco denúncias e quatro reclamações) em 2025 para vinte e dois registros (dez denúncias e doze reclamações) em 2026. Isso representa um aumento de mais de 140% em um ano.

Em relação ao abuso de autoridade, a PMDF viu um crescimento de vinte e cinco (quinze denúncias e dez reclamações) em 2025 para quarenta registros (vinte e três denúncias e dezessete reclamações) em 2026. Os números acentuam a necessidade de revisão de procedimentos e maior fiscalização.

Casos Emblemáticos de Violência Policial

A escalada nos números se reflete em ocorrências noticiadas. Em 2 de agosto, na Estrutural, um policial penal acusou a PMDF de truculência em abordagem durante uma festa com som alto. Em 20 de julho, moradores de Planaltina denunciaram agressão militar por perturbação do sossego.

Outros episódios incluem um militar do Batalhão de Policiamento Escolar (PMDF/BPEsc) acusado de agredir uma adolescente em Ceilândia, em 22 de maio. Em 3 de maio, em São Sebastião, uma mulher relatou ter sofrido violência por parte de um militar, ao ter sido arrastada pelos cabelos e derrubada no chão antes de ser algemada.

A lista segue com um jovem de 19 anos que levou socos e chutes, mesmo sem resistência aparente, durante uma abordagem da PMDF, em 24 de março, em Planaltina. E, em um caso de grande repercussão, o deputado distrital Fábio Felix foi atingido por jatos de spray de pimenta na Asa Sul durante o Carnaval, em 16 de fevereiro.

O Que Dizem os Especialistas e as Forças de Segurança

Para Leonardo Sant’Anna, especialista em segurança pública, a legitimidade da abordagem policial reside na estrita observância da finalidade legal, no respeito à dignidade da pessoa humana e na aplicação de medidas proporcionais ao risco. Ele enfatiza que a violência ilegítima se manifesta por humilhações, discriminações ou uso desproporcional da força, contrariando os manuais de instrução.

Sant’Anna argumenta que o Procedimento Operacional Padrão (POP) não deve ser um documento sigiloso, mas sim uma normativa pública. Ele destaca que a transparência é crucial para que a comunidade compreenda os limites do poder estatal e saiba como agir diante de uma abordagem policial, garantindo os direitos humanos do cidadão.

A Polícia Civil, em nota, informou que todas as manifestações sobre as ações de seus agentes são “analisadas e devidamente apuradas”. A corporação salientou que o número de reclamações, por si só, não configura irregularidade. A Polícia Militar também reforçou a importância dos canais de denúncia, afirmando que todas as queixas são apuradas e, se irregularidades forem constatadas, medidas cabíveis são implementadas. Ambas as polícias ressaltam que o registro não é prova de abuso, mas sim um ponto de partida para a investigação.

Perguntas Frequentes

O que fazer em caso de abordagem violenta no DF?

Caso seja vítima ou testemunhe uma abordagem violenta ou abuso de autoridade por policiais no DF, é fundamental registrar uma denúncia nos canais da Ouvidoria do GDF ou nas próprias ouvidorias das corporações (PCDF e PMDF). Documente o ocorrido com o máximo de detalhes, incluindo local, data, hora e características dos envolvidos.

Quais são os direitos do cidadão em uma abordagem policial?

O cidadão tem direito a ser tratado com respeito, ter sua dignidade preservada e, sempre que a segurança permitir, ser informado sobre o motivo da intervenção policial. O uso da força deve ser proporcional e adequado ao risco, e qualquer conduta que configure humilhação ou discriminação é considerada abuso de autoridade.

Os números de abuso policial no DF realmente aumentaram?

Sim, os dados da Ouvidoria do GDF indicam um aumento considerável nas denúncias e reclamações de abuso de autoridade e abordagem violenta no Distrito Federal em 2026, comparado a 2025. A Polícia Militar, em particular, registrou um salto significativo, com os casos de abordagem violenta mais que duplicando.

Como o Procedimento Operacional Padrão (POP) influencia a ação policial?

O Procedimento Operacional Padrão (POP) estabelece as diretrizes e os limites para a atuação policial. Embora detalhes táticos sensíveis devam ser preservados, os princípios de respeito aos direitos humanos e a publicidade dos procedimentos básicos são essenciais para garantir a transparência e evitar que a ação policial seja interpretada como arbitrária.