A entrada do Bradesco BBI, ao comprar a fatia da Mover na Motiva, é o ponto central para a continuidade do acordo de acionistas que rege a companhia.
Três dos quatro principais acionistas do bloco de controle da Motiva – Votorantim, Itaúsa e Grupo Soares Penido – sinalizaram oficialmente o interesse em renovar o acordo de acionistas da empresa. O pacto atual, que define as regras de governança e controle da Motiva, tem validade até 1º de fevereiro de 2027.
A notificação foi enviada ao Grupo Mover (antiga Camargo Corrêa), o quarto integrante do bloco, que recentemente firmou um contrato vinculante para vender sua participação total na Motiva ao Bradesco BBI. Essa movimentação insere um novo e crucial jogador na dinâmica do acordo.
A intenção de renovação, apesar de ser uma formalidade prevista, abre um debate sobre a futura composição e as obrigações dos acionistas. A grande questão agora é se o Bradesco BBI, como novo proprietário da fatia da Mover, irá aderir ao pacto e sob quais condições.
Entenda o Acordo de Acionistas da Motiva e o Prazo de Renovação
O acordo de acionistas da Motiva estabelece um rito específico para sua renovação. Qualquer signatário que deseje manter o pacto precisa notificar os demais com pelo menos 180 dias de antecedência em relação ao seu vencimento. O prazo final para essa comunicação, neste ciclo, termina em 5 de agosto.
A notificação atual de Votorantim, Itaúsa e Soares Penido serve para manter a opção de renovação em aberto, mas não configura uma decisão definitiva. O documento prevê que nenhum acionista é obrigado a renovar. A escolha final dependerá de quem estiver na posição de acionista da Mover quando a renovação for efetivamente assinada: a própria Mover ou, mais provavelmente, o Bradesco BBI.
A Compra da Participação da Mover pelo Bradesco BBI
O Grupo Mover, que está em recuperação judicial desde dezembro de 2024, assinou em 28 de julho um contrato vinculante para vender sua fatia de 14,86% na Motiva ao Bradesco BBI. O negócio, avaliado em mais de R$ 4 bilhões, tem um objetivo estratégico importante para a Mover.
A expectativa é que a venda permita à holding da família Camargo quitar mais de R$ 3,1 bilhões em debêntures detidas pelo próprio Bradesco BBI. Votorantim, Itaúsa e Soares Penido já haviam decidido não exercer o direito de preferência sobre essas ações, o que abriu caminho para a entrada do Bradesco BBI no capital da companhia.
O Futuro da Governança da Motiva com a Chegada do Bradesco
A participação da Mover na Motiva é dividida: 10% das ações estão vinculadas ao acordo de acionistas, o equivalente a 202 milhões de ações, mesma fatia que Votorantim, Itaúsa e Soares Penido possuem atrelada ao pacto. Os 4,86% restantes são ações livres, fora do acordo.
Com a entrada do Bradesco BBI, ainda não há clareza se o banco manterá essa divisão ou se decidirá aderir ao acordo de acionistas. A adesão não é automática: o próprio pacto prevê que os demais acionistas podem se opor à entrada de um novo signatário, por maioria de votos e com justificativas fundamentadas.
Caso o Bradesco BBI opte por não aderir, ele teria um caminho mais direto para vender suas ações no mercado, sem precisar oferecê-las primeiramente ao bloco de controle. Se aderir, a revenda das ações vinculadas ficaria condicionada ao direito de preferência dos demais sócios, repetindo o rito da saída da Mover. A decisão do Bradesco é, portanto, o fator decisivo para a continuidade do modelo de governança da Motiva.
Perguntas Frequentes
O que é o acordo de acionistas da Motiva?
O acordo de acionistas da Motiva é um contrato que define as regras de governança, direitos e obrigações entre os principais sócios do bloco de controle da empresa, válido até 1º de fevereiro de 2027.
Qual o papel do Bradesco BBI na Motiva?
O Bradesco BBI está entrando na Motiva como acionista após comprar a participação de 14,86% do Grupo Mover, um negócio de mais de R$ 4 bilhões que visa também quitar dívidas da Mover com o banco.
O que acontece se o Bradesco não aderir ao acordo?
Caso o Bradesco BBI não adira ao acordo de acionistas, ele não terá as obrigações do pacto e poderá vender as ações de forma mais direta no mercado, sem precisar oferecê-las aos outros acionistas do bloco de controle.
Por que Mover está vendendo sua participação na Motiva?
O Grupo Mover, que está em recuperação judicial desde dezembro de 2024, está vendendo sua participação na Motiva para o Bradesco BBI, principalmente para quitar mais de R$ 3,1 bilhões em debêntures que o próprio banco detém contra a holding.
