Avaliação global do PISA aponta que notas em leitura, matemática e ciências despencaram para o menor patamar desde 2000, com tempo excessivo de tela como principal vilão.
Jovens de 15 anos em todo o mundo estão lendo menos e com menor compreensão, marcando os piores índices deste século. Os dados preocupantes vêm da última edição do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgados nesta terça-feira.
O estudo, que avaliou 760 mil jovens de 15 anos em 91 países, mostrou que as notas em leitura, matemática e ciências atingiram seus níveis mais baixos desde o início da coleta de dados em 2000. Essa queda significativa tem um impacto direto e preocupante na educação global.
Em média, o nível de leitura dos adolescentes hoje corresponde ao que se esperava de estudantes um ano mais novos no passado. Este declínio é um alerta sobre os hábitos de aprendizado e o uso da tecnologia pelos jovens.
O Impacto das Telas no Desempenho em Leitura
O tempo excessivo dedicado a dispositivos digitais e a diminuição da leitura por prazer são apontados como fatores-chave para a queda no desempenho. O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, destacou a relação direta entre o uso de telas e os resultados insatisfatórios.
De acordo com Cormann, os alunos estão adotando uma leitura mais apressada. Eles “percorrem um texto às pressas e dão respostas erradas rapidamente”, sem aprofundar a compreensão do conteúdo. Essa superficialidade compromete o desenvolvimento de habilidades essenciais.
A pontuação máxima em leitura no Pisa, que era de 501 em 2012, despencou para 466 no ano passado. Curiosamente, a queda foi ainda mais acentuada entre estudantes de origens mais abastadas, indicando que o problema transcende as questões socioeconômicas.
Declínio Abrangente: Matemática e Ciências Também em Queda
O impacto não se restringe à leitura. Prejudicadas pelos padrões de leitura em declínio, as habilidades em ciências e matemática também registraram seus menores níveis neste século. É um sinal de que a dificuldade na compreensão textual afeta todas as áreas do conhecimento.
A pontuação em ciências caiu de um pico de 506 em 2009 para 486. Já em matemática, a queda foi de 502 para 469 no mesmo período. Esses números reforçam a interconexão das habilidades de aprendizado e a importância da leitura como base.
A distração digital nas salas de aula é um problema crescente. O relatório não chega a endossar a proibição de smartphones nas escolas, mas revelou que a distração por dispositivos está associada a notas mais baixas em ciências em 59 dos 82 sistemas educacionais analisados. Mais de um em cada quatro alunos afirma que os aparelhos distraem os colegas.
Uso de Inteligência Artificial e Tempo de Tela Diário
Os estudantes dos países-membros da OCDE relatam passar, em média, 3,4 horas por dia útil em dispositivos digitais para lazer. Além disso, dedicam mais três horas diárias em sala de aula e em casa para fins de aprendizagem.
Mathias Cormann alertou que, embora os dispositivos digitais possam melhorar a aprendizagem até certo ponto, o uso excessivo é prejudicial. Ele explicou que se utilizados por mais de cinco horas por dia, os resultados dos alunos começam a cair drasticamente.
O estudo também abordou o uso de inteligência artificial (IA). Quase metade dos estudantes utiliza chatbots regularmente para aprender. No entanto, aqueles que empregam essas ferramentas para redigir redações, resumir textos ou pesquisar temas obtêm notas cerca de 20 pontos mais baixas em ciências, o que equivale a um ano de aprendizado perdido.
Desempenho Global e Recomendações Futuras
Na análise regional, o Leste Asiático se destacou com o melhor desempenho. Cidades chinesas participantes, Japão, Coreia, Singapura e Taiwan apresentaram os sistemas educacionais mais eficientes. Fora dessa região, apenas o Reino Unido e a Estônia figuraram entre os dez primeiros em leitura, matemática e ciências.
Os resultados do Pisa são indicadores cruciais que orientam governos e educadores em todo o mundo. A OCDE sugere a necessidade de repensar as estratégias pedagógicas e o papel da tecnologia, buscando um equilíbrio que promova o desenvolvimento pleno das habilidades dos estudantes.
Perguntas Frequentes
O que é o PISA da OCDE?
O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) é uma pesquisa global da OCDE que avalia sistemas educacionais em todo o mundo a cada três anos. Ele mede o desempenho de jovens de 15 anos em leitura, matemática e ciências, oferecendo um comparativo internacional.
Quais foram os principais resultados da última avaliação do PISA?
A última edição do PISA revelou os piores índices de leitura, matemática e ciências registrados neste século, desde o ano 2000. As notas caíram significativamente, com o nível de leitura dos alunos equiparando-se ao de estudantes um ano mais novos de avaliações passadas.
Como o tempo de tela afeta o desempenho dos estudantes?
O tempo excessivo em dispositivos digitais, seja para lazer (3,4 horas/dia) ou estudo (3 horas/dia), está associado a resultados educacionais mais fracos. A OCDE aponta que o uso acima de cinco horas diárias leva a uma queda no desempenho, além de promover uma leitura mais superficial e apressada.
A OCDE recomenda proibir smartphones nas escolas?
O relatório do PISA não endossa formalmente a proibição de smartphones nas escolas, mas destaca que a distração digital está ligada a notas mais baixas em ciências em 59 dos 82 sistemas educacionais estudados. Mais de 25% dos alunos afirmam que os dispositivos distraem seus colegas em sala de aula.
Qual o impacto do uso de chatbots de IA na aprendizagem?
Cerca de metade dos alunos usa chatbots de inteligência artificial para aprender, mas aqueles que os utilizam para tarefas como redigir redações ou resumir textos tendem a obter notas 20 pontos mais baixas em ciências. Isso equivale a um ano de aprendizado perdido, indicando um uso ineficaz ou dependente da ferramenta para habilidades cognitivas.
