Executivos das maiores instituições financeiras do país reafirmam em evento que questões éticas e de responsabilidade não podem ser delegadas a algoritmos.

Os principais bancos que atuam no Brasil já integraram a Inteligência Artificial (IA) em quase todas as facetas de suas operações. Da interação inicial com o cliente à minuciosa análise de crédito, a presença da tecnologia é vasta e crescente, transformando o setor financeiro de maneira acelerada.

Contudo, apesar da onipresença da IA, existe um limite claro: nenhuma decisão que envolva aspectos sensíveis ou de alta complexidade é entregue exclusivamente à máquina. Esse consenso emergiu como a principal mensagem do painel de abertura do Febraban Tech 2026, evento promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) nesta segunda-feira, 24 de agosto, em São Paulo.

O encontro reuniu presidentes e diretores-executivos de seis das maiores instituições financeiras do país, que debateram os avanços e os desafios da autonomia da IA, destacando a importância da supervisão humana em questões que impactam diretamente a vida dos clientes e a integridade das empresas.

Autonomia da IA em Bancos: Limites Éticos e Responsabilidade Legal

A discussão central no Febraban Tech 2026 girou em torno da responsabilidade nas decisões tomadas por IA. Marcelo Noronha, diretor-executivo (CEO) do Bradesco, enfatizou que certos valores são indelegáveis. “Ética, reputação, responsabilidade institucional. Não dá para delegar para a máquina”, afirmou o executivo durante o evento.

Noronha foi categórico ao explicar que a prestação de contas, tanto no âmbito criminal quanto civil, recai sobre as pessoas, e não sobre as empresas ou a própria inteligência artificial. Ele mencionou a governança interna como o pilar fundamental para definir o grau de autonomia concedido a cada ferramenta tecnológica, garantindo que a intervenção humana seja sempre a camada final de aprovação.

A Ascensão da IA no Cenário Financeiro Brasileiro

A pauta da autonomia da IA ganhou relevância porque a tecnologia, antes vista como uma promessa distante, rapidamente se consolidou como uma realidade no cotidiano das instituições bancárias. A mudança de status da Inteligência Artificial de potencial para ferramenta operacional foi notável nos últimos meses.

Roberto Sallouti, presidente do BTG Pactual, detalhou como essa transformação ocorreu de forma acelerada, especialmente após o lançamento de novos e mais sofisticados modelos de IA ao longo deste ano. Essa evolução impulsionou a necessidade de um debate mais aprofundado sobre os limites e a gestão ética da tecnologia no setor financeiro.

Perguntas Frequentes

Onde os bancos brasileiros utilizam Inteligência Artificial atualmente?

Os bancos no Brasil empregam a Inteligência Artificial em praticamente todas as suas áreas de operação, desde o atendimento ao cliente, por meio de chatbots e assistentes virtuais, até funções mais complexas como a análise de crédito, detecção de fraudes e personalização de serviços financeiros para otimizar a experiência dos usuários.

Por que os bancos não concedem autonomia total à IA em todas as decisões?

Os bancos não delegam autonomia total à IA, especialmente em decisões sensíveis, por questões de ética, reputação e responsabilidade institucional. Conforme destacados por executivos do setor, como Marcelo Noronha do Bradesco, a máquina não pode arcar com as consequências legais ou morais de uma decisão, que recaem sobre as pessoas.

Quem é legalmente responsável por decisões sensíveis nos bancos que envolvem Inteligência Artificial?

A responsabilidade legal por decisões sensíveis, mesmo aquelas que utilizam a Inteligência Artificial como suporte, recai sobre as pessoas, ou seja, os diretores e gestores das instituições financeiras. A governança interna dos bancos define os limites de atuação da IA e a necessidade de supervisão humana para garantir a conformidade e a ética.