Ex-presidente da Ceagesp, Mello Araújo defende gestão por princípios, relata combate à corrupção na empresa e critica líderes que dão 'mau exemplo'.
O coronel João Batista de Mello Araújo, que presidiu a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) a partir de outubro de 2020, fez uma forte declaração sobre a influência da liderança na sociedade. Para ele, “o mau exemplo que vem de cima faz o crime crescer”, uma filosofia que, segundo ele, guiou sua gestão.
Nomeado pelo então presidente Jair Bolsonaro, Mello Araújo encontrou a Ceagesp em uma situação financeira caótica, com cerca de R$ 90 milhões em dívidas e sem recursos para pagar a folha de novembro. A companhia também era marcada por interesses políticos, corrupção e criminalidade generalizada.
Em sua passagem pela Ceagesp, o coronel implementou uma série de mudanças que, conforme seu relato, levaram a empresa a sair da crise profunda para um cenário de lucro e saneamento financeiro, evidenciando o resultado de uma gestão baseada em princípios e no combate direto a irregularidades.
Ceagesp sob a gestão Mello Araújo: de crise a lucro
Quando Mello Araújo assumiu a presidência da Ceagesp em outubro de 2020, a empresa estava à beira do colapso financeiro, acumulando R$ 90 milhões em dívidas e sem um histórico de lucros. Além dos problemas financeiros, o ambiente interno era, segundo ele, permeado por corrupção e forte influência política.
Com “carta branca” do presidente Bolsonaro para reorganizar a companhia, Mello Araújo montou uma equipe técnica e afastou indicados políticos. Sua prioridade foi valorizar os funcionários de carreira. “Eu vou valorizar o profissional que trabalha. Se o cara produz, eu vou valorizar”, afirmou, destacando a importância da meritocracia.
Ao deixar o cargo, o coronel entregou a Ceagesp sem dívidas e com um lucro expressivo de R$ 40 milhões. Esse resultado, segundo ele, foi uma consequência direta de uma gestão que priorizou a honestidade e a eficiência.
Combate à corrupção e criminalidade na Ceagesp
Mello Araújo revelou que, ao chegar à Ceagesp, identificou contratos com indícios de irregularidades e superfaturamento. A companhia também enfrentava sérios problemas de criminalidade, incluindo tráfico de drogas, jogo do bicho e prostituição infantil, além de questões como a exploração no estacionamento.
O coronel chegou a relatar ter recebido informações sobre um plano para assassiná-lo e foi alvo de tentativas de suborno. “Tentaram me oferecer apartamento, tentaram me subornar. A gente foi moralizando”, contou, ilustrando a resistência encontrada em seu trabalho de moralização da empresa.
Uma das medidas de impacto foi o fim da cobrança de taxas de carregadores, trabalhadores que eram obrigados a pagar para exercer suas atividades dentro da Ceagesp. Mello Araújo classificou essa prática como “escravidão”, ressaltando o compromisso de sua gestão com a dignidade dos trabalhadores.
Filosofia de gestão e críticas políticas de Mello Araújo
Para Mello Araújo, a chave para o sucesso de sua gestão na Ceagesp reside em um princípio fundamental: a honestidade. “Não sou melhor que ninguém, mas, se não roubar, sobra. E a gente não roubou, sobrou”, declarou, enfatizando que a ausência de corrupção permitiu a recuperação financeira da empresa.
Ao abordar o cenário político, o coronel expressou sua lealdade a Jair Bolsonaro, a quem considera um dos poucos políticos honestos que conheceu. Em contraste, ele manifestou críticas ao atual presidente, Lula da Silva, afirmando que o exemplo vindo do chefe do Executivo tem grande impacto no comportamento da sociedade.
Mello Araújo reiterou a importância do exemplo das lideranças para a condução de qualquer esfera pública. “Se você quer um Estado, um município, seja lá o que for, tem que ter um bom exemplo”, concluiu, reforçando sua convicção de que “o mau exemplo de cima faz o crime crescer”.
Perguntas Frequentes
Quem é o coronel Mello Araújo?
O coronel João Batista de Mello Araújo é um militar que presidiu a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) a partir de outubro de 2020, nomeado pelo então presidente Jair Bolsonaro. Ele é conhecido por sua gestão que transformou a empresa de uma situação de dívida para lucro.
Qual era a situação da Ceagesp antes da gestão de Mello Araújo?
Antes da chegada do coronel Mello Araújo em 2020, a Ceagesp enfrentava uma grave crise financeira, acumulando cerca de R$ 90 milhões em dívidas e sem capacidade de pagar seus compromissos. A empresa também era palco de corrupção, interesses políticos e atividades criminosas como tráfico de drogas e prostituição infantil.
Quais foram as principais ações de Mello Araújo para recuperar a Ceagesp?
Mello Araújo implementou uma gestão focada em princípios, afastando indicados políticos e valorizando funcionários de carreira. Ele combateu ativamente contratos com indícios de irregularidades, superfaturamento e extinguiu cobranças abusivas de trabalhadores, como as taxas pagas por carregadores, além de enfrentar diretamente a criminalidade dentro da companhia.
Qual a visão de Mello Araújo sobre a relação entre liderança e criminalidade?
Para Mello Araújo, “o mau exemplo que vem de cima faz o crime crescer”. Ele acredita que a postura e os princípios dos líderes, seja em nível federal, estadual ou municipal, influenciam diretamente o comportamento da sociedade e a ocorrência de crimes, defendendo uma gestão baseada na honestidade e no bom exemplo.
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