Levantamento da SOS Preces em Belo Horizonte mostra salto de mais de 200% em ligações diárias; CVV também registra alta expressiva.
A saúde mental, antes frequentemente marginalizada, conquistou um espaço central nas discussões dos últimos anos. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgados em 2025 e baseados nos relatórios World Mental Health Today e Mental Health Atlas 2024, indicam que mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo convivem com transtornos mentais.
Ainda segundo a OMS, a prevalência de quadros de depressão e ansiedade tem crescido globalmente, independentemente da idade ou nível de renda. No Brasil, essa tendência é confirmada por um notável aumento na procura por apoio emocional oferecido por telefone, destacando a importância crescente desses serviços.
Associações sem fins lucrativos como a SOS Preces e o Centro de Valorização da Vida (CVV) têm visto suas linhas de atendimento registrarem saltos impressionantes. Milhões de brasileiros buscam nesses canais um espaço seguro para expressar angústias e encontrar uma escuta sem julgamentos em momentos de vulnerabilidade.
Aumento da busca por apoio emocional: Os dados do SOS Preces
O SOS Preces, uma associação de Belo Horizonte, revelou números que ilustram essa crescente demanda. Em 2020, no segundo semestre, a média diária de ligações era de 55. No ano de 2026, esse número disparou para 166, representando um avanço de pouco mais de 200% na procura por suporte telefônico.
A associação também informou que, em 2025, recebeu um total de 44.308 ligações. Nos primeiros sete meses de 2026, o volume já atingiu 29.921 atendimentos, com a média diária superando em 35,1% a registrada no ano anterior. Os estados com maior número de chamadas incluem o Rio de Janeiro (11%), seguido por Amazonas, Pará, Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Ceará (2% cada), além de Paraná e Santa Catarina (1% cada).
A presidente do SOS Preces, Kátia Moraes Varella Alves, observa que “o aumento da procura mostra que mais pessoas estão buscando um espaço seguro para falar sobre o próprio sofrimento”. Ela enfatiza que, embora uma conversa por telefone não resolva a causa da dor, ela “pode aliviar a sensação de isolamento, ajudar a organizar os pensamentos e dar à pessoa condições emocionais para buscar ajuda quando necessário”. O serviço da ONG está disponível 24 horas por dia.
O papel dos voluntários no suporte telefônico
Os atendimentos realizados por ONGs de apoio emocional são conduzidos por voluntários capacitados na escuta ativa e sem julgamentos. O objetivo é permitir que o indivíduo desabafe seus sentimentos, medos e angústias, encontrando um canal para “colocar tudo para fora”.
Atualmente, o SOS Preces conta com cerca de 400 voluntários, oferecendo suporte emocional gratuito para pessoas que enfrentam luto, ansiedade, conflitos familiares, solidão, doenças e diversas outras dificuldades. O atendimento é ininterrupto e pode ser feito pelo telefone (31) 3334-9700.
Kátia Moraes Varella Alves esclarece que “o apoio emocional não é terapia e não substitui o atendimento psicológico ou psiquiátrico”. Ela diferencia, explicando que o papel dos voluntários é “oferecer uma escuta humanizada, sigilosa e sem julgamentos”. Enquanto “cada ligação é um acolhimento independente”, a terapia envolve um “tratamento contínuo conduzido por um profissional habilitado”.
Centro de Valorização da Vida (CVV) e a escuta especializada
O Centro de Valorização da Vida (CVV) é a principal referência no Brasil em apoio emocional e prevenção do suicídio por telefone. Em 2025, a organização realizou aproximadamente 2 milhões de atendimentos, que incluíram contato por chat, e-mail e telefone. A expectativa é que esse alto volume se mantenha em 2026, com cerca de 1 milhão de ligações registradas até junho.
Leila Heredia, porta-voz do CVV em Brasília, destaca que o apoio emocional oferecido pela instituição permite que a pessoa “fale livremente sobre tudo aquilo que está dentro dela e que, naquele momento, está machucando ou está difícil de suportar”. Essa oportunidade de falar e ser ouvido é reconhecida por profissionais de saúde, pela ciência e pela OMS como um fator de grande ajuda emocional.
Leila Heredia enfatiza a importância do atendimento especializado na escuta em situações delicadas. Segundo ela, amigos ou familiares, mesmo com boas intenções, podem interromper ou invalidar o que a pessoa sente com frases como “Não fica assim” ou “Você tem tudo”. Essas tentativas de consolo, ainda que bem-intencionadas, “podem impedir que a pessoa fale, se expresse e verbalize” seus sentimentos. O contato com o CVV pode ser feito pelo telefone 188, pelo e-mail apoioemocional@cvv.org.br ou pelo chat no site da ONG.
Perguntas Frequentes
O que é apoio emocional por telefone?
Apoio emocional por telefone é um serviço voluntário e gratuito oferecido por ONGs, como SOS Preces e CVV, que proporciona uma escuta sem julgamento. Seu objetivo é permitir que o indivíduo expresse seus sentimentos, medos e angústias, aliviando a sensação de isolamento.
Qual a diferença entre apoio emocional e terapia?
O apoio emocional oferece uma escuta humanizada, sigilosa e pontual para acolhimento imediato. A terapia, por outro lado, é um tratamento contínuo e aprofundado, conduzido por um profissional habilitado (psicólogo ou psiquiatra), que busca resolver as causas da dor emocional.
Onde encontrar serviços de apoio emocional gratuitos?
O CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece atendimento 24 horas pelo telefone 188, e-mail e chat online. O SOS Preces, com sede em Belo Horizonte, também disponibiliza suporte gratuito pelo telefone (31) 3334-9700.
Por que a procura por apoio emocional aumentou no Brasil?
A busca por apoio emocional aumentou devido ao crescimento global de transtornos como depressão e ansiedade, conforme dados da OMS. No Brasil, esse aumento reflete a necessidade das pessoas de encontrar um espaço seguro para falar sobre seu sofrimento e lidar com a sensação de isolamento, em um contexto de maior conscientização sobre a saúde mental.
