Irã e Emirados Árabes Unidos, novos integrantes do bloco, divergem sobre a guerra no Oriente Médio, pressionando por consenso.
A Cúpula dos Líderes do Brics está agendada para este fim de semana, nos dias 12 e 13 de setembro, em Nova Delhi, Índia. O encontro reúne as economias emergentes do bloco, que agora inclui dez nações, com o objetivo principal de fortalecer sua visibilidade e influência no cenário global.
No entanto, o evento é realizado sob a forte sombra de um conflito que opõe membros recém-chegados: a guerra liderada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Esse cenário de tensão gerou uma divisão significativa entre Teerã e Abu Dhabi, os quais se encontram em lados opostos do confronto no Oriente Médio.
A disputa já provocou o fechamento virtual do Estreito de Ormuz, uma rota essencial para o comércio de petróleo mundial, elevando os preços do barril para mais de US$ 100. Diante deste quadro complexo, o principal desafio dos líderes será forjar um consenso sobre a crise regional, permitindo a emissão de uma declaração conjunta que demonstre a união do grupo.
Desafios da União no Brics Ampliado
O conflito no Oriente Médio tem gerado um impacto direto na coesão do Brics. Os Emirados Árabes Unidos, após serem atingidos por mísseis iranianos, suspenderam todas as transações comerciais e financeiras com o Irã em agosto, evidenciando a profundidade das divergências. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reconheceu que essas diferenças tiveram um “impacto negativo” e dificultam a “elaboração” de uma declaração conjunta.
Especialistas em política externa veem a situação com preocupação. Michael Kugelman, pesquisador sênior do Atlantic Council, alerta: “Alguns dos novos membros dos Brics — Irã, Emirados Árabes Unidos, Egito e Etiópia — estão envolvidos em tensões e não concordam em muitos pontos. Isso é uma má notícia para uma entidade que opera com base no consenso.” Ele acrescenta que, embora a expansão reflita o crescente apelo do Brics, as visões divergentes dos novos membros podem torná-lo “menos eficaz”.
A dificuldade de consenso já se manifestou em maio, quando os ministros das Relações Exteriores dos países do Brics não conseguiram emitir uma declaração conjunta após uma reunião também em Nova Delhi, devido às divergências entre Irã e Emirados Árabes Unidos.
Presença de Líderes e Representantes Globais
Apesar dos desafios, a lista de presenças na cúpula sublinha a importância que as nações atribuem ao bloco. O presidente chinês, Xi Jinping, fará sua primeira visita à Índia em sete anos, indicando o peso de Pequim nos esforços para manter a coesão do grupo. Outros líderes confirmados incluem o presidente russo, Vladimir Putin; o iraniano, Masoud Pezeshkian; o sul-africano, Cyril Ramaphosa; o egípcio, Abdel Fattah al-Sisi; e o indonésio, Prabowo Subianto.
A cúpula também contará com a presença do secretário-geral da ONU, António Guterres. Os Emirados Árabes Unidos serão representados pelo príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan. A Arábia Saudita, que não aceitou a adesão plena ao Brics, participará com delegações de nível inferior, incluindo o ministro das Relações Exteriores, Faisal bin Farhan Al Saud.
Precedente de Conquista Diplomática
Apesar do impasse, há um motivo para otimismo. A recente cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), realizada este mês, conseguiu chegar a um texto sobre o conflito com o Irã que foi aceitável para países com posições divergentes. A declaração conjunta da OCX condenou a campanha militar dos EUA e de Israel contra o Irã e as sanções ocidentais, sendo assinada por líderes como Narendra Modi, Xi Jinping, Putin e Pezeshkian.
O ex-diplomata indiano Rajiv Bhatia afirmou que esse resultado da OCX, embora não inclua os Emirados Árabes Unidos, gera esperanças para o Brics. Segundo ele, “Houve um avanço significativo em Bishkek, na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai”, demonstrando que é possível encontrar uma formulação aceitável mesmo entre membros com visões pró-EUA.
Contexto Econômico Global e Cooperação
Além das questões de segurança, especialistas apontam que o protecionismo e as políticas tarifárias unilaterais do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, deram motivos adicionais para que os países do Brics busquem maior união. Esse cenário pode impulsionar reuniões bilaterais ou trilaterais entre os líderes à margem da cúpula.
O presidente Xi Jinping, por exemplo, deve viajar para os EUA ainda neste mês. Não foi esclarecido de imediato se ele terá conversas com Putin em Nova Delhi, à margem da cúpula, antes de seu encontro com Trump.
Perguntas Frequentes
Onde e quando ocorrerá a Cúpula do Brics 2024?
A Cúpula dos Líderes do Brics está agendada para os dias 12 e 13 de setembro de 2024 e será sediada em Nova Delhi, Índia, reunindo representantes das dez nações do bloco.
Qual é o principal desafio da Cúpula do Brics na Índia?
O maior desafio é encontrar um consenso entre os membros Irã e Emirados Árabes Unidos, que se encontram em lados opostos na guerra contra o Irã, liderada pelos EUA e Israel, para emitir uma declaração conjunta.
Quais países fazem parte do Brics atualmente?
Originalmente composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o bloco expandiu-se e agora inclui Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. A Arábia Saudita participa com delegações de nível inferior.
Quem são os líderes confirmados para a Cúpula do Brics 2024?
Entre os chefes de estado esperados estão Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia), Masoud Pezeshkian (Irã), Cyril Ramaphosa (África do Sul), Abdel Fattah al-Sisi (Egito) e Prabowo Subianto (Indonésia). O secretário-geral da ONU, António Guterres, e o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, também estarão presentes.
