Pesquisa do IBGE revela que cinco localidades têm índice de desocupação abaixo de 3% e detalha queda geral no país.

O Brasil encerrou o segundo trimestre de 2026 com a taxa de desemprego em 5,4%, mas um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 11 estados registraram números ainda mais animadores, com o desemprego abaixo da média nacional. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados na última sexta-feira (14).

Dentre essas unidades da federação, cinco estados se destacaram por apresentarem um índice de desocupação inferior a 3%, sinalizando um mercado de trabalho aquecido em diversas regiões do país. Santa Catarina liderou esse ranking, com a menor taxa registrada.

A média nacional de 5,4% representa uma redução notável em comparação aos 6,1% do primeiro trimestre do mesmo ano. Essa queda no desemprego foi observada em 13 localidades, enquanto outras mantiveram seus níveis estáveis, refletindo um cenário de recuperação e fortalecimento econômico.

Estados com as menores taxas de desocupação

Entre os estados que apresentaram taxas abaixo da média nacional de 5,4%, a PNAD Contínua destacou alguns com os menores índices. Santa Catarina registrou 2,1%, seguido pelo Espírito Santo com 2,3% e Mato Grosso do Sul com 2,7%. O Rio Grande do Sul também apresentou um patamar abaixo, com 4,2%.

O analista da pesquisa, William Kratochwill, explicou que as diferenças regionais são influenciadas por múltiplos fatores. “Santa Catarina e a região Sul como um todo apresentam níveis muito mais fortes que os estados do Norte e Nordeste”, afirmou Kratochwill, atribuindo essas distinções aos níveis de industrialização, à evolução da atividade econômica e ao grau de instrução da população.

Queda geral no mercado de trabalho brasileiro

A taxa de desocupação nacional, que alcançou 5,4% no segundo trimestre de 2026, demonstrou um recuo significativo em relação aos 6,1% do trimestre anterior. Essa melhoria foi um fenômeno disseminado, com o desemprego diminuindo em 13 unidades da federação.

Os estados que registraram as maiores quedas percentuais na taxa de desocupação incluem Rio Grande do Norte, com redução de 1,9 ponto percentual, seguido por Tocantins (-1,5 p.p.), Minas Gerais (-1,2 p.p.) e Mato Grosso do Sul (-1,1 p.p.). Outras localidades como Mato Grosso, Maranhão e Espírito Santo também tiveram quedas de 0,9 p.p., e Santa Catarina reduziu em 0,6 p.p.

Para o IBGE, é considerada desocupada a pessoa com 14 anos ou mais que, efetivamente, procurou por uma vaga nos 30 dias anteriores à pesquisa. O levantamento abrange todas as formas de ocupação, desde trabalhadores com carteira assinada até autônomos e temporários, visitando 211 mil domicílios em todo o território nacional.

Desemprego de longo prazo atinge mínima histórica

Um dos destaques da pesquisa é a redução do desemprego de longo prazo, que se refere a indivíduos em busca de trabalho há dois anos ou mais. O segundo trimestre de 2026 registrou 1,06 milhão de pessoas nessa situação, o menor contingente desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012.

Houve uma queda expressiva de 15,6% nesse grupo de desocupados em comparação com o mesmo período do ano anterior, o segundo trimestre de 2025. Esse dado reflete uma maior fluidez no mercado de trabalho e uma maior capacidade de absorção de pessoas que estavam há mais tempo sem ocupação.

Disparidades de gênero e raça no desemprego

A análise do segundo trimestre de 2026 também revelou importantes disparidades. A taxa de desemprego para os homens foi de 4,6%, um índice inferior à média nacional. Já para as mulheres, a desocupação ficou acima da média, atingindo 6,4%.

Ao observar os dados pela cor da pele, as diferenças são ainda mais evidentes. Pessoas que se declaram pretas apresentaram uma taxa de desocupação de 6,9%, e as pardas, de 6,1%, ambas superiores à média nacional. Em contraste, a taxa entre os brancos foi de 4,2%, abaixo da média.

É importante ressaltar que o IBGE não utiliza o termo "negro" em suas classificações. Contudo, o Estatuto da Igualdade Racial adota essa nomenclatura para se referir ao conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, evidenciando a persistência das desigualdades raciais no mercado de trabalho.

Perguntas Frequentes

Qual foi a taxa de desemprego no Brasil no segundo trimestre de 2026?

No segundo trimestre de 2026, a taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,4%, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada pelo IBGE.

Quantos estados registraram desemprego abaixo da média nacional?

Um total de 11 estados brasileiros terminaram o segundo trimestre de 2026 com a taxa de desemprego abaixo da média nacional de 5,4%, mostrando uma performance mais positiva no mercado de trabalho local.

Quais estados tiveram as menores taxas de desocupação?

Os estados com as menores taxas de desocupação no segundo trimestre de 2026 foram Santa Catarina (2,1%), Espírito Santo (2,3%), Mato Grosso do Sul (2,7%) e Rio Grande do Sul (4,2%), todos abaixo da média do país.

O que é considerado desemprego de longo prazo pela pesquisa?

Desemprego de longo prazo, segundo a PNAD Contínua do IBGE, refere-se a pessoas que estão à procura de uma vaga no mercado de trabalho por dois anos ou mais. No segundo trimestre de 2026, esse contingente foi o menor da série histórica.

Existem diferenças na taxa de desemprego por gênero e cor da pele?

Sim, a pesquisa do IBGE apontou disparidades. A taxa de desocupação das mulheres (6,4%) e das pessoas que se declaram pretas (6,9%) ou pardas (6,1%) ficou acima da média nacional, enquanto a de homens (4.6%) e brancos (4,2%) ficou abaixo.