Conflito entre patriarcas e herdeiros sobre holding imobiliária de R$ 5 bilhões cortou garantias bancárias e sufocou a varejista.

A rede de varejo de móveis Marabraz apresentou um pedido de recuperação judicial no último sábado, na Justiça de São Paulo. A empresa, que acumula R$ 140 milhões em dívidas, atribui parte da sua crise a fatores como os juros altos e o enfraquecimento do consumo.

No entanto, a dificuldade financeira da Marabraz é intensificada por um complexo desentendimento familiar. A disputa opõe os patriarcas da família Fares aos seus filhos e sobrinhos, com o foco em um valioso patrimônio imobiliário.

Este conflito interno impactou diretamente a capacidade da varejista de obter crédito, peça fundamental que, por décadas, sustentou a expansão da Marabraz e a levou a esta delicada situação financeira.

A Crise Financeira da Marabraz e Seus Desafios

O pedido de recuperação judicial da Marabraz revela uma dívida expressiva de R$ 140 milhões. A empresa mencionou o cenário econômico adverso, com juros elevados e consumo em baixa, como fatores que pesaram nas suas operações.

Contudo, a principal causa da deterioração financeira não está apenas no mercado, mas em um atrito familiar que desorganizou as garantias de crédito da companhia. A rede busca, com a medida, reestruturar seus compromissos, proteger empregos e fornecedores, mantendo suas lojas abertas e operando normalmente.

O Nó da Disputa Familiar Fares Pelo Patrimônio

O epicentro do problema na Marabraz é uma intensa desavença entre os irmãos Nasser, Jamel e Adiel Fares, os fundadores e patriarcas da família, e seus herdeiros. A briga se concentra na LP Administradora de Bens, uma holding que detém o vasto patrimônio imobiliário da família Fares.

Esse acervo imobiliário, avaliado em cerca de R$ 5 bilhões, nunca fez parte dos ativos da Marabraz, mas funcionava como uma garantia estratégica. Sempre que a rede precisava de empréstimos, esses imóveis eram oferecidos como reforço, assegurando linhas de crédito favoráveis junto aos bancos por muitos anos.

O Papel Estratégico da LP Administradora de Bens

Em 2011, os irmãos Nasser, Jamel e Adiel Fares optaram por transferir suas cotas da holding LP Administradora de Bens para os seis filhos, numa manobra legal para blindar o patrimônio contra eventuais passivos fiscais das lojas. A estratégia funcionou por um tempo, protegendo os bens da família.

No entanto, o que era uma blindagem se tornou o foco de um embate entre as gerações. Essa transferência de cotas para os herdeiros é o ponto de partida do desentendimento que, ao fim, cortaria o acesso da Marabraz a suas fontes tradicionais de financiamento.

Decisões Judiciais e Consequências para a Marabraz

A disputa familiar escalou para a Justiça em dezembro de 2024, quando Nasser e Jamel Fares – sem a participação de Adiel – processaram filhos e sobrinhos para reaver 66% das cotas da LP Administradora de Bens. Em março de 2025, eles obtiveram vitória em primeira instância.

Contudo, a situação mudou em setembro do mesmo ano, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reverteu a sentença. O acórdão reconheceu que a transferência de 2011 tinha propósito de blindagem patrimonial, mas considerou que isso não era suficiente para anular o negócio. Assim, os herdeiros mantiveram o controle da holding.

O desenrolar judicial criou um cenário crítico para a Marabraz. Nasser Fares continua como CEO da rede e Jamel Fares na área financeira, ou seja, as mesmas pessoas responsáveis pelas dívidas da Marabraz perderam o acesso aos imóveis que garantiam esses compromissos. Sem esse lastro, os bancos cortaram limites de crédito, encareceram as linhas e, em muitos casos, deixaram de renovar o capital de giro. A rede descreveu a situação como um “círculo progressivo de deterioração financeira” no seu pedido de recuperação judicial.

Perguntas Frequentes

Qual o valor da dívida da Marabraz no pedido de recuperação judicial?

A Marabraz declarou uma dívida total de R$ 140 milhões ao solicitar a recuperação judicial na Justiça de São Paulo.

Qual o principal motivo da recuperação judicial da Marabraz, além da crise econômica?

O principal motivo, além dos juros altos e consumo fraco, é uma disputa familiar entre os patriarcas Fares e seus herdeiros, que resultou na perda do acesso da Marabraz às garantias imobiliárias da holding LP Administradora de Bens.

Quem são os membros da família Fares envolvidos na disputa?

Os patriarcas Nasser, Jamel e Adiel Fares e seus filhos e sobrinhos são os principais envolvidos no desentendimento sobre a propriedade das cotas da LP Administradora de Bens.

A Marabraz continuará operando após o pedido de recuperação judicial?

Sim, a Marabraz afirma que continuará operando normalmente, com todas as lojas abertas. O processo de recuperação judicial visa organizar os compromissos, preservar empregos e fornecedores.