EUA preparam ofensiva terrestre contra traficantes em países latinos aliados

Os Estados Unidos estão se preparando para realizar operações militares no território de países aliados na América Latina. O objetivo principal é combater organizações de narcotráfico, levando a luta para o terreno, de acordo com as declarações de Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA, durante uma viagem ao Panamá nesta quinta-feira (13).

A nova abordagem sinaliza uma guinada estratégica, com Washington buscando aplicar na região os métodos e a experiência desenvolvidos ao longo de décadas de combate a grupos terroristas no Oriente Médio e em outras partes do mundo. Essas táticas, em muitos casos, resultaram em mortes de civis, gerando críticas de grupos de direitos humanos.

Hegseth afirmou que a meta é produzir em terra o “mesmo efeito” dos ataques que já são realizados contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico. Essa declaração representa uma escalada na retórica do governo Donald Trump contra o narcotráfico.

Táticas da Guerra ao Terror na América Latina

A estratégia americana agora é “levar a luta” contra organizações de narcotráfico diretamente ao território terrestre, como destacou Pete Hegseth. Ele mencionou a intenção de replicar os resultados obtidos em operações marítimas, que já foram alvo de críticas por parte da oposição e de grupos de direitos humanos, que as consideram ilegais.

A Casa Branca planeja usar no Hemisfério Ocidental a vasta experiência militar acumulada durante a chamada Guerra ao Terror. Hegseth explicou que os EUA passaram os últimos 25 anos aperfeiçoando a “kill chain”, uma expressão militar que descreve o processo de identificar, localizar, acompanhar e atacar um alvo a milhares de quilômetros de distância. “Por que não pegamos essas capacidades, com os melhores americanos, e as aplicamos aqui?”, questionou.

Países parceiros e o alcance das operações militares

O secretário de Defesa dos EUA confirmou que os Estados Unidos estão trabalhando com países como Equador, Colômbia e outros parceiros para essa ofensiva terrestre. Ele citou especificamente nações onde Washington já anunciou operações conjuntas ou realizou incursões.

Hegseth deixou claro que “organizações designadas como terroristas, em conjunto com governos parceiros, serão alvos legítimos do governo dos Estados Unidos”. Essa definição, a princípio, excluiria o Brasil, que não concordou com a designação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, feita pelo governo Trump.

Em entrevista a jornalistas, Hegseth reforçou a abrangência da nova política: “Em qualquer lugar em que vocês [grupos terroristas] trafiquem drogas, em que ameacem o povo americano ou nossos parceiros, vocês são um alvo, assim como o Estado Islâmico ou a Al Qaeda”.

O aperfeiçoamento da “kill chain” em operações dos EUA

A experiência adquirida no combate ao terrorismo global será o alicerce para as futuras operações no continente americano. O conceito de “kill chain” será crucial, permitindo que as forças americanas identifiquem, localizem, rastreiem e ataquem alvos de redes criminosas com precisão e eficiência.

Essa estratégia envolverá uma atuação conjunta e coordenada do Comando Sul, responsável pelas operações militares americanas na América Latina e no Caribe, e do Comando Norte, cuja área de responsabilidade inclui México, Estados Unidos e Canadá. “Esta é uma luta em rede, para a qual estamos dando poder ao Comando Sul e ao Comando Norte, juntos, no Hemisfério Ocidental, para agir de maneira implacável”, declarou Hegseth, prometendo “se aproximar e destruir essas redes usando todas as capacidades do governo americano”.

Ciberataques a redes criminosas transnacionais

A ofensiva terrestre se soma a outra medida significativa tomada um dia antes pelo presidente Donald Trump. Na quarta-feira (12), ele assinou um decreto que autoriza empresas privadas americanas a realizar, sob supervisão federal, operações cibernéticas contra grupos que atuam fora dos Estados Unidos.

Essa medida permite ações capazes de interromper, degradar ou até mesmo destruir sistemas e redes controlados por organizações criminosas transnacionais. Embora não sejam citados nominalmente no decreto, o PCC e o CV poderiam ser alcançados por esse programa, caso se enquadrem nos critérios de grupos que praticam crimes cibernéticos contra cidadãos, o governo ou interesses americanos.

Perguntas Frequentes

O que significa a "ofensiva terrestre" dos EUA na América Latina?

A “ofensiva terrestre” dos EUA significa a preparação de operações militares em solo de países aliados da América Latina, com o objetivo de combater organizações de narcotráfico, aplicando táticas de combate ao terrorismo.

Quais países da América Latina podem ser alvo das operações americanas?

O secretário de Defesa Pete Hegseth citou o Equador, a Colômbia e “outros parceiros” onde os EUA já têm operações conjuntas ou realizaram incursões. Os alvos serão “organizações designadas como terroristas” em conjunto com governos parceiros.

O Brasil será incluído nessas operações dos EUA contra o narcotráfico?

A princípio, o Brasil não seria incluído, pois o governo brasileiro não concordou com a designação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, um critério chave para as ações dos EUA.

O que é a "kill chain" mencionada pelo Secretário de Defesa americano?

A “kill chain” é um termo militar que descreve um processo aperfeiçoado pelos EUA durante 25 anos de Guerra ao Terror para identificar, localizar, acompanhar e atacar um alvo com precisão, mesmo a milhares de quilômetros de distância.

Além das operações militares, quais outras ações os EUA estão preparando?

Os EUA também preparam operações cibernéticas, autorizando empresas privadas a atuar sob supervisão federal para interromper, degradar ou destruir sistemas e redes de grupos criminosos transnacionais, o que pode atingir o PCC e o CV.