Mauricio Correa Silvério da Silva, um dos envolvidos na morte de quatro pessoas em Formosa (GO), explica no vídeo que ação foi vingança por ameaças e dívida de R$ 250 mil.

A chacina que abalou Formosa (GO) na última terça-feira (11 de agosto) ganhou um novo e chocante desdobramento. Um dos foragidos pelo crime, Mauricio Correa Silvério da Silva, gravou um vídeo que viralizou nas redes sociais, apresentando sua versão dos fatos e justificando as quatro mortes.

No material audiovisual, Mauricio alega que as vítimas estavam ameaçando e perseguindo sua família devido a uma dívida de R$ 250 mil. Ele afirma ter revidado o que, em sua percepção, seria uma ação letal por parte dos homens assassinados.

Para a Polícia Civil de Goiás (PCGO), contudo, a gravação tem um objetivo claro: construir uma narrativa de legítima defesa que se distancia da realidade apurada pela investigação. A matéria detalha os relatos dos envolvidos e o andamento do caso.

O Vídeo Confissão e a Defesa da Família

No vídeo que circula online, Mauricio Correa Silvério da Silva detalha sua visão sobre os eventos. Ele sustenta que as quatro vítimas foram mortas porque representavam uma ameaça iminente à sua família, motivada por uma expressiva dívida. “Deus me livre, sabe, o que que eles iriam fazer com meu tio, com certeza iriam matar, né? Porque eles estavam armados”, declarou Mauricio, justificando sua ação como uma retaliação preventiva. Ele acrescentou que o grupo de vítimas seria “pessoal faccionado de São Paulo”.

O pai de Mauricio, Matusalém Silvério da Silva, um policial militar da reserva, também gravou um vídeo narrando os acontecimentos. Em seu relato, Matusalém afirmou ter efetuado disparos para proteger o filho, que estaria sendo perseguido pelos quatro homens. Ambos os vídeos tentam solidificar a tese de que os atiradores apenas se defenderam de uma agressão iminente.

A Dívida Milionária e as Vítimas da Chacina

A chacina, ocorrida na tarde de terça-feira (11 de agosto) no Setor Parque Lago, em Formosa (GO), teria como pano de fundo a cobrança de uma dívida de R$ 250 mil. Segundo as investigações, os quatro homens foram até a casa de Matusalém Silvério da Silva para cobrar essa quantia e acabaram sendo mortos dentro de uma caminhonete.

As vítimas foram identificadas como Gustavo Fernandes Graças, Gustavo Aurélio, André Ferreira, conhecido como Tarobá, e Luiz Antônio Rodrigues, apelidado de Nego. Eles teriam sido alvos dos disparos efetuados por Matusalém, com a participação de Mauricio e um terceiro suspeito, Rodrigo Anderson Barbosa.

Prisão do Policial Militar da Reserva e Foragidos

Apesar das alegações de legítima defesa, o policial militar da reserva Matusalém Silvério da Silva se entregou na sexta-feira (14 de agosto) em uma delegacia de São Luís de Montes Belos (GO) e foi preso. Antes disso, na madrugada de quinta-feira (13 de agosto), ele, Mauricio e Rodrigo haviam se apresentado na delegacia de Formosa com um advogado, mas foram liberados por não haver mandado de prisão em aberto.

Matusalém reforçou sua versão à polícia, afirmando que agiu para defender o filho. Ele contou que Mauricio o ligou desesperado, relatando perseguição e disparos por parte do grupo de São Paulo. O policial alegou que os perseguidores chegaram a atirar contra sua casa. Matusalém disse que não queria as mortes, mas não permitiria que o filho fosse responsabilizado pela dívida. Atualmente, Mauricio Correa Silvério da Silva e Rodrigo Anderson Barbosa permanecem foragidos da justiça.

Investigação da Polícia Civil sobre a Legítima Defesa

O delegado da Polícia Civil de Goiás (PCGO), José Antônio Sena, responsável pela apuração do caso, afirmou que os vídeos gravados pelos suspeitos são uma tentativa de criar uma “realidade paralela” ao que de fato ocorreu. O objetivo seria construir uma versão dos eventos que configure o crime como legítima defesa, o que é contestado pelas diligências policiais.

A Polícia Civil de Goiás continua as buscas por Mauricio Correa Silvério da Silva e Rodrigo Anderson Barbosa. A corporação solicita que qualquer informação que possa levar ao paradeiro dos foragidos seja comunicada de forma anônima. Para denúncias, os canais disponíveis são o Disque-Denúncia 197 ou o telefone 61 36317793, da GIH de Formosa – 11ª DRP.

Perguntas Frequentes

Quem são os envolvidos na chacina de Formosa?

Os principais suspeitos são Mauricio Correa Silvério da Silva, Matusalém Silvério da Silva (pai de Mauricio e PM da reserva) e Rodrigo Anderson Barbosa. As vítimas foram identificadas como Gustavo Fernandes Graças, Gustavo Aurélio, André Ferreira (Tarobá) e Luiz Antônio Rodrigues (Nego).

Qual foi a motivação para o crime em Formosa?

A chacina teria sido motivada pela cobrança de uma dívida de R$ 250 mil. Mauricio Correa Silvério da Silva alegou, em vídeo, que as vítimas estavam ameaçando e perseguindo sua família por causa dessa quantia.

Onde e quando ocorreu a chacina em Formosa?

O crime aconteceu na tarde de terça-feira, 11 de agosto, no Setor Parque Lago, em Formosa (GO), no Entorno do Distrito Federal. Os quatro homens foram mortos a tiros dentro de uma caminhonete na casa do PM da reserva Matusalém Silvério da Silva.

O que a polícia diz sobre os vídeos dos suspeitos?

De acordo com o delegado José Antônio Sena, da Polícia Civil de Goiás (PCGO), os vídeos gravados pelos suspeitos têm a intenção de criar uma “realidade paralela” e simular uma situação de legítima defesa, buscando desviar o foco da investigação sobre a chacina.