Em parceria com a Cielo, Google testa agentes de IA para compras, elevando a conversão em 15% e prometendo revolucionar o varejo digital no Brasil.

O Google realizou em julho um experimento inovador no setor de compras online, utilizando agentes de Inteligência Artificial em parceria com a Cielo. O objetivo era otimizar a jornada do consumidor e os resultados iniciais apresentados são promissores, indicando um novo caminho para o varejo digital no Brasil.

Os testes revelaram um impacto significativo: a taxa de conversão das vendas foi impulsionada em 15% e o valor médio das compras teve um aumento expressivo de 30%. Além disso, houve uma notável redução no abandono de carrinhos, um dos maiores desafios para e-commerces.

As informações foram divulgadas por Rafael d’Ávila, diretor de serviços financeiros do Google, durante o evento Warm Up Febraban Tech, promovido em 20 de agosto pelo escritório Silva Lopes Advogados, em São Paulo. O encontro debateu temas como confiança, IA e escala nos serviços financeiros.

A Nova Jornada de Compra Conversacional com IA

A experiência de compra tradicional, que envolve escolher um produto, preencher dados de pagamento e informar o endereço de entrega, está sendo redesenhada pela inteligência artificial. Com os agentes de IA, o consumidor passa a interagir de forma conversacional, descrevendo o que precisa, enquanto a IA assume as etapas seguintes até a finalização do pagamento.

Rafael d’Ávila, do Google, destacou que essa abordagem redefine a interação do usuário. “Eu repenso essa jornada de compra, e ela passa a ser conversacional”, afirmou o executivo. Esse modelo se baseia no protocolo UPCB, lançado pelo Google em janeiro em conjunto com mais de 60 empresas, que padroniza a linguagem e as regras para transações mediadas por agentes de IA, incluindo limites de valor e garantias.

Segurança e os Desafios dos Agentes de IA nas Finanças

A ascensão dos agentes autônomos no mercado financeiro, embora traga inovações, também impõe novos desafios, especialmente na detecção de fraudes. Os sistemas de segurança atuais dependem de padrões comportamentais humanos, como o horário de uso da plataforma ou a velocidade de digitação.

No entanto, um agente de IA não exibe essas marcas. Ele pode operar a qualquer momento e sem as características de interação de uma pessoa, dificultando a identificação de atividades suspeitas. Para lidar com essa complexidade, o Google revelou que 75% do código gerado internamente na empresa já é produzido por agentes de IA e, para assegurar a segurança, desenvolveu o CodeMender, um sistema onde agentes revisam o código de outros em busca de vulnerabilidades. Essa solução já foi compartilhada com os dez maiores bancos norte-americanos, incluindo JPMorgan, Bank of America e Citi.

Monetização e Governança na Era da Inteligência Artificial

A forma de monetizar a inteligência artificial também está em transformação. Em vez de focar apenas em anúncios dentro dos aplicativos de IA, o Google aposta em conectar aplicações de empresas parceiras diretamente às plataformas de inteligência artificial. Um exemplo citado por Rafael d’Ávila foi a integração da locadora Localiza, que agora permite reservas de carros diretamente pelo Gemini, a IA do Google. Assim, a IA transcende a função de mera ferramenta de consulta e se torna um hub central na jornada de consumo.

Internamente, a governança da IA é outro ponto de atenção nas instituições financeiras. Marcelo Vital, vice-presidente institucional do Asaas, relatou o crescimento da “shadow IA”, quando funcionários utilizam ferramentas pessoais de IA com dados corporativos sem o controle da empresa. Em resposta, a fintech Asaas criou um processo interno para homologar ferramentas de IA antes de liberá-las para uso, estabelecendo quais soluções são permitidas e, crucialmente, quais dados podem ser inseridos nessas plataformas. Enquanto isso, bancos brasileiros em fase inicial de adoção de IA já consomem bilhões de tokens anualmente, e instituições mais avançadas chegam a 10 trilhões de tokens no mesmo período, conforme dados apresentados por Fabiano Amaro, diretor da Matera.

Perguntas Frequentes

O que é o protocolo UPCB do Google para pagamentos com IA?

O UPCB é um protocolo lançado pelo Google em parceria com mais de 60 empresas, que padroniza a linguagem e as regras para pagamentos realizados por agentes de Inteligência Artificial, incluindo limites de valor e garantias de segurança nas transações.

Como a IA muda a experiência de compra online?

A IA transforma a jornada de compra de tradicional para conversacional. Em vez de preencher formulários, o consumidor descreve o que precisa em uma conversa com o agente de IA, que então conduz todas as etapas seguintes, desde a busca pelo produto até o pagamento.

Quais os principais riscos de segurança ao usar agentes de IA em transações financeiras?

Um dos maiores riscos é o desafio na detecção de fraudes. Agentes de IA não possuem padrões comportamentais humanos, como velocidade de digitação ou horários de uso, dificultando a identificação de atividades suspeitas pelos sistemas de segurança atuais.

De que forma o Google pretende monetizar a IA no futuro?

O Google planeja monetizar a IA conectando aplicações de empresas parceiras diretamente às suas plataformas de inteligência artificial. Um exemplo é a integração de serviços como reserva de carros da Localiza diretamente no Gemini, transformando a IA em um ponto central da jornada de consumo.

O que é "shadow IA" e como as empresas estão lidando com ela?

"Shadow IA" refere-se ao uso não controlado de ferramentas pessoais de Inteligência Artificial por funcionários com dados corporativos. Empresas como o Asaas estão lidando com isso implementando processos internos de homologação de ferramentas, definindo quais podem ser usadas e quais dados são seguros para inserção.