Jonathas Atenevir Jordão pegou 12 anos por homicídio qualificado, Edinailton Pereira de Souza recebeu 10 anos, e o terceiro PM, Luiz Frederico, foi absolvido.

Após uma espera de 14 anos, a Justiça de Goiás finalmente proferiu a sentença para o caso da morte do advogado Davi Sebba Ramalho. Nesta sexta-feira, 2 de outubro de 2026, o Tribunal do Júri em Goiânia condenou dois policiais militares envolvidos no trágico incidente de 2012 que chocou a capital goiana.

Davi Sebba, que tinha 38 anos na época, foi assassinado no estacionamento de um supermercado, na região da Avenida T-9. A fatalidade ocorreu em um momento de grande expectativa pessoal: o advogado havia saído para comprar itens para o nascimento de seu primeiro filho, que viria ao mundo poucas horas após o seu falecimento.

O julgamento, que teve início na quinta-feira, 1º de outubro de 2026, e se estendeu por mais de 10 horas de sessão, encerra uma longa e complexa jornada judicial, marcada por investigações, recursos e diferentes decisões que mantiveram o caso em evidência por mais de uma década.

Condenações e Absolvições no Julgamento de PMs

As decisões do júri popular definiram o destino dos três policiais militares acusados pela morte de Davi Sebba. O PM Jonathas Atenevir Jordão, apontado como o autor do disparo fatal, foi condenado a 12 anos de prisão por homicídio qualificado, mas absolvido da acusação de porte de arma.

Já Edinailton Pereira de Souza, outro policial envolvido no caso, recebeu pena de 10 anos de reclusão. Ele foi condenado por homicídio simples e também por porte de arma. O terceiro réu, Luiz Frederico de Oliveira, foi absolvido das acusações de homicídio e de porte de arma.

Versões Conflitantes da Abordagem Policial Fatal

Um dos pontos centrais da discussão durante o julgamento foi a dinâmica da abordagem policial que culminou na morte do advogado. Inicialmente, os policiais militares alegaram que Davi Sebba teria reagido a uma abordagem. Segundo essa versão, eles teriam recebido informações sobre uma possível negociação de drogas e o advogado teria feito um movimento em direção a uma arma.

Contrariando o depoimento dos PMs, a investigação criminal apresentou uma perícia que indicou uma realidade diferente. De acordo com os detalhes do inquérito, Davi Sebba estava com as duas mãos no volante de seu veículo no momento em que foi atingido pelo disparo. A apuração também levantou questionamentos sérios sobre a arma que supostamente foi encontrada no carro da vítima e sobre possíveis alterações na cena do crime.

Longa Trajetória Judicial do Caso Davi Sebba em Goiás

O processo judicial referente à morte de Davi Sebba foi marcado por diversas etapas e reviravoltas ao longo dos anos. Em 2017, Jonathas Atenevir Jordão foi pronunciado para responder pela acusação de homicídio. No entanto, Edinailton e Luiz Frederico foram, inicialmente, impronunciados em relação ao crime, o que os livraria do júri popular naquele momento.

Recursos da acusação foram determinantes para que as decisões fossem revistas. Em 2022, o Tribunal de Justiça de Goiás reconheceu uma qualificadora importante: a que se refere ao recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima. Finalmente, em 2023, uma nova decisão judicial determinou que os três acusados fossem submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO) acompanhou o julgamento presencialmente, por meio de seu Sistema de Defesa das Prerrogativas e da Comissão Especial de Defesa do Tribunal do Júri. A entidade ressaltou que sua atuação visou garantir o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório durante todo o procedimento.

Perguntas Frequentes

Quem era Davi Sebba Ramalho?

Davi Sebba Ramalho era um advogado de 38 anos que foi morto em Goiânia (GO) em 5 de julho de 2012, no estacionamento de um supermercado, poucas horas antes do nascimento de seu primeiro filho.

Quando e onde ocorreu a morte de Davi Sebba?

A morte do advogado Davi Sebba ocorreu em 5 de julho de 2012, no estacionamento de um supermercado localizado na região da Avenida T-9, em Goiânia, capital de Goiás.

Quais foram as sentenças dos policiais militares envolvidos?

Jonathas Atenevir Jordão foi condenado a 12 anos de prisão por homicídio qualificado. Edinailton Pereira de Souza recebeu pena de 10 anos por homicídio simples e porte de arma. Luiz Frederico de Oliveira foi absolvido de todas as acusações.

A OAB-GO acompanhou o julgamento do caso?

Sim, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO) acompanhou o julgamento presencialmente, através do Sistema de Defesa das Prerrogativas e da Comissão Especial de Defesa do Tribunal do Júri, garantindo o devido processo legal.