Apesar da intensa agenda eleitoral, 11 dos 12 candidatos à Presidência revelam suas escolhas literárias e os livros que associam à jornada pelo Palácio do Planalto.

Com o primeiro turno das eleições se aproximando em 4 de outubro, a rotina dos candidatos à Presidência da República é marcada por viagens, debates e muita movimentação nas redes sociais. Contudo, em meio a essa maratona de campanha, muitos deles reservam um espaço para a leitura.

Um levantamento exclusivo buscou saber quais obras acompanham esses líderes em sua busca pelo Palácio do Planalto. Dos 12 candidatos procurados, 11 responderam com indicações que vão desde clássicos da literatura até guias de autoajuda e gestão.

A lista inclui nomes como Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante), oferecendo um panorama fascinante dos interesses e inspirações que permeiam a mente dos que aspiram governar o país.

Lula e a narrativa histórica do Brasil

O atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), indicou o aclamado romance Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves. A obra mergulha na trajetória de Kehinde, uma mulher africana escravizada no Brasil do século XIX que, já idosa, retorna à África e rememora sua vida.

O livro aborda temas profundos como escravidão, resistência e a dolorosa busca pelo filho perdido, sendo reconhecido como uma das mais importantes produções da literatura moderna brasileira. Sua relevância cultural foi destacada ao inspirar o enredo da Portela no Carnaval de 2024.

Liderança, estratégia e o inesperado na política

As escolhas de outros candidatos revelam um foco em gestão e na compreensão de dinâmicas complexas. Flávio Bolsonaro (PL) optou por Liderança de Alto Nível, de John C. Maxwell, que explora princípios para uma liderança eficaz, focando na capacidade de unir e inspirar pessoas para resultados coletivos.

Romeu Zema (Novo) apontou A Lógica do Cisne Negro, de Nassim Nicholas Taleb. Este livro instiga a refletir sobre eventos raros e imprevisíveis de grande impacto, questionando a capacidade do passado de prever o futuro e como o inesperado molda a economia e a sociedade.

Para Wilson Grassi (Democrata), o clássico Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, de Stephen Covey, é a bússola, apresentando princípios de proatividade, definição de objetivos e comunicação. Clariana Barão (DC), por sua vez, indicou A Trinca – Jornada da Liberdade, de Caio Carneiro, Flávio Augusto e Joel Jota, um livro que compartilha experiências pessoais e profissionais sobre crescimento e busca por realização.

Reflexões sociais e filosóficas dos presidenciáveis

Alguns candidatos buscam inspiração em obras que dissecam a sociedade e o pensamento humano. Augusto Cury (Avante) escolheu A História da Filosofia, de Will Durant, que traça a evolução do pensamento ocidental através das ideias de figuras como Sócrates, Platão e Nietzsche, combinando filosofia, história e biografia.

Hertz Dias (PSTU) mergulha em Dialética Radical do Brasil Negro, de Clóvis Moura, uma análise profunda da formação brasileira sob a ótica da escravidão, racismo e luta de classes. Edmilson Costa (PCB) explora Além do Vale do Silício – Inteligência Artificial com Características Chinesas, de Jeff Xiong, que examina o desenvolvimento da IA na China e suas implicações para a autonomia tecnológica.

Por fim, Rui Costa Pimenta (PCO) se dedica a A Comédia Humana, de Honoré de Balzac, um vasto projeto literário que retrata a sociedade francesa do século XIX, abordando temas como dinheiro, ambição e relações de poder.

Entre a liberdade pessoal e a luta por moradia

As indicações de outros candidatos também revelam abordagens distintas à vida e à sociedade. Renan Santos (Missão) escolheu o icônico On the Road – Pé na Estrada, de Jack Kerouac. O romance, que acompanha Sal Paradise e Dean Moriarty em suas jornadas pelos Estados Unidos, é um retrato da busca por liberdade e novas experiências da geração beat.

Samara Martins (UP) trouxe à tona A Esperança Nasce na Avenida Sete, de Gregório Gould. Esta obra documenta a mobilização de famílias da Ocupação Carlos Marighella, em Salvador, durante a pandemia de Covid-19, destacando a organização comunitária e a luta por moradia em meio à crise sanitária.

Perguntas Frequentes

Quantos candidatos à Presidência responderam à pesquisa sobre suas leituras?

Dos 12 candidatos contatados para revelar suas escolhas literárias, 11 responderam à pesquisa, compartilhando os livros que os inspiram ou que associam à corrida presidencial.

Qual livro foi indicado por Luiz Inácio Lula da Silva?

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou o romance histórico Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, uma obra que aborda a escravidão e a resistência no Brasil do século XIX.

Quais temas predominam nas leituras dos candidatos à Presidência?

Os temas das leituras dos candidatos são variados, incluindo liderança e gestão, análise de eventos imprevisíveis, história e filosofia, questões sociais e raciais no Brasil, desenvolvimento tecnológico e, até mesmo, a busca por liberdade pessoal e justiça social.

Por que a escolha de livros dos presidenciáveis é relevante para o público?

As escolhas literárias dos presidenciáveis são relevantes porque oferecem um vislumbre de suas fontes de inspiração, valores e perspectivas sobre o mundo, a sociedade e a forma de governar, indo além das plataformas políticas usuais.

Algum candidato não revelou suas leituras?

Sim, Ronaldo Caiado, candidato do PSD, não respondeu aos contatos da reportagem até o fechamento da matéria, sendo o único dos 12 candidatos procurados a não compartilhar suas indicações de livros.