Pesquisa da KPMG e ABcripto mostra que bancos e empresas de cripto no Brasil exigem mais rigor e transparência para o lastro das stablecoins.

A segurança e a transparência das reservas que sustentam as stablecoins se tornaram uma prioridade máxima no mercado de criptoativos brasileiro. Uma pesquisa recente da KPMG, em parceria com a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto), revelou um consenso notável: 100% das instituições consultadas defendem auditorias independentes e periódicas para esses ativos.

O estudo, que ouviu executivos de bancos e Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (VASPs) entre 12 de janeiro e 8 de junho de 2026, com 70% da amostra sendo VASPs e 30% instituições bancárias, reflete uma preocupação crescente com a estabilidade dessas moedas digitais. A demanda por maior rigor surge após episódios de instabilidade enfrentados por emissores no passado, como a Tether, ligada à USDT, a maior stablecoin do mercado.

Além das auditorias, a divulgação periódica da composição, liquidez e localização dos ativos que servem de lastro é vista como o principal indicador de confiança por 70% dos entrevistados. Essa busca por clareza visa consolidar a credibilidade das stablecoins em um cenário de rápida evolução tecnológica e financeira no Brasil.

A busca por confiança nas stablecoins

A diretora-presidente da ABcripto, Julia Rosin, enfatiza a importância dessa união do mercado em torno da transparência e segurança. Para ela, “O consenso sobre a auditoria não nos surpreende quando falamos que segurança das reservas, rigor de auditoria e lastro de qualidade não são entraves à inovação, mas a base de confiança que sustenta esse mercado”. Essa visão ressalta que a inovação no setor cripto deve andar lado a lado com a robustez e a confiabilidade.

A demanda por auditorias independentes e pela publicidade das informações sobre as reservas é um passo crucial para solidificar a presença das stablecoins no sistema financeiro nacional. Isso não apenas protege os investidores, mas também pavimenta o caminho para uma maior aceitação e integração dessas moedas digitais em diversos serviços e operações.

O lastro ideal e sua custódia

A pesquisa também aprofundou-se na composição preferencial do lastro das stablecoins. A maioria dos executivos, 67%, defende que 100% do lastro seja em dinheiro ou títulos públicos. Outros 22% consideram uma composição mista, incluindo dinheiro, títulos públicos e outros ativos financeiros, enquanto 11% admitem diferentes tipos de lastro, desde que sejam estáveis e auditáveis.

No Brasil, muitas das stablecoins atreladas ao Real já utilizam títulos públicos como lastro, alinhando-se a essa preferência. Quanto ao local de custódia desses ativos, a maioria, 38%, indica instituições financeiras reguladas. Em seguida, 26% apontam o Banco Central diretamente, 12% sugerem contas segregadas em bancos comerciais, 12% defendem um modelo híbrido entre o BC e bancos comerciais, e outros 12% optam por veículos próprios de custódia.

As stablecoins e o futuro dos pagamentos

Atualmente, as stablecoins desempenham diversas funções, como facilitar transações internacionais, integrar-se a serviços financeiros digitais, liquidar pagamentos e atuar como dinheiro digital. Olhando para o futuro, o mercado brasileiro tem expectativas claras sobre o papel dessas moedas.

Metade dos entrevistados, 50%, acredita que as stablecoins se fortalecerão como infraestrutura essencial para pagamentos e câmbio internacional. Uma parcela de 30% espera que elas ganhem mais espaço como moeda de liquidação e impulsionem a tokenização de ativos. Os restantes 20% vislumbram um uso predominantemente institucional para essas moedas digitais, indicando um potencial vasto e diversificado para as stablecoins no cenário econômico do país.

Perguntas Frequentes

O que são stablecoins?

Stablecoins são criptomoedas projetadas para manter um valor estável, geralmente atrelado a uma moeda fiduciária (como o dólar ou o real) ou a um ativo real, como ouro. Elas buscam combinar a eficiência das criptomoedas com a previsibilidade de moedas tradicionais, minimizando a volatilidade.

Por que o mercado brasileiro quer auditorias independentes para stablecoins?

O mercado brasileiro, composto por bancos e Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (VASPs), busca maior segurança e transparência. Auditorias independentes garantem que as reservas que lastreiam as stablecoins realmente existam e correspondam ao valor emitido, protegendo os usuários e aumentando a confiança no sistema.

Onde devem ser guardadas as reservas das stablecoins, segundo o mercado?

A maioria dos executivos brasileiros prefere que as reservas das stablecoins sejam custodiadas em instituições financeiras reguladas (38%). Outras opções incluem diretamente no Banco Central (26%), em contas segregadas em bancos comerciais ou em uma combinação dessas modalidades.

Qual o futuro das stablecoins no Brasil, de acordo com a pesquisa?

A pesquisa aponta que 50% dos entrevistados veem as stablecoins como infraestrutura chave para pagamentos e câmbio internacional. Outros 30% esperam seu crescimento em liquidação e tokenização, e 20% preveem uso institucional predominante, indicando um papel cada vez mais relevante no ecossistema financeiro brasileiro.