Alexandre de Moraes nega veementemente ter trocado mensagens com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e as descreve como “diálogos fantasiosos”.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, negou categoricamente ter trocado mensagens com o empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. Em um despacho oficial, Moraes classificou as supostas interações como “diálogos fantasiosos”, reiterando que tais comunicações jamais existiram.

A controvérsia surge de um relatório da Polícia Federal (PF), elaborado a pedido do ministro André Mendonça, que se baseou em dados extraídos do celular de Vorcaro. Segundo a PF, o material indicaria 187 interações entre o banqueiro e o ministro, além de referências a encontros e pedidos, levando à conclusão de que Moraes seria o destinatário das mensagens.

Moraes rebateu as acusações com veemência, afirmando que as ilações são “falsas, criminosas e mentirosas”. A negação oficial do ministro do STF marca um ponto crucial na discussão sobre a autenticidade das evidências e os próximos passos do caso no sistema judiciário brasileiro.

A Controvérsia das Mensagens da Polícia Federal

O relatório da Polícia Federal detalha supostas trocas de mensagens, que incluíam não apenas textos, mas também referências a encontros e pedidos feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Apesar da impossibilidade de identificar o destinatário das mensagens de Vorcaro e as respostas da outra parte no material bruto, a PF concluiu que as comunicações seriam direcionadas a Moraes.

Em sua defesa, o ministro Alexandre de Moraes foi incisivo. Ele declarou que “Nenhuma ilação foi mais falsa, criminosa e mentirosa do que a questão dos supostos diálogos por mensagens entre mim e Daniel Vorcaro, supostamente relacionadas a ‘Operação Compliance’. MENSAGENS MINHAS que nunca existiram. DIÁLOGOS FANTASIOSOS”.

Moraes também enfatizou que não há qualquer indício de que ele tenha prestado consultoria jurídica, concedido favores ou tido conhecimento prévio de qualquer operação policial que envolvesse o ex-dono do Banco Master, reforçando a inexistência de qualquer conduta indevida.

A Defesa de Moraes: Ausência de Provas e Auditoria

Um dos pontos centrais da argumentação de Moraes é a ausência de mensagens atribuíveis a ele no material. “O mais grave. As ilações absurdas, que foram divulgadas como supostos diálogos entre Daniel Vorcaro e o Ministro Alexandre de Moraes, simplesmente não existiram. NÃO EXISTE DIÁLOGO, que pressupõem a existência de dois interlocutores, pois não há uma única mensagem ou bloco de notas com o texto de mensagens do Ministro Alexandre de Moraes”, afirmou o ministro.

O ministro do STF também levantou dúvidas sobre a veracidade e a auditabilidade das provas, alegando que o ministro André Mendonça teve acesso “antecipado ao acervo bruto de extrações”. Essa condição, segundo Moraes, comprometeria o controle da autenticidade das alegações e a possibilidade de auditoria dos fragmentos apresentados.

Depoimento de Daniel Vorcaro e a Interpretação da PF

Em interrogatório realizado em 28 de agosto, o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou não se recordar do destinatário de uma das mensagens que, segundo a Polícia Federal, teria sido enviada a Moraes. O depoimento, tornado público após o ministro André Mendonça retirar o sigilo da investigação, adicionou mais uma camada de complexidade ao caso.

Vorcaro declarou: “Eu não me lembro. Quando não fala quem é a pessoa, eu tive muita interação. Eu não me lembro qual é o contexto. Eu estava conversando com muitas pessoas sobre essa transação do banco, pessoas próximas a mim. Isso aí, sem dúvida nenhuma, é referente à transação que estava para ser feita do banco”.

A mensagem em questão abordava apurações do Banco Central (BC) sobre o Banco Master. Nela, Vorcaro mencionava ter “informações informais e em confidência de turma do Banco Central, que G e os diretores estão na pressão máxima de novo para uma medida”, e a necessidade de “reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem”. A PF interpretou “G” como Gabriel Galípolo (então presidente do BC), “Andrei” como Andrei Rodrigues (diretor da PF) e “Paulo” como Paulo Gonet (procurador-geral da República).

Próximos Passos no Supremo Tribunal Federal

No dia seguinte à negação de Moraes, o plenário do STF estava agendado para analisar se o ministro seria investigado no caso. A sessão, que costuma ter início às 10h, envolveria a leitura e aprovação da ata da sessão anterior, a saudação de praxe aos ministros e, em seguida, o pregão do processo para debate e deliberação sobre as acusações levantadas.

Perguntas Frequentes

Quem é Daniel Vorcaro e qual sua relação com o caso?

Daniel Vorcaro é o ex-dono do Banco Master e a pessoa de cujo celular foram extraídas as mensagens que a Polícia Federal atribuiu a Alexandre de Moraes. Ele foi interrogado e afirmou não se recordar do destinatário de uma das mensagens-chave.

O que Alexandre de Moraes negou especificamente?

O ministro Alexandre de Moraes negou, em despacho, ter trocado quaisquer mensagens com Daniel Vorcaro. Ele classificou as supostas comunicações como “diálogos fantasiosos” e “mentirosos”, afirmando que mensagens de sua autoria nunca existiram.

Qual a alegação de Moraes sobre a veracidade das provas da PF?

Moraes alegou que não há possibilidade de controlar a veracidade das informações nem de auditar os fragmentos de mensagens apresentados, devido ao acesso antecipado do ministro André Mendonça ao “acervo bruto de extrações” do celular de Vorcaro.

O que Daniel Vorcaro declarou em seu interrogatório sobre as mensagens?

Em seu depoimento, Daniel Vorcaro afirmou que não se lembrava de quem seria o destinatário de uma das mensagens. Ele explicou que tinha muita interação e conversava com diversas pessoas próximas sobre a transação do banco, sem recordar o contexto específico.

Quais foram os “próximos passos” no STF após a negação de Moraes?

O plenário do STF estava agendado para analisar, após a negação de Moraes, a possibilidade de investigação do ministro no caso. A sessão envolveria procedimentos padrões como a leitura da ata e o pregão do processo para discussão.