Prefeito de São Paulo ligou a paralisação dos ferroviários à eleição do governador Tarcísio e à candidatura de Fernando Haddad, alegando prejuízo à população.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), classificou a greve dos ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), iniciada na manhã desta terça-feira (4/8), como uma "mensagem política partidária". A declaração foi feita em meio aos impactos da paralisação que afeta milhares de passageiros na capital paulista.

Segundo Nunes, a manifestação estaria diretamente ligada à eleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e à candidatura do adversário Fernando Haddad (PT). O prefeito ressaltou que, na sua percepção, o objetivo dos grevistas já teria sido alcançado, e que a continuidade da paralisação apenas prejudica a população, podendo gerar um efeito contrário ao pretendido.

A paralisação, que atinge importantes linhas da CPTM, gerou transtornos no transporte público, levando a um aumento da demanda em estações de metrô e impactando o trânsito da cidade. Entenda as reivindicações da categoria e as medidas adotadas pelo governo para minimizar os efeitos da greve.

Reivindicações dos ferroviários da CPTM

A greve foi deflagrada após um impasse nas negociações entre o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil e o governo estadual. A principal pauta da categoria é a garantia formal da manutenção dos empregos de todos os funcionários da CPTM, especialmente diante do processo de concessão de linhas ferroviárias à iniciativa privada.

Entre as demandas, os ferroviários exigem a reestatização das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, que foram concedidas à Trivia Trens. Além disso, buscam a aprovação do Projeto de Lei (PL) nº 730/2025 na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), que prevê a absorção dos funcionários da estatal por órgãos da administração pública estadual após as concessões. As negociações na Secretaria da Casa Civil, realizadas na segunda-feira (3/8), não resultaram em acordo.

Impactos da greve no transporte público de São Paulo

A paralisação afetou diretamente as Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM. Por volta das 6h desta terça-feira, a Linha 11-Coral operava parcialmente entre Barra Funda e Guaianases. A Linha 12-Safira teve circulação parcial entre Brás e Engenheiro Goulart por volta das 6h35, enquanto a Linha 13-Jade permaneceu com operação interrompida. As demais linhas da CPTM, como a 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda (concedidas) e 10-Turquesa (operada pela CPTM), não foram atingidas.

A interrupção causou grande lotação em estações do Metrô, como as da Linha 3-Vermelha (Itaquera, Penha) e as estações Paraíso (Linhas 1-Azul e 2-Verde). Para mitigar os transtornos, a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio de veículos durante o dia. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou trânsito acima da média desde as 6h, principalmente na zona leste.

Plano de contingência e medidas do governo de SP

Diante da paralisação, o Governo de São Paulo acionou um plano de contingência. O Metrô de São Paulo antecipou a abertura de suas estações nas Linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata para as 4h. Na Linha 3, mais composições foram adicionadas e trens vazios foram disponibilizados para estações com maior lotação.

Para o atendimento dos passageiros, 128 ônibus gratuitos do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) foram ativados. Esses ônibus operaram em estações-chave como Estudantes e Corinthians-Itaquera (Linha 11), São Miguel Paulista e Calmon Viana (Linha 12), e Aeroporto de Guarulhos e Engenheiro Goulart (Linha 13). A CPTM lamentou a decisão do sindicato, afirmando ter apresentado "compromissos concretos". O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou a operação de 80% do efetivo em horários de pico e 60% nos demais períodos, com multa diária de R$ 400 mil em caso de descumprimento.

Perguntas Frequentes

O que Ricardo Nunes disse sobre a greve da CPTM?

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que a greve dos ferroviários da CPTM é uma "mensagem política partidária", relacionando-a às eleições para o governo do estado e à disputa entre Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad.

Quais linhas da CPTM foram afetadas pela greve?

A greve afetou as Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM. As demais linhas, incluindo as concedidas à iniciativa privada (7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda) e a 10-Turquesa, operaram normalmente.

Quais são as reivindicações dos ferroviários em greve?

Os ferroviários reivindicam a reestatização das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, a garantia de todos os empregos na CPTM e a aprovação do PL nº 730/2025 na Alesp, que assegura a absorção dos funcionários por órgãos públicos após as concessões.

O rodízio de veículos foi suspenso durante a greve?

Sim, a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio de veículos na capital nesta terça-feira (4/8) para tentar minimizar os impactos da greve no trânsito da cidade, especialmente na zona leste, a mais atingida.

Qual foi a decisão do TRT sobre a greve da CPTM?

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou que o sindicato mantenha 80% do efetivo em operação nos horários de pico e 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, foi fixada uma multa diária de R$ 400 mil ao sindicato.