A disputa para suceder António Guterres em 2027 reúne sete candidaturas, incluindo quatro mulheres e uma maioria de representantes da América Latina.
Pela primeira vez em mais de 80 anos de história, a Organização das Nações Unidas (ONU) pode ser liderada por uma mulher. A eleição para escolher quem sucederá o português António Guterres, cujo segundo mandato termina em 31 de dezembro, tem um cenário inédito e promete movimentar a diplomacia global.
A corrida por um mandato que se inicia em 1º de janeiro de 2027 conta com sete candidaturas oficialmente na disputa. Dessas, quatro são mulheres, o que já marca um ponto histórico para a organização que nunca teve uma secretária-geral.
Além da possibilidade de uma líder feminina, a eleição se destaca pela forte presença da América Latina e do Caribe. Cinco dos sete nomes que buscam o comando da ONU vêm da região, reforçando a expectativa de que o cargo possa ser ocupado por um representante latino-americano após décadas.
Corrida Histórica: Mulheres e a Liderança da ONU
Desde a sua fundação em 1945, a ONU teve o posto de secretário-geral ocupado exclusivamente por homens. A atual disputa apresenta uma oportunidade real para quebrar essa sequência, com quatro mulheres entre os candidatos que almejam a liderança global.
A tradição informal de rotação geográfica entre os grupos regionais é um fator importante. A América Latina é apontada como favorita para receber novamente o comando da organização, um fato que só ocorreu uma vez na história, com o peruano Javier Pérez de Cuéllar, que foi secretário-geral entre 1982 e 1991.
As candidatas femininas que estão na disputa são a chilena Michelle Bachelet, a equatoriana María Fernanda Espinosa, a costarriquenha Rebeca Grynspan e a guianense Carolyn Rodrigues-Birkett. A expectativa é alta para ver qual delas poderá fazer história na organização.
Quem São os Candidatos à Secretaria-Geral da ONU?
A lista completa de candidatos à Secretaria-Geral da ONU reflete uma diversidade de experiências e nacionalidades. Dos sete nomes, cinco são da América Latina e do Caribe, sublinhando a força da região nesta eleição:
- Michelle Bachelet (Chile): Ex-presidente do Chile, foi também diretora da ONU Mulheres e alta comissária para Direitos Humanos da ONU.
- María Fernanda Espinosa (Equador): Diplomata, presidiu a Assembleia Geral da ONU entre 2018 e 2019.
- Rafael Mariano Grossi (Argentina): Atualmente, é o Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
- Rebeca Grynspan (Costa Rica): Economista e ex-vice-presidente da Costa Rica, lidera a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) desde 2021.
- Carolyn Rodrigues-Birkett (Guiana): Diplomata, representa a Guiana nas Nações Unidas desde 2020.
Completam a lista o ex-presidente do Senegal, Macky Sall, que liderou seu país entre 2012 e 2024, e o diplomata e jurista ugandense Olara Otunnu, que já atuou como subsecretário-geral da ONU.
Sondagem Inicial Aponta Fortes Nomes
Uma primeira sondagem informal, conhecida como “straw poll”, realizada pelo Conselho de Segurança em 30 de julho, já indicou os nomes com maior apoio inicial. As informações, obtidas por fontes diplomáticas, dão um panorama de como a disputa pode se desenrolar.
A candidata mais bem avaliada nesta primeira consulta foi a costarriquenha Rebeca Grynspan, que recebeu 10 votos de “incentivo” entre os 15 integrantes do Conselho. Ela é a atual diretora da UNCTAD, demonstrando a força de sua atuação internacional.
Em seguida, com nove votos de “incentivo”, ficou a guianense Carolyn Rodrigues-Birkett. O argentino Rafael Grossi, diretor-geral da AIEA, obteve sete votos favoráveis. Michelle Bachelet recebeu seis votos de “incentivo”, mas também cinco de “desencorajamento”, enquanto María Fernanda Espinosa teve cinco votos favoráveis. Macky Sall obteve seis votos de “incentivo” e Olara Otunnu, dois.
Como a ONU Escolhe seu Secretário-Geral
A escolha do secretário-geral da ONU segue um processo de duas etapas principais, que deve ser finalizado entre agosto e dezembro de 2026. A primeira etapa envolve a apresentação de candidatos pelos países-membros e a participação em diálogos com os integrantes da Assembleia Geral.
Em um segundo momento, o Conselho de Segurança assume um papel decisivo. Este órgão, composto por 15 países (cinco permanentes com poder de veto – China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia – e 10 eleitos para mandatos de dois anos), analisa os nomes e negocia até chegar a um consenso.
Durante as análises, o Conselho pode realizar sondagens informais, as “straw polls”, onde os integrantes indicam “incentivo”, “desencorajamento” ou “sem opinião”. A decisão final do Conselho exige pelo menos nove votos favoráveis entre os 15 membros e, crucialmente, não pode receber voto contrário de nenhum dos cinco membros permanentes. Após o acordo, o nome é enviado à Assembleia Geral, que reúne os 193 Estados-membros, para uma votação formal que confirma a nomeação. O mandato é de cinco anos e pode ser renovado.
Perguntas Frequentes
Quando será a eleição para o próximo Secretário-Geral da ONU?
O processo de escolha para o próximo Secretário-Geral da ONU, que sucederá António Guterres, será finalizado entre agosto e dezembro de 2026. O mandato do novo líder começará em 1º de janeiro de 2027.
Quantas mulheres concorrem ao cargo de Secretário-Geral da ONU?
Atualmente, quatro mulheres estão na disputa para se tornar a primeira Secretária-Geral da ONU: Michelle Bachelet (Chile), María Fernanda Espinosa (Equador), Rebeca Grynspan (Costa Rica) e Carolyn Rodrigues-Birkett (Guiana).
Qual a importância da América Latina nesta disputa na ONU?
A América Latina tem uma forte presença na disputa, com cinco dos sete candidatos da região. Há uma expectativa de que, seguindo a tradição informal de rotação geográfica, um nome latino-americano possa assumir o cargo, que foi ocupado por um representante da região apenas uma vez na história.
Como funciona o processo de votação no Conselho de Segurança da ONU?
O Conselho de Segurança realiza sondagens informais e negocia até chegar a um nome. A escolha exige nove votos favoráveis e nenhum veto dos cinco membros permanentes (China, EUA, França, Reino Unido, Rússia). O nome aprovado é então enviado à Assembleia Geral para formalização.
Quem foi o único latino-americano a ser Secretário-Geral da ONU até hoje?
O único latino-americano a ocupar o cargo de Secretário-Geral da ONU até hoje foi o peruano Javier Pérez de Cuéllar, que exerceu o mandato entre os anos de 1982 e 1991.
