Apesar da concentração de grandes tremores recentes, a professora Susanne Maciel, da UnB, explica que a atividade sísmica global não apresenta anomalia, seguindo padrões esperados.
Uma sequência de fortes terremotos tem chamado a atenção global nos últimos meses, culminando com um intenso tremor que atingiu a Colômbia. A frequência desses eventos levanta a questão se o planeta está vivenciando um período de aumento anormal da atividade sísmica.
Contrariando essa percepção, a professora Susanne Maciel, especialista em geociências da Universidade de Brasília (UnB), apoiada pelo Instituto Serrapilheira, esclarece que não há evidências de uma anomalia global. Segundo ela, a concentração de tremores de grande magnitude é esperada dentro da variação natural.
Nesta matéria, a especialista explica por que esses agrupamentos de terremotos ocorrem, detalha as características do evento na Colômbia e aborda o que a ciência já consegue prever sobre esses fenômenos naturais.
Concentração de Terremotos: Estatística, Não Anomalia
A percepção de que muitos terremotos fortes têm ocorrido em pouco tempo é comum, mas não indica necessariamente uma anomalia global. A professora Susanne Maciel, da UnB, destaca que esses eventos não seguem intervalos regulares, e sua concentração pode ser explicada por variações aleatórias naturais.
Entre março e agosto, cerca de nove terremotos de magnitude igual ou superior a 7 foram registrados em diferentes partes do mundo. Apesar do número, Maciel afirma: “Não temos dados suficientes para dizer que estamos experimentando uma anomalia. Não há evidências para falar que está tendo um crescimento na atividade tectônica.”
Essa explicação é reforçada por estudos como o de Andrew Michael, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), de 2011. Sua análise de tremores com magnitude superior a 7 desde 1900 concluiu que a aglomeração de grandes terremotos é um processo estatístico natural.
“Esses agrupamentos de terremotos de grande magnitude não têm uma explicação física, mas têm uma explicação do processo estatístico. Eles acontecem por aleatoriedade, e esses agrupamentos são esperados”, detalha a professora.
Os grandes tremores registrados neste ano, por exemplo, tiveram mecanismos e contextos tectônicos distintos. Por isso, é muito improvável que estejam globalmente relacionados ou tenham uma única causa comum.
O Terremoto da Colômbia: Magnitude e Profundidade
O terremoto que abalou o oeste da Colômbia, com magnitude 7,4, teve um alcance significativo devido à sua profundidade estimada em cerca de 110 quilômetros. Tremores mais rasos da mesma magnitude tendem a causar impactos mais severos em áreas próximas ao epicentro.
No entanto, em maior profundidade, as ondas de alta frequência perdem força antes de atingir a superfície, mas o tremor pode ser sentido em uma área muito mais ampla, como foi o caso. O evento está diretamente ligado à zona de subducção da placa de Nazca, que mergulha sob a placa Sul-Americana.
A região onde ocorreu o tremor é conhecida pela sua intensa atividade sísmica, sendo eventos esperados. Contudo, a magnitude de 7,4 é considerada relativamente rara para o local. “São terremotos que a gente espera que aconteçam nessa região. Mas, dessa magnitude, são relativamente raros”, pontua Susanne Maciel.
Desde 1950, segundo dados da especialista, apenas dois terremotos com magnitude superior a 7 haviam sido registrados em um raio de 250 quilômetros do ponto do tremor mais recente na Colômbia, evidenciando sua intensidade incomum para a área específica.
Réplicas e a Limitação na Previsão de Terremotos
Após um grande evento sísmico, como o da Colômbia, é comum que ocorram réplicas, também conhecidas como aftershocks. São tremores secundários que indicam o reajuste da crosta terrestre na área afetada pelo terremoto principal, aumentando temporariamente o risco de novos abalos na localidade.
Importante ressaltar que essa possibilidade de novos tremores é localizada e não significa um aumento do risco sísmico global. A ciência atualmente consegue identificar as regiões mais propensas a grandes terremotos, principalmente aquelas próximas aos limites das placas tectônicas.
A costa oeste da América do Sul, por exemplo, é uma dessas áreas de alto risco devido à interação constante entre as placas de Nazca e Sul-Americana. “Existem zonas que são mais favoráveis para a ocorrência de grandes terremotos. Isso a gente consegue prever, basicamente, com estudos geológicos”, explica Susanne Maciel.
Entretanto, o desafio persiste na previsão exata do momento. A ciência ainda não possui a capacidade de determinar quando um terremoto ocorrerá, qual será sua magnitude precisa ou o ponto exato de sua ocorrência. “Não temos como prever quando esses terremotos vão ocorrer”, reforça a especialista da UnB.
Perguntas Frequentes
Os terremotos recentes indicam que a atividade sísmica global está aumentando?
Não. Segundo a professora Susanne Maciel, da UnB, apesar da concentração de fortes tremores em pouco tempo, não há evidências de uma anomalia ou crescimento anormal da atividade sísmica global. Esses eventos se encaixam em padrões estatísticos de variação natural.
Por que tantos terremotos de grande magnitude aconteceram em poucos meses?
A ocorrência de vários terremotos fortes em um curto período pode ser explicada pela variação aleatória natural da atividade sísmica, como demonstrado por estudos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Eles não estão necessariamente relacionados ou causados por um único fator global, pois possuem mecanismos e contextos tectônicos distintos.
É possível prever quando um terremoto vai acontecer?
Não, a ciência ainda não consegue prever com exatidão quando um terremoto ocorrerá, sua magnitude precisa ou o ponto exato de sua ocorrência. Contudo, é possível identificar as zonas mais favoráveis para a ocorrência de grandes tremores com base em estudos geológicos, como os limites das placas tectônicas.
O terremoto na Colômbia foi um evento isolado ou está ligado a outros tremores recentes?
O terremoto na Colômbia foi relacionado à zona de subducção da placa de Nazca sob a placa Sul-Americana, uma região já conhecida por sua atividade sísmica. Ele não possui uma ligação direta com outros grandes tremores recentes no mundo, que tiveram mecanismos e contextos tectônicos distintos, segundo a professora Susanne Maciel.
