Montar o álbum da Copa do Mundo é uma tradição em muitas famílias brasileiras, mas o que sobra da brincadeira costuma gerar uma dúvida importante: como descartar o papel siliconado que fica atrás das figurinhas? Esse material, chamado de liner, parece papel comum, mas possui uma camada de silicone que exige um descarte diferente para não ser tratado como rejeito e comprometer a reciclagem tradicional[1].
A boa notícia é que o liner pode, sim, voltar à cadeia produtiva. No Brasil, é possível reaproveitar o material e transformá-lo em novos produtos, como embalagens, papel toalha e papel sulfite[1]. O desafio, segundo especialistas, não está na tecnologia, mas na logística reversa: fazer o resíduo chegar ao destino correto[1].
O que é o liner e por que ele não vai na coleta seletiva comum
O liner é o suporte que protege o adesivo da figurinha até o momento da colagem. Apesar da aparência semelhante à de um papel comum, sua composição é diferente: ele recebe uma camada de silicone para permitir que a figurinha seja destacada sem grudar[1]. Essa característica é justamente o que atrapalha a reciclagem tradicional.
Segundo Beatriz Rodrigues de Barcelos, engenheira ambiental da Universidade Católica de Brasília (UCB), o silicone impede que o material se comporte como papel comum no processo industrial feito por cooperativas e recicladoras convencionais[1]. Na prática, jogar o liner na lixeira de recicláveis nem sempre ajuda: o material pode ser separado como rejeito durante a triagem, aumentando o trabalho das cooperativas e dificultando a classificação[1]. Mais grave ainda: se descartado em aterros, o liner pode demorar até 100 anos para se decompor[6], e em alguns casos, até 400 anos[3].
O jeito certo de descartar e por que isso importa
Para os especialistas, o maior entrave da reciclagem do liner no Brasil é a logística reversa. Sem isso, o destino habitual ainda é o lixo comum e, depois, os aterros sanitários[1]. O descarte incorreto representa um desperdício ambiental importante, pois o liner é feito com celulose de boa qualidade, mas, quando vai para aterros ou lixões, deixa de ser reaproveitado e ocupa espaço por muito tempo[1].
A recomendação é simples: separar os liners em uma caixa ou envelope, mantê-los limpos e secos, e procurar campanhas de coleta específicas promovidas por escolas, condomínios, ONGs ou empresas[1]. Se não houver nenhuma iniciativa desse tipo na cidade, o descarte deve ser feito no lixo comum, e não na lixeira de recicláveis[1].
Como a reciclagem especializada transforma o papel em novos produtos
Embora o liner não seja aceito na coleta seletiva comum, ele pode ser reciclado por empresas que têm tecnologia para separar o silicone da fibra de celulose. No Brasil, apenas uma empresa faz o procedimento: a Polpel Fibras, sediada em Guarulhos (SP)[1][3].
A Polpel espera receber mais de 2 toneladas de liner das figurinhas da Copa até o fim da campanha de arrecadação, prevista para 10 de agosto[1]. A empresa coleta o material e faz a separação da celulose e do silicone. Essa celulose é enviada para fabricantes de papel e volta à cadeia produtiva[3].
A fibra recuperada já é usada na produção de papéis térmicos, papéis tissue (como papel toalha e higiênico), papel-cartão para embalagens, sacolas de papel e até papel sulfite[1]. Em alguns casos, empresas que enviam seus resíduos para reciclagem conseguem recomprar produtos feitos com parte da fibra recuperada, fechando o ciclo do material[1].
Como enviar os liners para a Polpel
Quem não mora em São Paulo pode enviar os liners pelos Correios diretamente para a unidade da Polpel[4]. Para participar, basta armazenar os liners e reunir uma quantidade maior com amigos, familiares ou colegas antes do envio[4].
Endereço para envio:
Polpel Fibras
Rua Padre Marcos, 761, Cidade Aracilia
Guarulhos (SP)
CEP: 07250-071[3][4][5]
Quem mora na cidade de São Paulo também pode entregar o material presencialmente em pontos de coleta parceiros espalhados pela capital, como o Colégio Oswald de Andrade e o Colégio Elvira Brandão[4].
No fim das contas, o papel que sobra depois da colagem da figurinha pode parecer pequeno, mas, somado em escala nacional, representa um volume relevante de resíduo. Destinar corretamente o material é uma forma de reduzir o descarte em aterros, fortalecer a reciclagem e dar ao álbum da Copa um impacto mais positivo também fora de campo[1].
