Neste sábado (20), Fortaleza dá início à 7ª Feira do Cordel Brasileiro, evento que reúne poetas, cordelistas, músicos e pesquisadores ligados à literatura de cordel, patrimônio cultural imaterial do Brasil[1][2]. A programação é gratuita e livre para todas as idades, segue até o dia 28 de junho e traz shows, exposições e oficinas gratuitas na Caixa Cultural Fortaleza, localizada na Avenida Pessoa Anta, 287, na Praia de Iracema[1][3].
Com origens na tradição oral e ligada a expressões como o repente, a cantoria e a embolada, a literatura de cordel é profundamente enraizada em estados do Nordeste como Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia[2]. Para Klévisson Viana, poeta cordelista bisneto de contadores de histórias, o evento é um negócio de família: ele organiza a Feira do Cordel Brasileiro há dez anos em Fortaleza e busca conectar novas gerações à tradição[2].
“A nossa feira está sempre um passo à frente, é sempre um pé na tradição e um pé na modernidade. Por isso, o palco muitas vezes é dividido entre um artista adolescente com um decano, procurando mostrar isso para que a criança e o adolescente vejam que cultura popular é uma coisa muito legal e que, para você produzir cultura popular, não tem nada a ver com coisa de velhinho, é para pessoas de qualquer idade”, explica Klévisson[2].
Entre as atrações, destaca-se o espetáculo “Eu parece que tô vendo”, do artista paraibano Jessier Quirino, neste fim de semana. Na quinta-feira (25), ocorre a abertura oficial do evento, com recitais, shows e cantorias de nomes como Ivanildo Vilanova, Jonas Bezerra, Mestre Geraldo Amâncio e Chico Pedrosa[2].
Klévisson Viana destaca o potencial do cordel em instigar a imaginação em uma época em que a inteligência artificial ameaça a criatividade humana: “Um texto feito pela IA, por mais primorosa que a IA chegue no patamar e que consiga realmente fazer algo bom, ela não vai ter esse tempero, essas minudências, esse sotaque, essa maneira de se expressar que a sua alma tem e que cada alma tem sua maneira peculiar de expressar um sentimento. E a IA é uma coisa pasteurizada, é uma coisa generalizada, é uma coisa de tudo e não é nada”[2].
A feira traz oficinas de desenho, xilogravura e cordel, além do forró de Cacimba de Aluá e o Teatro de Bonecos da Cia Calunga de Teatro[2]. O evento, que acontece nas unidades da Caixa Cultural, já passou por Salvador este ano e, depois de Fortaleza, deve chegar às cidades de Brasília e São Paulo[2].
A programação é gratuita e as informações estão no site da Caixa Cultural ou no Instagram @feiradocordel[1][3].
