O advogado e empresário Abelardo de la Espriella foi oficialmente eleito presidente da Colômbia após uma disputa extremamente acirrada no segundo turno das eleições presidenciais, realizadas em 21 de junho de 2026. Segundo a contagem preliminar do Registro Civil Nacional, com pouco menos de 100% dos votos apurados, Espriella conquistou 49,66% dos votos, superando o senador de esquerda Iván Cepeda, que ficou com 48,7%. A diferença entre os dois foi de apenas 0,96%, equivalente a cerca de 250 mil votos, o que representa um dos resultados mais polarizados na história recente do país[2][9].
Espriella, classificado como de extrema-direita e conservador, chegou à campanha prometendo interromper a continuidade do projeto político do atual presidente Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história colombiana. Sua vitória é vista como uma mudança de rumo após quatro anos de governo marcado por incertezas, segundo apoiadores que celebraram a conquista em Barranquilla, onde Espriella declarou: "Governarei para todos os colombianos, tanto para aqueles que votaram em mim quanto para aqueles que escolheram o outro candidato"[2][3].
Propostas de Segurança e Economia
No centro de sua campanha, Espriella colocou a segurança pública, propondo uma política de "tolerância zero" contra a corrupção e a criminalidade. Suas principais medidas incluem: encerrar as negociações de paz com grupos armados, reativar a fumigação e pulverização aérea contra plantações ilícitas, usar o poder aéreo e as Forças Armadas para atacar grupos criminosos, e criar um bloco de busca especializado para capturar líderes de quadrilhas de extorsão[3]. Ele também prometeu construir "dez megaprisões" onde os detentos seriam mantidos "dez andares abaixo do solo" e alimentados apenas com "pão e água"[5].
Na esfera econômica, Espriella segue o modelo do presidente argentino Javier Milei, defendendo o livre mercado, a redução do tamanho do Estado (em até 40%) e a simplificação administrativa. Diferentemente de Petro, ele apoia novos contratos de exploração de petróleo, a legalização do fracking e a retomada da transição energética. Além disso, propõe a redução de impostos para empresas e a possível "dolarização" da economia colombiana[3][5]. Contudo, ele afirmou que preservará o aumento de 23% do salário mínimo promovido por Petro, juntamente com outras medidas sociais populares[2].
Desafios Políticos e Questionamentos
Com menos de um ponto percentual separando os candidatos, Espriella terá que suavizar algumas de suas propostas para obter apoio de um Congresso dividido. O partido Pacto Histórico, de Cepeda, possui mais cadeiras no Senado e na Câmara do que qualquer outro partido, embora nenhum tenha maioria absoluta[2]. Cepeda, de 63 anos, contestou os resultados de cerca de 33 mil urnas e afirmou que sua campanha está aberta ao diálogo, desde que sejam respeitosos e genuínos[2].
Espriella, que se apresenta como empresário bem-sucedido, enfrenta questionamentos sobre sua fortuna. Uma investigação da veículo local La Silla Vacia revelou que muitos de seus negócios foram dissolvidos, estão endividados e tiveram prejuízo geral em 2024, sendo que seu escritório de advocacia foi seu empreendimento mais lucrativo[2]. A BBC também apontou que críticos e opositores discutem suas conexões com clientes relacionados ao paramarismo e casos de corrupção, com uma avaliação de ativos e passivos de cerca de 19 milhões de pesos colombianos (aproximadamente US$ 5,43 milhões)[8].
Repercussão Internacional e Apoio
Espriella, que também é cidadão dos Estados Unidos e da Itália, recebeu apoio de figuras como o presidente dos EUA, Donald Trump, que já havia declarado seu apoio antes da eleição. Ele também se apresenta como fã do legado do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe e do presidente argentino Javier Milei[3][5]. Principais associações empresariais, incluindo a Câmara de Comércio Colombo-Americana, a associação de mineração e a associação bancária, divulgaram comunicados parabenizando a vitória de Espriella[2].
Em bairros de classe alta e média em Bogotá e Medellín, apoiadores agitando bandeiras comemoraram a vitória, buzinando e soltando fogos de artifício. Mais de 26,3 milhões de colombianos votaram, dos 41,4 milhões com direito ao voto, e cerca de 427 mil eleitores entregaram cédulas em branco, o que geralmente é visto como voto de protesto[2].
A eleição de Espriella representa uma mudança importante na política colombiana, encerrando uma campanha marcada pela polarização e abrindo uma nova etapa no cenário institucional do país. Com sua vitória, a Colômbia busca retomar um rumo claro, segundo seus apoiadores, após quatro anos perdidos sem direção definida[2][4].
