Em busca de amizades de elite, contatos para o futuro e habilidades para a vida, pais milionários nos Estados Unidos gastam fortunas em mensalidades de acampamentos de luxo e fretam jatinhos particulares para garantir que seus filhos frequentem os campings mais desejados. Para muitas famílias de alta renda, enviar herdeiros para acampamentos de férias nos EUA tornou-se um investimento caro com um foco muito claro: o networking [1].
Elizabeth Weprin, de 55 anos, relatou ao New York Post que desembolsou mais de seis dígitos ao longo de quase uma década para que suas filhas frequentassem um acampamento de luxo. Ela defende que o investimento não tem preço e que o objetivo principal vai além de um verão livre de distrações digitais, focando nas conexões e "amizades". A joia da coroa desses acampamentos é a rede de ex-alunos e pais que se pode acessar [1].
O preço da exclusividade e o abismo social
Os custos para garantir o acesso a esses círculos influentes são restritos a uma minoria. No Raquette Lake Camp, a mensalidade começa em R$ 95 mil por jovem. Em outros locais sofisticados, as taxas anuais chegam a ultrapassar R$ 815 mil [1]. Nos Hamptons, os preços atingem R$ 24,5 mil por semana, incluindo acampamentos diurnos focados em IA que oferecem até aulas de omakase, a tradicional culinária japonesa [1].
O relatório The Summer Struggle for Everyday Families, publicado em maio de 2026 pela organização Afterschool Alliance, comprova esse abismo de exclusividade: embora 24,6 milhões de crianças e adolescentes nos EUA queiram vivenciar essa experiência, 38% das famílias citam os custos elevados como o principal fator de afastamento. Apenas 13% das crianças de famílias de baixa e média renda conseguem frequentar acampamentos, comparado a 45% daquelas de lares de alta renda [1].
Jatinhos particulares e rotina de luxo
Para além da inscrição, os pais investem em transportes de primeira classe. Rachael Braunschweiger Potash, que gasta mais de R$ 218 mil por ano para enviar suas duas filhas para um acampamento no Maine, fretou um avião particular com destino ao camping junto a um pequeno grupo de pais [1].
Mesmo com políticas rígidas de uniforme, muitas adolescentes mantêm hábitos de luxo nos detalhes. As filhas de Potash abastecem seus baús com produtos de higiene de marcas de luxo e pijamas de grifes. Para montar esse enxoval, as mães gastam entre R$ 8 mil e R$ 16 mil por criança em atendimento personalizado com especialistas, incluindo roupas de cama e gravuras de nomes bordados [1].
Dani Cohen, que envia três filhos para o Camp Walt Whitman, desembolsa mais de R$ 81 mil por criança na mensalidade de sete semanas, além dos milhares de dólares gastos nas compras de enxoval. Ela relatou que o estresse é mínimo "até olhar para a conta" [1].
Dia de Visita e o maior benefício
Quando os filhos partem, os pais organizam a logística para o Visiting Day (Dia de Visita), reservando voos, hotéis ou alugando motorhomes para o reencontro. Esse momento é marcado pela entrega de mimos e comidas exóticas, desde brinquedos novos até pedidos específicos de comida, como picles e sushi [1].
No fim, além do valor financeiro e das vantagens de conviver com a alta sociedade, o maior benefício permanece nas amizades e nos contatos que as filhas construíram e mantêm até hoje [1].
