Acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita expõe contradição dos Estados Unidos
O governo dos Estados Unidos anunciou um acordo de cooperação nuclear com o Reino Árabe Saudita, uma parceria que deve valer ‘décadas’ e envolver bilhões de dólares. Entenda os motivos por trás desta contradição.
Ao abrir caminho para a Arábia Saudita enriquecer urânio, ainda que afirme ser para fins pacíficos, a Casa Branca enfrenta críticas de Israel e do governo brasileiro, apesar de afirmar que o país não desenvolveria armas nucleares. Este acordo se deu em meio a um intensivo bombardeio iraniano contra o território saudita no Oriente Médio.
Tecnologia nuclear e conflito do Oriente Médio
O historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Francisco Carlos Teixeira da Silva, avalia que esta parceria reflete uma questão maior: a proteção de Arábia Saudita em confronto com as decisões norte-americanas sobre o programa nuclear iraniano. “Isso é um reconhecimento da falência do ‘escudo americano’. Toda esta situação se dá em meio à intensa guerra que o Irã está travando contra a Arábia Saudita”, explica.
Consequências para a proliferação nuclear
A Arábia Saudita, apesar de ter assinado o Acordo de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), tem se mostrado resistente à Assinatura do Protocolo Adicional com a AIEA, que permite inspeções-surpresa e controle mais rigoroso sobre o programa nuclear. Especialistas alertam que permitir tal flexibilidade enfraqueceria as posições de Washington em negociações com o Irã e outras nações do Oriente Médio.
Perguntas Frequentes
Por que os EUA fizeram este acordo?
Para reverter a perda de confiança de Arábia Saudita após a guerra contra o Irã, Washington ofereceu esta parceria nuclear.
O que significa este acordo para a região do Oriente Médio?
Pode aumentar incertezas e dar margem à proliferação nuclear nas nações vizinhas, como o Irã.
Qual é a posição de outros países envolvidos?
Israel criticou o acordo, enquanto o governo dos Estados Unidos justificou que a Arábia Saudita não desenvolveria armas nucleares e exigiu o cumprimento do acordo de Abraão e o Protocolo Adicional com AIEA.
