A Advocacia-Geral da União (AGU) enviou nesta quinta-feira (25) à Justiça da Itália uma manifestação formal na qual defende a extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil, visando o cumprimento de sua segunda condenação penal. O documento foi entregue à Corte de Cassação, última instância do Judiciário italiano, e o governo brasileiro assumiu os compromissos internacionais de cooperação jurídica em matéria penal, conforme estabelece o Tratado de Extradição entre Brasil e Itália[1][3].

Nas próximas semanas, o tribunal italiano deverá julgar o novo pedido de extradição, que refere-se especificamente à condenação de Zambelli por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, crimes pelos quais ela recebeu pena de 5 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além de multa equivalente a 400 salários-mínimos[3][4]. A ex-deputada foi acusada de perseguir o jornalista Luan Araújo com um revólver nas vésperas do segundo turno das eleições de 2022, após trocas de provocações em um ato político no bairro dos Jardins, em São Paulo[1][4].

Este é o segundo processo de extradição em tramitação na Itália. O primeiro, relacionado à invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023, pela qual Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão pela Primeira Turma do STF, foi negado pela Corte de Cassação em maio de 2026, o que levou à libertação imediata da ex-deputada na Itália[1][2][5]. Por ter dupla cidadania, Zambelli deixou o Brasil após a condenação e foi presa na Itália em julho de 2025, após inclusão na Difusão Vermelha da Interpol[1][3].

A defesa de Carla Zambelli já anunciou que recorrerá da decisão que autorizou a nova extradição, mas a expectativa é que o julgamento do recurso ocorra até o fim de junho de 2026[6][8]. Até então, a ex-deputada aguardará em liberdade a decisão do ministro da Justiça da Itália sobre o caso, enquanto a Justiça italiana ainda não definiu data para o julgamento do segundo processo de extradição[6][7].

O caso da invasão ao CNJ envolve a autoria intelectual de Zambelli na emissão de um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes, executada pelo hacker Walter Delgatti Neto, que também foi condenado e confirmou ter agido a mando da parlamentar[3][4][5].