Um novo medicamento oral da classe dos agonistas do GLP-1 apresentou resultados promissores no tratamento da obesidade e do sobrepeso. Em um ensaio clínico de fase II, participantes que receberam aleniglipron perderam até 12,1% do peso corporal após 36 semanas de tratamento[1][9]. O estudo foi publicado na revista Nature Medicine em 5 de junho e envolveu 230 adultos atendidos em 3,8 centros médicos dos Estados Unidos[1]. Além da perda de peso, os pesquisadores destacam que o medicamento pode oferecer vantagens por ser administrado em comprimidos, sem necessidade de injeções ou refrigeração[1][8].

Como funciona o medicamento

Assim como outros remédios da classe GLP-1, como a semaglutida, o aleniglipron imita a ação de um hormônio produzido naturalmente pelo organismo[1]. Esse hormônio estimula a produção de insulina, aumenta a sensação de saciedade e reduz o apetite, favorecendo a perda de peso[1]. A principal diferença está na forma de produção e administração: enquanto os medicamentos atualmente disponíveis são produzidos a partir de peptídeos e aplicados por injeção, o aleniglipron é uma molécula pequena sintetizada quimicamente e administrada por via oral[1][8]. Segundo os pesquisadores, isso facilita a fabricação em larga escala, elimina a necessidade de refrigeração e permite que o comprimido seja tomado com ou sem alimentos[1].

Resultados do estudo

Os participantes foram divididos em grupos que receberam doses diárias de 45 mg, 90 mg ou 120 mg do medicamento, além de um grupo placebo[1]. As doses foram aumentadas gradualmente ao longo do estudo[1]. Após 36 semanas, a perda média de peso foi de 9% entre os participantes que receberam 45 mg, 10,7% no grupo de 90 mg e 12,1% na dose mais alta[1]. No grupo placebo, a redução foi de apenas 0,5%[1]. Os pesquisadores afirmam que a resposta ao tratamento aumentou conforme a dose utilizada[1].

Segurança e próximos passos

Os efeitos colaterais mais frequentes foram gastrointestinais, como já ocorre com outros medicamentos da classe GLP-1[1]. Em geral, eles foram considerados leves ou moderados e diminuíram ao longo do tratamento[1]. Cerca de 10,4% dos participantes interromperam o uso do medicamento antes do fim do estudo[1]. Os pesquisadores não identificaram casos de lesão hepática relacionada ao tratamento[1]. Segundo a equipe, os resultados sustentam o avanço do aleniglipron para estudos de fase III, etapa que envolve um número maior de participantes e é necessária para confirmar a eficácia e a segurança do medicamento antes de uma eventual aprovação para uso clínico[1][5].

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