Em audiência pública no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o empresário bolsonarista Paulo Figueiredo defenderá que o governo de Donald Trump abandone a proposta de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e adote, em seu lugar, sanções individuais direcionadas a autoridades do Brasil, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)[1]. Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, falará na sessão marcada para 6 de julho, enquanto o senador Flávio Bolsonaro — pré-candidato do PL à Presidência — participará no dia 7[1].

O governo brasileiro não fará pronunciamento na consulta pública, optando por concentrar sua atuação nos canais diplomáticos entre Brasília e Washington[1]. O Itamaraty avalia que o espaço do USTR deve servir às manifestações do setor privado, entidades e demais interessados, mas diplomatas da embaixada brasileira acompanharão as sessões[1].

Em depoimento preparado para a audiência da Seção 301, Figueiredo afirmará que o tarifaço "puniria as vítimas" e "recompensaria os autores" das condutas investigadas, além de produzir efeito contrário aos interesses estratégicos americanos ao aproximar ainda mais o Brasil da China[1]. Segundo o aliado de Bolsonaro, a tarifa "atinge o alvo errado", pois recairia sobre exportadores brasileiros, importadores e consumidores dos dois países, enquanto as sanções da Lei Global Magnitsky — mecanismo usado pelos EUA para sancionar estrangeiros acusados de corrupção significativa ou violações de direitos humanos — atingiriam diretamente as autoridades responsáveis pelas decisões criticadas por Washington[1].

Outro argumento central de Figueiredo é que a sobretaxa de 25% acabaria fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva[1]. Ele sustenta que o governo brasileiro transformaria o conflito comercial em um discurso nacionalista durante a campanha eleitoral, convertendo o desgaste com Washington em ganhos políticos internos[1]. Para o empresário, a medida seria incompatível com a própria estratégia de segurança nacional dos EUA, pois novas tarifas tenderiam a ampliar a dependência comercial do Brasil em relação à China[1].

O retorno da sanção contra Moraes e o pedido de que seja estendida a outros ministros do STF têm sido a nova empreitada de Figueiredo e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em Washington[1]. Os dois solicitaram essas medidas durante reuniões com parlamentares republicanos e assessores de Trump, embora Figueiredo considere que Flávio Bolsonaro não tenha papel direto nessa iniciativa[1]. O relatório definitivo da investigação deve ser publicado até 15 de julho, cabendo a Trump a palavra final sobre a aplicação das medidas[1].

Fonte original: Notícias ao Minuto – Política.