A gigante do e-commerce expandirá o Prime Air para quase 500 localidades nos EUA, mirando 30 milhões de pessoas até 2026.

A promessa de entregas rápidas feitas por drones, que por anos parecia um futuro distante, agora se torna uma realidade palpável. A Amazon, uma década após o anúncio inicial, está expandindo massivamente suas operações com o serviço Prime Air nos Estados Unidos, marcando um ponto de virada para a logística aérea.

A companhia informou que até o fim deste ano, os drones do Prime Air começarão a operar em centros de distribuição estratégicos, como nos arredores de Chicago e Atlanta, além das regiões metropolitanas de Cleveland e Syracuse, no estado de Nova York. Esta é a iniciativa mais ambiciosa até agora para concretizar um projeto que já dura mais de dez anos.

Atualmente, a Amazon já realiza entregas aéreas em 11 localidades americanas, incluindo Houston, Dallas e Phoenix. Com a expansão, a meta é alcançar quase 500 cidades e municípios dos EUA, um aumento de seis vezes na cobertura atual, com planos de atender 30 milhões de pessoas até 2026.

A promessa de Jeff Bezos e o avanço das entregas com drones

O projeto de entregas por drones da Amazon foi revelado em 2013 por Jeff Bezos, então CEO da empresa, com a previsão otimista de que as entregas poderiam começar em cinco anos. No entanto, a realidade se mostrou mais complexa, exigindo anos de desenvolvimento, superação de acidentes em testes e a complexa tarefa de integrar as aeronaves com segurança ao espaço aéreo e à vasta operação logística.

A limitação desses desafios ajudou a definir o foco da tecnologia. Em vez de substituir entregadores em grandes centros urbanos, os drones estão se consolidando em áreas suburbanas, onde há mais espaço e menos obstáculos para as aeronaves. O modelo atual, o MK30, foi projetado pela própria Amazon e possui seis hélices, capacidade de decolar e pousar verticalmente, e um alcance de cerca de 12 quilômetros.

Segundo a empresa, o MK30 já realizou centenas de milhares de entregas neste ano, um salto expressivo em relação aos volumes modestos dos anos anteriores, que estavam concentrados em instalações de teste na Califórnia e no Texas. A Amazon também está adaptando seus centros de distribuição existentes para integrar os drones à sua estrutura logística tradicional. Para os clientes, a taxa de entrega aérea é de US$ 2,99 para assinantes Prime (grátis em compras acima de US$ 50) e US$ 4,99 para não-assinantes.

Drones no Brasil: Soluções para gargalos logísticos

No Brasil, a escala da entrega por drones é menor, mas a tecnologia já encontra aplicações comerciais, com foco em resolver problemas específicos da logística. Desde o início de junho, o iFood opera uma rota de entrega aérea em Barueri, na Grande São Paulo, partindo do shopping Iguatemi Alphaville para condomínios residenciais. Esta operação é autorizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A principal função do drone nesta região é contornar um gargalo na operação terrestre: a dificuldade de acesso e as altas taxas de recusa de entregadores, que chegam a quase 50%. Um trajeto de 3,6 quilômetros que levaria até uma hora por terra, é percorrido em apenas cinco minutos pelo ar. O equipamento usado pelo iFood foi desenvolvido pela empresa brasileira Speedbird Aero, transporta cargas de até 5 quilos e é monitorado em tempo real de Franca, no interior paulista.

Esta não é a primeira experiência do iFood com entregas aéreas. Desde outubro do ano passado, a empresa mantém uma rota entre Aracaju e Barra dos Coqueiros, em Sergipe, já tendo transportado mais de 5 mil pedidos. O modelo brasileiro se diferencia da ambição da Amazon nos EUA, servindo menos como uma nova rede de distribuição e mais como uma solução eficiente para trechos com entregas convencionais lentas, caras ou difíceis de executar.

A disputa pela liderança nas entregas aéreas: Amazon e Walmart

A Amazon não está sozinha na corrida para expandir as entregas por drones para além dos projetos-piloto. O Walmart, seu principal concorrente nos EUA, também tem ampliado rapidamente suas operações, mas adota um modelo diferente. Em vez de desenvolver seus próprios drones, o Walmart colabora com parceiros especializados, como a Wing, empresa da Alphabet (holding que controla o Google).

As aeronaves da Wing, por exemplo, normalmente partem de estruturas instaladas nos estacionamentos dos supermercados do Walmart. A expansão anunciada pelo Walmart no fim do ano passado visa oferecer entregas aéreas em regiões metropolitanas que, juntas, concentram cerca de 10% da população americana. A Wing declarou em junho que planeja operar a partir de mais de 270 lojas do Walmart, alcançando mais de 40 milhões de pessoas até o próximo ano.

Ambas as gigantes do varejo estão transformando uma tecnologia que permaneceu experimental por mais de uma década em uma parte efetiva de suas redes de distribuição. Embora os drones ainda tenham limitações de peso, distância e dependam de condições específicas para operar, a competição agora se foca em identificar as rotas onde essa solução aérea é verdadeiramente viável e vantajosa.

Perguntas Frequentes

Quando a Amazon prometeu entregas por drones?

A Amazon prometeu entregas por drones em 2013, quando Jeff Bezos revelou o projeto e previu que o serviço Prime Air estaria ativo em até cinco anos. A previsão foi otimista e o projeto levou mais de uma década para começar a ganhar escala comercial.

Quanto custa a entrega por drone da Amazon?

Para assinantes Prime, a entrega por drone da Amazon custa US$ 2,99, com isenção da taxa para compras acima de US$ 50. Para clientes que não são assinantes, a taxa é de US$ 4,99.

Os drones de entrega da Amazon funcionam no Brasil?

Não, os drones de entrega da Amazon, parte do serviço Prime Air, atualmente operam exclusivamente em localidades selecionadas nos Estados Unidos e não estão disponíveis no Brasil. No Brasil, o iFood utiliza drones em rotas específicas para otimizar entregas.

Quais empresas estão investindo em entregas por drones?

Além da Amazon com seu serviço Prime Air, outras grandes empresas como o Walmart, em parceria com a Wing (da Alphabet), e o iFood no Brasil (com a Speedbird Aero), estão investindo ativamente no desenvolvimento e expansão de entregas por drones para otimizar suas operações logísticas e alcançar clientes de forma mais eficiente.