Americanas contesta valor bilionário de fraude apontado pela Polícia Federal na Operação Disclosure, afirmando que lançamentos indevidos somam R$ 25,3 bilhões em comunicado à CVM.
A Americanas comunicou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que desconhece a origem da cifra de R$ 54 bilhões usada pela Polícia Federal (PF) para se referir ao valor da fraude contábil detectada na companhia. Este episódio deu origem a um dos maiores escândalos corporativos do Brasil, cujas primeiras notícias surgiram em janeiro de 2023.
Em ofício enviado na noite de terça-feira (30/7), a varejista defendeu que os “lançamentos indevidos e às fraudes contábeis detectadas” totalizam R$ 25,3 bilhões. Tal soma, segundo a empresa, “foi previamente divulgada ao mercado em suas demonstrações financeiras auditadas por auditor independente”, e não há conhecimento de fatores que poderiam alterar esses valores.
A dúvida sobre a quantia surgiu em 25 de julho, quando a PF e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude. Entre os alvos estavam acionistas, conselheiros e credores da Americanas, incluindo figuras como Beto Sicupira e Paulo Lemann, além de executivos de bancos como Itaú, Santander e Bradesco, conforme informação divulgada por ECONOMIA.
A Controvérsia sobre o Valor da Fraude Contábil Americanas
O comunicado da Americanas à CVM enfatiza a discrepância entre o valor apontado pela Polícia Federal e suas próprias estimativas. A empresa mantém que o valor de R$ 25,3 bilhões representa o total dos lançamentos indevidos e fraudes contábeis identificados, um montante que já foi amplamente divulgado ao mercado através de suas demonstrações financeiras auditadas.
A varejista declarou não ter conhecimento de “desdobramentos da fraude ou de outros fatores que poderiam alterar tais valores”, levantando questionamentos sobre a base de cálculo dos R$ 54 bilhões mencionados pela PF no inquérito sob sigilo.
Desdobramentos da Operação Disclosure e os Alvos da PF
A segunda fase da Operação Disclosure, iniciada na semana passada, intensificou as investigações sobre a fraude bilionária nas Americanas. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, visando acionistas, conselheiros e credores da companhia.
A ação da PF e do MPF também incluiu a determinação, pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, do sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões, o mesmo valor questionado pela Americanas.
Americanas Sem Acesso ao Inquérito da Polícia Federal
A Americanas reiterou em seu comunicado que não é parte investigada no inquérito da Polícia Federal e, portanto, não tem acesso aos autos do processo, que correm sob sigilo. Essa falta de acesso impede a companhia de compreender como a PF teria chegado ao montante de R$ 54 bilhões.
“Dessa forma, não se sabe como o suposto montante teria sido alcançado, quais critérios teriam sido eventualmente adotados, nem a qual escopo se refere”, afirmou a empresa, reforçando sua posição de que os valores que conhece e divulgou são os de R$ 25,3 bilhões.
Perguntas Frequentes
Qual o valor da fraude contábil nas Americanas?
A Polícia Federal mencionou a cifra de R$ 54 bilhões, resultando no bloqueio de bens dos investigados até esse limite. No entanto, a Americanas informou à CVM que os valores relativos a lançamentos indevidos e fraudes contábeis detectadas somam R$ 25,3 bilhões, já divulgados em suas demonstrações financeiras auditadas.
Quem são os alvos da Operação Disclosure da Polícia Federal?
A segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada em 25 de julho, teve como alvos acionistas, conselheiros e credores da Americanas, incluindo os empresários Beto Sicupira e Paulo Lemann, além de executivos dos bancos Itaú, Santander e Bradesco.
O que a Americanas diz sobre a diferença de valores da fraude?
A Americanas comunicou à CVM que não entende a origem do valor de R$ 54 bilhões usado pela PF. A empresa afirma que não é investigada no inquérito sigiloso da PF e, por isso, não tem acesso aos critérios que levaram a tal montante, mantendo que sua própria auditoria aponta R$ 25,3 bilhões.
Qual o papel da CVM na investigação da fraude da Americanas?
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) é o órgão regulador do mercado de capitais no Brasil. No caso Americanas, a CVM atua fiscalizando as informações divulgadas pela empresa ao mercado e requisitando esclarecimentos, como o ofício ao qual a Americanas respondeu sobre o valor da fraude.
Desde quando a fraude nas Americanas está sob investigação?
As primeiras notícias sobre a fraude contábil nas Americanas vieram à tona em janeiro de 2023, dando início às investigações que culminaram em operações como a Disclosure da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.
