O frio na barriga, as mãos suadas e o coração acelerado antes de um primeiro encontro são reações naturais e, em certa medida, esperadas. No entanto, quando a ansiedade deixa de ser um desconforto passageiro e começa a atrapalhar a espontaneidade, a comunicação e a própria experiência, o problema está na transformação do date em uma "prova" de valor pessoal. Psicólogas especialistas em relacionamentos, como Thaís Barbisan (de Ribeirão Preto) e Juliana Gebrim (de Brasília), explicam que o excesso de expectativa e a tentativa de controlar o imprevisível são os principais gatilhos desse nervosismo intenso.

"A ansiedade cresce quando a pessoa entende o encontro como um julgamento sobre o próprio valor. Quando ela percebe que também está ali para conhecer e avaliar o outro, a pressão diminui", afirma Thaís Barbisan. A recomendação central das especialistas é trocar a expectativa pela curiosidade: em vez de tentar prever se a pessoa será "a certa" ou se o encontro renderá um namoro, vale focar em perguntas concretas sobre a experiência imediata, como "essa conversa flui?", "eu me sinto à vontade?" e "existe afinidade real?".

Juliana Gebrim alerta que sentir borboletas no estômago e um certo nervosismo faz parte da experiência, mas o alerta surge quando a ansiedade interfere no comportamento, levando a desmarcar em cima da hora, travar na conversa ou idealizar o encontro como um determinante do futuro da relação. O desconforto, segundo as psicólogas, não está no encontro em si, mas no peso que a pessoa coloca sobre ele, transformando-o em uma chance de validar a autoestima ou garantir que algo dê certo.

Para controlar os sintomas físicos como tremor, suor e taquicardia, as especialistas sugerem técnicas de respiração diafragmática (com o abdômen) antes de sair de casa, evitar a criação de roteiros mentais detalhados e investir no conforto e na autenticidade. Escolher uma roupa que faça sentido para você, sem tentar montar um personagem, e focar na conversa presente, saindo do foco excessivo nos próprios sintomas, são estratégias eficazes. Quando a ansiedade é intensa a ponto de impedir encontros ou gerar sofrimento constante, a terapia psicológica é indicada para trabalhar autoestima, inseguranças e medo de rejeição.

No fim, o controle da ansiedade no primeiro encontro não significa eliminar o nervosismo, mas impedir que ele assuma o comando. Um pouco de frio na barriga pode até fazer parte da experiência, mas não é necessário transformar um date em um campo de batalha emocional.