A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou oficialmente o registro do medicamento Inluriyo (tosilato de inlunestranto), uma nova opção de tratamento oral para pacientes com câncer de mama avançado. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (22/6) no Diário Oficial da União, marcando um avanço significativo no tratamento da doença.

Desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, o Inluriyo é administrado por via oral e será utilizado em adultos que já passaram por terapia endócrina, também conhecida como tratamento hormonal. Segundo a Anvisa, o produto é indicado para casos de câncer de mama localmente avançado que não podem ser removidos por cirurgia ou para tumores que já se espalharam para outras partes do corpo (metástase).

Para quais pacientes o medicamento é indicado?

O tratamento foi aprovado especificamente para pacientes com um tipo de câncer de mama que apresenta as seguintes características moleculares:

  • Receptor de estrogênio positivo (ER+)
  • Receptor HER2 negativo (HER2-)
  • Mutação no gene ESR1

Essas características são identificadas por exames realizados durante a investigação e o acompanhamento da doença, ajudando os médicos a definir quais terapias podem trazer melhores resultados para cada paciente. O medicamento foi aprovado para uso isolado, sem necessidade de combinação com outros tratamentos.

Câncer de mama: contexto e importância do diagnóstico precoce

O câncer de mama é uma doença caracterizada pela multiplicação desordenada de células da mama, causando tumor. Apesar de acometer principalmente mulheres, a enfermidade também pode ser diagnosticada em homens. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), há vários tipos de câncer de mama, com desenvolvimento rápido ou lento. A maioria dos casos, quando tratados cedo, apresenta bom prognóstico.

Não há uma causa específica para a doença, mas fatores ambientais, genéticos, hormonais e comportamentais podem aumentar o risco, especialmente em pessoas com mais de 50 anos. O Inca aponta que o câncer de mama é responsável pelo maior número de óbitos por câncer na população feminina brasileira, com os principais sinais sendo o aparecimento de caroços ou nódulos endurecidos e geralmente indolores.

O autoexame é extremamente importante na identificação precoce da doença. Especialistas recomendam que ele seja realizado em três momentos: em frente ao espelho (com braços caídos e depois levantados), de pé (durante o banho, com mãos ensaboadas) e deitada (com uma mão na nuca). Mulheres após os 20 anos com casos de câncer na família ou com mais de 40 anos sem casos na família devem realizar o autoexame regularmente.

Diante da suspeita da doença, é fundamental procurar um médico para iniciar exames oficiais, como a mamografia e análises laboratoriais. O tratamento dependerá da extensão da doença e pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica. Quando a doença se espalha para outros órgãos, o tratamento buscará prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida do paciente.

De acordo com dados do Inca, o câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre mulheres no Brasil, respondendo por 30,1% dos casos de câncer feminino registrados no país entre 2023 e 2025, com estimativa de 73.610 novos casos no período.