Anvisa aprova Veoza (fezolinetanto), o primeiro medicamento não hormonal autorizado no Brasil para o tratamento dos sintomas vasomotores da menopausa, como ondas de calor e suores noturnos. A nova terapia será comercializada com o nome Veoza® e representa uma inovação significativa para mulheres que não podem usar terapia hormonal ou que não obtiveram bons resultados com esse tratamento[1][2].
O medicamento age diretamente no hipotálamo, região do cérebro que regula a temperatura corporal, bloqueando o receptor NK3 (neurocinina 3), responsável pelas alterações que favorecem o surgimento dos fogachos[1][4]. Diferentemente da reposição hormonal, o fezolinetanto não contém estrogênio nem progesterona, atuando por antagonismo seletivo desse receptor neural[1][3].
A aprovação da Anvisa foi baseada em estudos clínicos com mais de 3 mil mulheres, que demonstraram redução significativa na frequência e na intensidade das ondas de calor, além de melhora na qualidade de vida e no sono[1][4]. Os benefícios clínicos foram observados precocemente após o início do tratamento e se mantiveram ao longo do seguimento[1].
Quem pode se beneficiar? A principal indicação é para mulheres na transição menopausal ou pós-menopausa com sintomas moderados ou intensos que afetam o sono, a disposição e a qualidade de vida[1][4]. O Veoza é especialmente relevante para pacientes com contraindicação à terapia hormonal (como histórico de trombose, infarto ou câncer de mama), para aquelas que apresentaram efeitos adversos ao tratamento ou que preferem uma opção não hormonal após orientação médica[1][4].
Segundo a ginecologista Rita de Cassia Dardes, integrante da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Febrasgo, o medicamento não deve ser visto como substituto da reposição hormonal, mas como uma alternativa que preenche uma lacuna importante e permite tratamento mais individualizado[1][4]. A ginecologista Denise Joffily, do HSPE, em São Paulo, reforça que a terapia hormonal continua sendo a opção mais eficaz para muitas pacientes, mas existem outras abordagens disponíveis, incluindo medicamentos não hormonais, acompanhamento psicológico e mudanças no estilo de vida[1].
Atenção importante: Mulheres com histórico de câncer de mama devem conversar com seus médicos antes de considerar o uso do medicamento[1]. A decisão sobre o uso do Veoza deve ser tomada após avaliação médica, considerando histórico de saúde, sintomas, medicamentos em uso e possíveis contraindicações[1].
Ainda não há preço nem data de lançamento definidos para o Veoza no Brasil[1]. A novidade amplia as opções terapêuticas para mais de um terço das mulheres brasileiras que apresentam manifestações moderadas a intensas de sintomas vasomotores[4].
