Uma nova espécie de aranha, apelidada de aranha-balista, foi descoberta nas florestas tropicais do norte de Queensland, na Austrália. O mais impressionante da descoberta é que o aracnídeo desenvolveu uma técnica semelhante a uma catapulta para capturar exclusivamente a formiga-verde-arborícola (Oecophylla smaragdina), conhecida por seu comportamento extremamente agressivo.

A aranha, que pertence ao gênero Propostira mas ainda não foi formalmente batizada, constrói uma armadilha acionada por mola capaz de lançar sua presa para o alto em uma fração de segundo[1]. Os resultados da pesquisa liderada pela Universidade Macquarie foram publicados na revista Current Biology em 22 de junho[2].

Como funciona a catapulta da aranha-balista

Para montar a armadilha, a aranha se esconde em uma folha acima da área de circulação das formigas. Ao cair da noite, ela desce cerca de meio metro, encontra um ponto de apoio e constrói uma estrutura vertical formada por entre 15 e 60 fios de seda extremamente tensionados, organizados em formato de cone[1]. Na etapa final, envolve o cone com um tipo diferente de seda e retorna rapidamente ao esconderijo[1].

Poucos segundos depois, a armadilha entra em ação. Os pesquisadores acreditam que a aranha deposita um feromônio na estrutura para atrair especificamente as formigas-verdes[1]. Ao encontrar o cone, a formiga reage agressivamente e o morde, rompendo sua fixação. É exatamente isso que dispara a armadilha[1].

A energia acumulada na seda é liberada instantaneamente, lançando a formiga a mais de 30 centímetros de altura diretamente para o centro da teia da aranha[1]. Somente quando a presa está completamente presa nos fios é que a aranha se aproxima para envolvê-la com seda e iniciar a alimentação[1].

Os resultados mostraram que a estrutura funciona como uma verdadeira mola biológica, armazenando energia elástica antes de liberá-la em uma explosão extremamente rápida[1]. A potência instantânea gerada supera a de qualquer outra catapulta baseada em seda já estudada na natureza[1].

Os cientistas suspeitam que, com o passar do tempo, a aranha-balista aperfeiçoou a armadilha até conseguir caçar presas agressivas sem se colocar em risco[1].

Fonte original: Metrópoles – Ciência.