As autoridades sanitárias da Argentina confirmaram a presença de hantavírus em roedores capturados na Terra do Fogo, mas descartaram qualquer ligação com o surto fatal registrado no cruzeiro holandês MV Hondius. A variante viral identificada em Ushuaia é diferente da cepa Andes, que provocou três mortes e infectou cerca de 13 pessoas no navio, segundo o Ministério da Saúde argentino, em comunicado divulgado na segunda-feira, 29 de junho.

Análises realizadas pelo Instituto de Virologia Malbrán demonstraram que "a variante viral encontrada nos roedores da Terra do Fogo é diferente da observada nos casos humanos associados ao surto investigado"[1][2]. A investigação permitiu descartar que os roedores analisados tenham sido a fonte de infecção vinculada ao evento sanitário do cruzeiro, conforme reforçado pelo comunicado oficial[3].

A Terra do Fogo, ilha separada do continente pelo Estreito de Magalhães, nunca havia registrado casos de hantavírus desde que a notificação da doença se tornou obrigatória, em 1996[1][3]. Em 1º de abril, o cruzeiro de bandeira holandesa MV Hondius partiu do porto de Ushuaia, no extremo sul da Terra do Fogo, com destino a Cabo Verde. Dias depois, um passageiro morreu em alto-mar em decorrência do hantavírus. Sua esposa e um terceiro passageiro também morreram, desencadeando uma emergência sanitária com quarentenas em vários países e cerca de 13 infectados, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)[4].

Estudos posteriores indicaram que os casos estavam associados à cepa Andes, endêmica no sul do Chile e da Argentina e a única conhecida capaz de ser transmitida entre seres humanos[4]. O hantavírus é uma doença rara, para a qual não existe vacina, transmitida principalmente pelo rato-de-cauda-longa (Oligoryzomys longicaudatus). Em maio, uma missão do Malbrán em Ushuaia capturou 144 roedores para análise, mas não encontrou nenhum exemplar dessa espécie[3].

"Os resultados mostraram que cinco exemplares pertencentes ao gênero Abrothrix apresentaram anticorpos específicos contra hantavírus", informou o Ministério da Saúde[3]. Ainda não está claro onde ocorreu o contágio do primeiro caso, um turista holandês que, nos meses anteriores ao embarque, percorreu várias províncias argentinas, além de regiões do Chile e do Uruguai[4]. Após concluir as análises dos roedores capturados em Ushuaia entre 18 e 22 de maio, o Malbrán informou que o vírus identificado "é considerado aparentado ao vírus Andes", mas trata-se de "uma variante viral não descrita anteriormente"[3].

"No entanto, ela é diferente da observada nos casos humanos associados ao surto investigado", ressaltou o instituto[3]. A ausência de casos na província é considerada "reconfortante" por operadores turísticos, que afirmam que a área endêmica do hantavírus está localizada a mais de 1.500 km ao norte[2][3].

Fonte original: Carta Capital – Mundo.