A Giorgio Armani está trabalhando com o Boston Consulting Group (BCG) para expandir sua presença em segmentos estratégicos do mercado de luxo — especialmente em **bolsas** e **hospitalidade** — antes de iniciar o processo de venda de uma participação acionária de cerca de **15%**, previsto para começar ainda neste ano, segundo fontes familiarizadas com o assunto que pediram anonimato devido à confidencialidade dos planos[1][3].
O grupo italiano de moda avalia ampliar sua atuação em bolsas, uma categoria crucial para o setor de luxo por oferecer margens elevadas, mas que ainda representa uma parcela relativamente pequena dos negócios da Armani[1]. Desde a morte do fundador Giorgio Armani, em setembro de 2025, aos 91 anos, a empresa trabalha com diversos consultores para elaborar um plano estratégico de negócios, incluindo uma avaliação do posicionamento de preços e do modelo de distribuição[1][3].
Um porta-voz da Armani confirmou que a companhia está desenvolvendo um plano estratégico, mas se recusou a comentar o papel do BCG. O Boston Consulting Group também não divulgou informações sobre o projeto[1]. A iniciativa ocorre enquanto a empresa, de capital fechado, analisa a venda de uma fatia de 15%, em um processo previsto para começar em setembro, seguindo as diretrizes do testamento do fundador[1][3].
O testamento de Giorgio Armani estabelece que os herdeiros devem vender 15% da empresa no prazo máximo de 18 meses, com a obrigação de transferir posteriormente uma participação adicional entre 30% e 54,9% ao mesmo comprador, em um período entre três a cinco anos após sua morte[1]. Caso o plano não avance, deverá ser considerada a alternativa de uma entrada em bolsa (IPO), com a Fundação Armani mantendo um mínimo de 30,1% das ações[1][4].
O testamento especifica prioridade a grupos de referência como a LVMH, a L’Oréal ou a EssilorLuxottica, embora também possam ser ponderadas outras empresas de moda e luxo com as quais a Giorgio Armani já mantenha relações comerciais[1][3]. A EssilorLuxottica já manifestou que avaliará a possibilidade de acordo, destacando sua relação de longa data com a Armani[3].
A empresa também considera uma nomeação criativa de alto nível para a Emporio Armani, marca que vende vestidos pretos por € 840 (US$ 956) e ternos masculinos formais por € 1.250, posicionando-se entre as grifes mais acessíveis do universo do luxo[1]. O representante da Armani se recusou a comentar os planos para a Emporio Armani[1].
A companhia vê sua operação de hospitalidade — que vai de móveis de design minimalista a hotéis de luxo — como cada vez mais importante para sua imagem, à medida que o consumo de luxo se torna mais baseado em experiências[1]. Em janeiro, a empresa formou uma joint venture com a Symphony Global, companhia de investimentos privados de Mohamed Alabbar, para desenvolver futuros hotéis e resorts Armani[1]. Alabbar é fundador da Emaar Properties, incorporadora de Dubai responsável pela construção do Burj Khalifa, o edifício mais alto do mundo[1]. Os parceiros já operam hotéis em Dubai e Milão[1].
A morte de Armani ocorreu em um momento de desaceleração do mercado global de bens pessoais de luxo. No ano passado, a companhia registrou queda orgânica de 2,8% nas vendas, considerando taxas de câmbio constantes[1]. Desde então, os herdeiros incorporaram executivos experientes ao conselho de administração e promoveram Giuseppe Marsocci ao cargo de CEO, evitando mudanças radicais na operação[1].
"Não podemos deixar de reconhecer a necessidade de nos adaptar a um contexto em transformação", afirmou o CEO Giuseppe Marsocci em abril[1]. A direção criativa do grupo vem sendo conduzida pelo presidente Leo Dell’Orco e pela sobrinha do fundador, Silvana Armani[1].
Fonte original: InvestNews – Negócios.
