O ativista colombiano Franklin Humberto Coral Garrido, conhecido nas redes sociais como Beto Coral, foi detido em Phoenix, Arizona, por agentes do ICE (Serviço de Inmigración y Control de Aduanas de Estados Unidos) na terça-feira, 16 de junho de 2026, enquanto retornava para casa acompanhado de seu filho de 12 anos e de seu cachorro[1][2]. A prisão ocorreu após Coral fazer manifestações públicas contra Abelardo de la Espriella, presidente eleito da Colômbia com apoio do presidente americano Donald Trump e que venceu as eleições presidenciais colombianas[1].
No mesmo dia da detenção, o secretário de Estado americano Marco Rubio assinou um memorando determinando que Coral é passível de deportação, alegando que o ativista entrou no país em dezembro de 2015 com visto de turista (B1/B2) e excedeu o prazo de permanência por dez anos, violando as leis migratórias dos EUA[1][4]. O Departamento de Segurança Interna informou que Coral permanecerá sob custódia do ICE aguardando procedimentos de remoção[1].
Coral, de 40 anos e originalmente de Medellín, é apoiador do presidente colombiano Gustavo Petro e crítico frequente de figuras da direita colombiana, incluindo Espriella, ex-advogado criminalista que enfrentou o candidato do partido de Petro, Iván Cepeda, no segundo turno eleitoral[1]. Dias antes da prisão, Coral viajou para Miami e, junto com outros, ergueu cartazes para desencorajar a diáspora colombiana a votar em Espriella[1]. Em maio, ele apresentou uma queixa ao FBI acusando Espriella de gravar ilegalmente conversas telefônicas entre os dois e divulgar o áudio online, o que levou a assédio[1]. Espriella havia contatado Coral em nome do ex-presidente Álvaro Uribe, que processou Coral por difamação[1].
Marco Rubio afirmou que permitir que Coral permanecesse nos EUA prejudicaria os interesses da política externa americana nos processos democráticos da Colômbia e sinalizaria que estrangeiros podem usar plataformas americanas para conduzir campanhas de desinformação politicamente motivadas sem consequências[1]. A ascensão de Espriella polarizou os colombianos: alguns abraçam sua mensagem de segurança linha-dura, enquanto outros alertam que ele poderia colocar em risco as liberdades civis[1].
Antes da prisão, Espriella postou nas redes sociais que haveria "boas notícias para colombianos patriotas no exterior", referindo-se ao vice-secretário de Estado Christopher Landau, conhecido por revogar vistos de estrangeiros considerados ameaças aos interesses dos EUA[1]. Espriella não comentou diretamente a prisão de Coral nem respondeu imediatamente a pedidos de comentário[1]. O caso gerou alerta e rejeição em Colombia e Estados Unidos, especialmente porque a detenção ocorreu dias após Coral fazer atividades políticas em Miami questionando Espriella[2].
