A audiência de instrução do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, preso acusado pelo feminicídio da soldado Gisele Alves Santana, começou na manhã desta segunda-feira (29) no Complexo Judiciário Ministro Mário Guimarães, conhecido como Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo[1][5].
Gisele, esposa do tenente-coronel, foi encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal morava no Brás, região central da capital paulista[1][3]. O tenente-coronel, que estava no local, acionou socorro e relatou às autoridades que a morte foi um suicídio. Posteriormente, o registro foi alterado para morte suspeita após a família de Gisele informar que ela sofria abusos e violência por parte do marido[1][3].
A perícia da Polícia Técnico-Científica apontou indícios decisivos que derrubaram a versão de suicídio: trajetória da bala que atingiu a cabeça e profundidade dos ferimentos, indicando que a vítima foi rendida e baleada à curta distância[1][2]. O relatório da Polícia Civil, com 82 páginas, também identificou inconsistências na versão do oficial, além de vestígios de sangue, cronologia do socorro e mensagens no celular da vítima[2].
Ao total, foram listadas 40 testemunhas para a audiência de instrução, que deverá durar cerca de cinco dias. O réu será interrogado apenas na sexta-feira (3), após a produção das provas que servirão de base para a decisão da Justiça[1][2]. Na fase inicial, a audiência ocorreu de forma virtual devido ao expediente remoto da Justiça de São Paulo, em decorrência do jogo do Brasil na Copa do Mundo, e ouviu duas testemunhas de acusação, incluindo o delegado que presidiu o inquérito sobre o caso[1][2].
Por meio de suas redes sociais, o advogado Miguel José da Silva Junior, que defende a família de Gisele, afirmou que o caso já se consolidou como assassinato, e não como suicídio, tese aventada desde o início pela família[1]. "Está se comprovando, realmente, que estamos diante de um feminicídio e não de um suicídio", declarou o advogado[1].
Geraldo Leite Rosa Neto foi preso em 18 de março, em São José dos Campos, e indiciado por feminicídio e fraude processual pela Justiça Militar[1][5]. A defesa do tenente-coronel negou ter matado a companheira e acusou a família de Gisele de criar uma narrativa para "achar um culpado"[1].
Fonte: Agência Brasil – Justiça.
