O acidente vascular cerebral (AVC) em crianças, embora raro, pode ocorrer e deixar sequelas graves — e agora, pela primeira vez, existem diretrizes específicas para seu tratamento. Elaboradas pela American Heart Association e pela American Stroke Association, as novas orientações dos Estados Unidos trazem recomendações detalhadas para o AVC pediátrico, um território antes com escassa padronização [1][7].

O objetivo central é acelerar o diagnóstico e o tratamento, reduzindo o risco de danos permanentes. Cada minuto conta: o AVC provoca morte de células cerebrais, podendo causar alterações na fala, nos movimentos e até levar à morte [7].

Sintomas que exigem atenção imediata

As diretrizes destacam sintomas como cefaleia súbita intensa com vômitos, sonolência, convulsão, alteração visual e perda de coordenação motora (ataxia) [7]. Também valem os sinais clássicos do protocolo FAST (Face, Arms, Speech, Time): assimetria facial, fraqueza em um braço e dificuldade de fala [7]. Diante de qualquer um deles, é preciso buscar atendimento médico imediatamente [7].

Tratamento específico para crianças

Para restabelecer o fluxo sanguíneo, as diretrizes estabelecem critérios claros:

  • Alteplase (trombólise): pode ser considerada dentro das 4,5 horas para crianças de 28 dias até 18 anos [1].
  • Trombectomia mecânica: opção eficaz para oclusões de grandes vasos em crianças a partir de 6 anos, dentro das 6 horas (razoável até 24 horas) [1][3].
  • Neuroimagem rápida: a ressonância magnética e a angiorressonância são essenciais para confirmar o diagnóstico e excluir condições que mimetizam AVC, como enxaquecas complexas, tumores ou epilepsia [1][7].

As escalas de triagem criadas para adultos não distinguem bem o AVC pediátrico, que pode ser confundido com outros distúrbios [7]. A ênfase em exames de neuroimagem rápida é um ponto positivo, pois ajuda a diferenciar AVC isquêmico, hemorragia e outras causas [7].

Riscos associados ao AVC infantil

Em crianças, o AVC está frequentemente associado a malformações de vasos cerebrais, doenças cardiovasculares, condições autoimunes ou traumas [7]. A nova diretriz também amplia os critérios para tratamento em adultos nas primeiras 24 horas, incluindo casos antes considerados inelegíveis [7].

Fonte: Agência Einstein [7]