Ata da reunião do Comitê de Estabilidade Financeira revela preocupação com vulnerabilidades e planos do BC para defesa cibernética.

O Banco Central (BC) está com as atenções voltadas para os avanços da Inteligência Artificial (IA), principalmente no que diz respeito à sua capacidade de explorar vulnerabilidades e lançar ataques no sistema financeiro. A preocupação é tão grande que o tema ganhou destaque na ata da 65ª reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), realizada em 26 e 27 de maio.

Apesar de o Comef afirmar que “não há evidências de ataques totalmente conduzidos por tais modelos até o momento”, o documento adverte que a aceleração das capacidades da Inteligência Artificial “pode elevar riscos sistêmicos”. Este cenário exige cautela e preparação por parte das instituições.

Os riscos, segundo a autarquia, decorrem principalmente de “dependências comuns e da possibilidade de impacto em infraestruturas críticas do sistema financeiro”, conforme informação divulgada por Finsiders – IA.

Avanço da IA: O Novo Risco Sistêmico

O Banco Central, por meio do Comef, ressalta a importância de enfrentar esses novos desafios. Para mitigar o problema, o comitê defendeu a necessidade de “intensificar a resiliência cibernética do SFN”, com foco em áreas cruciais.

Entre as prioridades, estão a gestão de vulnerabilidades, o desenvolvimento seguro de sistemas e a avaliação do risco de terceiros, que podem ser pontos de entrada para ataques de IA. O BC demonstra proatividade diante da ameaça.

A instituição também sinalizou que pretende avançar em “iniciativas coordenadas de avaliação e uso desses modelos para fins defensivos”, buscando uma abordagem colaborativa. Isso inclui esforços conjuntos entre os setores público e privado para fortalecer a segurança.

Arranjos de Pagamento Sob Análise do BC

Outro ponto de alerta do Comef foi a observação de “casos recentes de inadimplência de participantes de arranjos de pagamentos”. Esses episódios reforçam a relevância do processo contínuo de alteração dos regulamentos que regem esses arranjos.

As mudanças regulatórias, em vigor desde novembro de 2025, visam reforçar as responsabilidades das bandeiras nesses arranjos. O Comef foi enfático ao declarar que “não são admissíveis dispositivos nos regulamentos que reduzam a extensão da responsabilidade atribuída pela regulação ao instituidor no que se refere à assunção do risco residual”.

Em maio, as bandeiras de cartão já entregaram ao Banco Central os novos regulamentos de seus arranjos, cumprindo a adequação à Resolução BCB nº 522. O BC agora avaliará cada um desses regulamentos, garantindo a conformidade.

Gilberto Martins, o Giba, fundador da G-Payments Consulting e ex-diretor da Mastercard e do Ebanx, comentou que a nova regra “vira de ponta-cabeça” o mercado de meios de pagamento. Ele explicou que ela representa “um novo modelo de gestão de riscos e garantias das bandeiras”, durante evento recente do banco BS2.

As novas regras chegam em um momento de atenção para o mercado de pagamentos. Entre os casos notórios, está a inédita liquidação extrajudicial da credenciadora Entrepay, suspeita de vínculo com o Banco Master, e os atrasos nos repasses a lojistas causados pelo Will Bank, também relacionado ao Banco Master.

Fundos e Mercado de Capitais: Resiliência e Crescimento

O Comef também manteve no radar as estruturas que envolvem “múltiplas camadas de fundos de investimento que podem dificultar a adequada avaliação de riscos”. Este é um tema sensível para a transparência do mercado.

Diante dos resgates líquidos em fundos de crédito privado, o Banco Central realizou testes de estresse de liquidez. A conclusão foi positiva, indicando que esses fundos “demonstram resiliência” mesmo em cenários adversos.

O mercado de capitais, por sua vez, continua crescendo em um ritmo “bastante superior ao do crédito bancário”. Este desempenho aquecido foi notado principalmente no primeiro trimestre de 2026, com uma leve desaceleração em abril, conforme apontou o comitê.

Debêntures, notas promissórias e comerciais foram os principais vetores desse crescimento robusto, demonstrando a diversificação e a força do mercado de capitais brasileiro, enquanto o BC monitora de perto os novos desafios da Inteligência Artificial.